Papais Noéis tamanho família

Até há poucos anos a grande maioria das crianças acreditava em Papai Noel. Dormiam cedo na noite de 24 de dezembro, ansiosos para acordar no dia seguinte e ver os brinquedos deixados pelo “bom velhinho” ao lado da cama, ou sob a rede. Mas o tempo passa e as coisas mudam. De uns tempos pra cá, muitos pais fazem questão de ‘matar’ o sonho de seus pequenos e logo lhes ensinam que Papai Noel não existe. Felizmente existem muitos outros que preferem manter a magia da noite de Natal e ver a felicidade de seus filhos ao receberem os presentes, e mais ainda, se maravilharem ao depararem com a figura do velhinho de longas barbas brancas, seja num shopping, na rua ou até em sua própria casa. E o Papai Noel, apesar dos tempos modernos, continua em alta, conforme podem comprovar os irmãos Eduardo, 37; Marcelo, 39; Acácio, 43; e Gláucio, 45 anos.

Os quatro, apesar da idade, são Papais Noéis profissionais há mais de dez anos. “Um dia o Marcelo estava no DB Ponta Negra e o palhaço Jujuba (Marcos Antônio) foi até ele e perguntou se meu irmão tinha interesse em ser Papai Noel. O Marcelo era taxista, tinha um tempo extra e aceitou. Para os outros três virarem Papai Noel foi um passo. No mesmo ano, em 2001, dois ficaram no Amazonas Shopping, um no Studio 5 e outro na antiga TVlândia Mall. Nos anos seguintes, até hoje, sempre viramos Papai Noel por 44 dias”, recordou Acácio, o porta voz do grupo.

Os irmãos seguem uma rotina, não fumam, não bebem “e a barriga é original”, riu. E a vida de Papai Noel não é fácil. Se o original trabalha o ano inteiro fazendo os brinquedos para entregar na noite de 24, os de mentirinha precisam enfrentar uma maratona de trabalho desde novembro. “Começamos devagar, em novembro, mas a partir de dezembro o trabalho é diário, em shoppings, empresas, escolas e até em casas, onde os pais querem nossa presença. Esse ano já tenho 16 casas para visitar e meus irmãos também já tem as deles”, contou.

Histórias tristes e alegres
Também no trato com as crianças e os pais, não é moleza ser Papai Noel. “Tem crianças que puxam nossa barba, adultos que querem tirar fotos sentados no nosso colo, uma vez, num shopping, um adolescente entrou correndo, me deu um murro e da mesma forma saiu correndo, e tudo isso sem poder reclamar ou brigar com quem estava fazendo aquilo, e ainda tendo que sorrir e dizer Feliz Natal”, achou graça. “Por dia, num shopping, tiramos de 1.500 a 2 mil fotos”, contabilizou.
E muitas vezes, o ser humano que existe por trás da fantasia, desaba com o pedido de algumas crianças. “O normal é as crianças pedirem brinquedos, os quais nunca prometemos dar, porque não sabemos as condições dos pais, então dizemos que vamos ver o que podemos fazer, se a criança merece ganhar, e coisas assim.

O problema é quando alguma criança pede algo que nos desestabiliza emocionalmente, como alimento para os pais, agasalho para avó e pior, quando pede que tragamos de volta seu pai ou mãe que faleceu. Precisamos ter muito jogo de cintura nessas horas”, falou. E existem as histórias felizes que se repetem a cada ano. “Tem um pai que me contrata para ir à casa dele desde que a filha nasceu. Hoje ela está com nove anos e ele continua me contratando. Agora ela me procura nos shoppings. Quando me descobre e eu a vejo, grito alto o seu nome e ela diz, ‘encontrei o Papai Noel verdadeiro’, e corre para me abraçar”.

Os irmãos Papais Noéis nunca pensaram em montar uma agência. Uma empresa de fotografia, que faz as fotos nos shoppings, os chama todos os anos, mas eles trabalham de forma independente. “Já temos mais dois outros amigos que se juntaram a nós, o Adriano, 33, e o seu Marcos, 65. O seu Marcos tem, inclusive, olhos bem azuizinhos, mas quem quiser ser Papai Noel, pode ligar pra mim (9 9407-1916). Não temos agência, mas ajudamos quem quiser entrar na carreira. Sobre os ganhos? Posso dizer que consigo viver com o que ganho por vários meses”.

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