19 de abril de 2021
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zilhões de estrelas que piscavam intermitentes na escuridão. Do outro a Lua, uma Lua imensa que mais parecia o Sol

Aprendo quando viajo. E cresço como ser humano. Uma das viagens mais interessantes que fiz foi em 2010 para Parintins. Pude deslizar no grande barco à noite pelo rio Amazonas e o que vi naquela escuridão não sai da minha memória. Voltava da festa dos bois na ilha Tupinambarana e achei que já tinha visto tudo em matéria de beleza e criatividade. 

A contemplação daquele espetáculo me comoveu e fiquei lesinha olhando aquilo tudo, tentando contar tanta estrela, que fazia um tempo não as via mais. Lembrei imediatamente o tempo de criança quando identificava as nuvens dando personagens a elas e de quando contava as estrelas visíveis no infinito. 

Nessa noite não se via nada fora do barco. O espetáculo era por conta dos zilhões de estrelas que piscavam intermitentes na escuridão. No meu olhar parecia que se organizavam assim: de um lado as incontáveis estrelas; do outro a Lua, não qualquer Lua, mas uma Lua imensa que mais parecia o Sol, redonda e alaranjada cujos raios se assemelhavam as pétalas de um grande girassol. Sentada na proa do barco Golfinhos do Mar observava o céu. As discussões sobre qual o melhor boi da festa, pararam. Diferenças esquecidas os olhares se voltaram todos para aquele cenário encantador onde, mesmo no breu da noite, se vislumbrava uma Lua tão gigante com tantas estrelas a piscar para nós.

Em Parintins onde fui assistir o festival, consegui entrar no bumbódromo uma noite apenas. Queria muito viver aquela experiência e poder entender como funcionava aquilo tudo. Após longo tempo na fila, consegui entrar e, deixando um pouco de lado os arroubos populares, levantei o olhar e ali já vi que o luar enfeitava a noite da festa. A lua estava prateada naquele momento e seus raios todos dirigidos ao centro da arena aberta para receber a todos.

O Festival Folclórico de Parintins, naquele ano, foi todo banhado pela Lua, que apareceu para intensificar uma festa que resgata as lendas e o jeito de ser dos povos da floresta amazônica.

Uma toada do boi Caprichoso, de Ademar Azevedo e Guto Kawakami, diz assim: “Em noite de Lua às margens do rio/ as tribos reunidas para o ritual/ Mura, Baré, Passé, Manaó, Tupinambá, Tarumã, Tapajós/ rufam tambores de guerra pra evocação”. Os povos da floresta ainda observam a Lua. Os artistas, inspirados nela, fazem suas músicas e alegorias contando as lendas para que não sejam esquecidas a cultura e a história oral deixadas por eles.

*Ellza Souza é jornalista e escritora

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