A padronização é a última etapa da Lógica da Gestão da Inovação. Também é a consequência natural das ações corretivas das desconformidades. De forma retrospectiva, o suprimento das demandas ambientais é planejada, executada, monitorada sua execução para que desconformidades sejam detectadas e corrigidas. Depois de corrigidas, o esquema que se mostrou mais satisfatório é oficializado como o padrão a ser seguido a partir de então. Acontece que, como praticamente tudo em gestão, a padronização é colocada em prática em etapas, o que a configura como um processo, que é o chamado processo de padronização. E essas etapas são muito similares àquelas praticadas para a solução de uma desconformidade, motivo pela qual alguns cientistas consideram a possibilidade de, ainda que com finalidades distintas, os dois processos serem operacionalizados simultaneamente. Vejamos quais são essas etapas.

A primeira é, naturalmente, a identificação do processo, atributo ou desempenho. Quando o processo é simples, linear, não há muita dificuldade nesta etapa, mas quando é composto por dezenas e às vezes centenas de subprocessos, saber com precisão aquele que vai ser substituído se torna um desafio. A mesma dificuldade é encontrada em relação aos atributos e desempenhos: cada subprocesso apresenta atributos de seus subprodutos gerados, que são sintetizações de desempenhos esperados, como visto anteriormente. Essa primeira fase tem a finalidade, portanto, de apresentar o escopo daquilo que vai ser padronizado.

A segunda é a elaboração dos padrões para a escolha daqueles de mais fácil compreensão e execução. Os padrões são regras a serem obedecidas para se fazer alguma coisa. Essa regras permitirão que os operadores e gestores vejam como cada atividade está sendo executada (processo) e executem os testes necessários para saber se os desempenhos, os resultados esperados, estão sendo alcançados, com determinadas características. Há, portanto, padrões de execução, padrões de ferramentas, máquinas, equipamentos, matérias-primas e toda sorte de componente do processo de produção, assim como podem ser variados os tipos de desempenho e atributos. Nesta etapa devem ser devidamente sistematizadas essas novas regras.

A terceira etapa é a validação dos padrões, onde são feitos ajustes sobre a compreensão e sobre cada etapa da execução. Validar tem dois sentidos. O primeiro é o relativo à ideia de funcionamento: um processo válido é aquele que funciona, que produz o produto desejado. De forma similar, um desempenho válido é aquele minimamente esperado, como é o caso do produto que reduz pelo menos 70% da caspa de seus usuários, sendo esse percentual o desempenho mínimo aceitável. O mesmo acontece com os atributos: se a manteiga tem que ter coloração alaranjada e se apresenta esverdeada, está fora desse atributo padrão. Esses detalhes precisam ser aprovados por todos os stakeholders para que se tornem válidos. Isso mostra a importância da participação.

A quarta é o treinamento de todos os operadores para o uso de cada especificidade do padrão. Depois que o padrão foi considerado válido, o que significa que as regras funcionam e levam o processo a garantir o desempenho com os atributos esperados, nesta etapa todos os operadores precisam conhecê-las detalhadamente. Treinar tem justamente essa finalidade: tornar o novo tão bem conhecido que qualquer um possa operá-lo a contento. Aqui, portanto, serão conhecidos tanto o esquema lógico do padrão quanto a maneira válida de colocá-lo em prática.

A quinta é a implantação do padrão para que cada operador o utilize com adequação. É somente a partir do momento em que os operadores estejam preparados que a implantação deve ser feita. E estar preparado tem o sentido exato de não haver qualquer dúvida sobre qualquer aspecto da nova forma de operação. A repetição de cada atividade com a consequente explicação e demonstração é fundamental para que tanto a mente quanto os sentidos motores dos operadores com ela se acostume. Há determinadas inovações, como aquelas que envolvem produtos tóxicos e com graus de letalidade elevadas, que apenas a precisão que se aproxima da habilidade artística pode autorizar a implantação. Outros processos mais simples podem ser implantados com maior rapidez, desde que não comprometam o desempenho e os atributos.

A sexta e última etapa é o acompanhamento da execução do padrão, buscando-se ensinar as novas regras de execuções de forma adequada, focadas nos atributos e nos desempenhos. Aqui é preciso chamar a atenção para a relação entre treinamento/capacitação e desconformidade: quanto mais efetivo for a capacitação, menores as probabilidades de desconformidades na execução do novo padrão. Mais ainda: quanto mais desconformidades (consequência do treinamento inadequado), maiores as propensões a novas paradas para outro processo de análise de falhas e repadronização. Se se quer, portanto, que haja o mínimo de desconformidade nos processos de monitoramento, é preciso tornar a capacitação a mais efetiva possível, com simulações reais para que os operadores estejam prontos para lidar com as adversidades mais prováveis e que exigem mais atenção para que sejam retificadas.

Tanto no processo de análise de falhas quanto na introdução de um novo padrão, a participação dos operadores é um poderoso instrumento nesse intuito. Participar, por outro lado, não pode ser resumido a ouvir as pessoas para que emitam suas opiniões, que depois serão trabalhadas por outros técnicos. Participar significa ter a colaboração de todos para analisar uma situação, identificar as causas, testar a anulação de cada causa, escolher as anulações mais promissoras de implantação, retestar as mais promissoras, capacitar as pessoas, implementar as inovações e acompanhar os resultados auferidos. Quanto mais os operadores participarem de verdade, menores as chances de fracasso do novo padrão.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email