O suicídio e sua prevenção

Artigo

Sabemos que o suicídio é um evento que ocorre desde o início da humanidade. Não é aquele assunto gostoso de discutir com os amigos. Fenômeno complexo, tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos, sociólogos e artistas através dos séculos. De acordo com o filósofo francês Albert Camus, em “O Mito de Sísifo”, esta é a única e séria questão filosófica, que até o momento continua sem resposta, independente da cultura ou país. Também Émile Durkheim em sua obra “O Suicídio,” afirma ser a ocorrência um problema social, o que algumas pessoas concordam, visto que, o maior grupo de risco se situa entre pessoas depressivas, viciadas em drogas, alcoólatras e esquizofrênicas.
Como um sério problema de saúde pública, este demanda nossa atenção, sua prevenção e controle. Infelizmente, não é uma tarefa fácil. As melhores pesquisas indicam que a prevenção do suicídio, enquanto factível, envolve uma série completa de atividades, abrangendo desde a provisão das melhores condições possíveis para congregar nossas crianças e jovens através de um tratamento efetivo dos distúrbios mentais até um controle ambiental dos fatores de risco. Elementos essenciais para os programas de prevenção são o aumento da percepção e a disseminação de informação apropriada.
No livro “O suicídio e sua prevenção”, publicado pela editora Unesp, o premiado médico José Manoel Bertolote, aborda o assunto de forma analítica e do ponto de vista da prevenção, a partir de uma perspectiva holística acerca das causas e dos comportamentos. Ele resgata as formas como a humanidade interpretou tal fato ao longo da história e integra essas visões, criando um paradigma biopsicossocial que agrega aspectos culturais e sua influência sobre os comportamentos suicidas em diferentes países.
Bertolote constata que as taxas de suicídio variam de país para país e são maiores ou menores conforme vários fatores, como a religião dominante e a disponibilidade de meios para que o indivíduo concretize seu objetivo.
O autor defende, assim, que é possível mapear as pessoas que estão desenvolvendo tais comportamentos, identificá-las e ajudá-las a superar a situação que poderia levá-las a dar fim às próprias vidas. Esse mapeamento constata, inclusive, que dependendo do país, temos mais homens que mulheres dentro desse grupo de risco. Ele reproduz em parte e comenta os programas de prevenção criados recentemente pela ONU (Organização das Nações Unidas) e OMS (Organização Mundial da Saúde), onde ele foi coordenador da equipe de transtornos mentais e neurológicos. Adotados por vários países, inclusive o Brasil, mas ainda pouco assimilados, esses programas dirigem-se principalmente a profissionais da saúde, da educação e da mídia.
Chegar a uma conclusão a respeito do assunto é muito complexo, normalmente não se ouve discussão a respeito de tal assunto, ainda é tabu, talvez continue sendo por muito tempo, não se tem explicação plausível para um ato tão extremo, mas para a sociologia (principalmente para aqueles que seguem a corrente Durkheimiana), é sim um problema social. Para o médico Bertolote é mais um problema de saúde pública. A decisão ficará a cargo de cada um.

Bia Santos

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