No cartão de débito ou no cartão de crédito, vendas caem 50%

O Brasil começou a fechar as portas na segunda-feira, 16 de março. Na semana seguinte, o faturamento com as vendas de cartão de crédito e débito caía cerca de 50% em relação à média diária do primeiro bimestre do ano, segundo este jornalista apurou. No comércio de roupas, calçados e acessórios, quase 90%. Nos restaurantes, quase 70%. 

Houve um apagão no consumo de energia, que baixou 18% entre a sexta-feira, 13, antes do início do pânico da epidemia, e a sexta-feira, 27 (para ser preciso, essa foi a queda na carga, que inclui perdas técnicas e comerciais, de furtos a problemas de medição). O consumo nas empresas caiu, nas residências aumentou.

Parece evidente a quase todo o mundo que a economia entrou em colapso, mesmo antes de ler os números preliminares do desastre.

Mas será necessário ter medidas novas e frequentes da asfixia econômica, porque será preciso: 1) saber da eficácia das medidas de auxílio (caso sejam de fato implementadas); 2) socorrer setores que, infelizmente talvez se descubra, estejam sendo especialmente arruinados, mais do que se esperava.

No entanto, ainda não existe um plano federal de monitoramento das zonas de desastre nem um programa para a economia de guerra, que vai durar muito tempo além do período de ataque nuclear da epidemia.

Isso para dizer a coisa com o eufemismo mais diplomático, para descrever de modo ameno este governo de hostilidade essencial e feroz contra a inteligência. 

Na verdade, faz menos de duas semanas o governo mal se movia, praticamente inclinado a largar a economia a sua própria sorte, quando não isolado no seu bunker de obscurantismo intelectual e político.

Até agora, inexistem comitês executivos e de consulta social organizados, que possam indicar onde é preciso apagar os incêndios do bombardeio de guerra que ainda virá. Não existe diálogo sistemático com o país. Não existem comitês de cientistas e estudiosos organizados e convocados para auxiliar a administração federal. A sociedade e os demais Poderes se viram como podem.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria, 41% das empresas industriais interromperam a produção, várias delas fábricas de veículos, pilar de boa parte do restante do setor industrial (por falar nisso, a venda de veículos caiu 22% em relação a março de 2019).

No setor de serviços, de quanto será a paralisia, para não dizer ameaça de morte? Não sabemos.

Esta grande recessão será, de modo inédito, um colapso dos serviços. Os que sobreviverem, de resto, não terão como recuperar o faturamento perdido, como talvez ocorra com parte das fábricas. Quanto mais empresas de serviços naufragarem, do salão de beleza e dos restaurantes às consultorias técnicas, maior será a recessão “tradicional” (colapso no investimento em novas construções, instalações produtivas e equipamentos).

É preciso acompanhar o tamanho do desastre, pensar em novos paliativos, projetar o futuro depois do pior da epidemia. Não será possível simplesmente desligar os respiradores dos negócios e dos trabalhadores na UTI econômica logo depois do fim do grande confinamento (haverá ainda confinamento parcial, obrigatório ou voluntário).

Depois da guerra, será preciso além do mais um plano de reconstrução, que deve ser pensado a partir de agora, até para dar uma perspectiva de futuro para pessoas e negócios. Mas a mentalidade de fundo do governo é “virem-se”, “morreu” (pessoas ou empresas), paciência.

Fonte: Redação

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