Mudança de horário no comércio do Centro sem efeito esperado

Uma semana depois de implantada, a mudança de horários no comércio do Centro de Manaus ainda não produziu os efeitos pretendidos no sentido de evitar aglomerações – e riscos de contagio da covid-19 –, segundo lideranças do setor ouvidas pelo Jornal do Commercio. A iniciativa também não produziu impactos nas vendas, mas alguns dirigentes consideram que pode gerar efeitos positivos nesse sentido, no médio prazo.

A alteração, com escalonamento de horários por áreas do Centro da capital, foi implementada por decreto do governo estadual, visando a redução de aglomerações humanas – especialmente nos ônibus e terminais rodoviários. Com isso, atividades de comércio de rua passaram a iniciar em horários diferentes no trecho da avenida Lourenço da Silva Braga até a rua Floriano Peixoto (6h às 7h), entre as ruas Floriano Peixoto e Guilherme Moreira (7h às 8h), e da rua Guilherme Moreira até a rua Luiz Antony (8h30 às 9h).

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, salienta que as lojas já vinham “funcionando assim” e avalia que a mudança não impactou as operações do setor comercial no Centro de forma alguma, sendo inócua do ponto de vista de seus objetivos de evitar concentrações humanas. 

“As empresas já haviam feito um disciplinamento para que as pessoas não aglomerassem. Mas, no final das contas ao afetou em nada, nem no sentido de evitar as aglomerações, nem mesmo nas vendas. Foi uma medida que, por mais que tenha sido tomada com boas intenções, não cumpriu o que pretendia”, lamentou.

“Sem jeito”

Em sintonia, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, também aponta que a iniciativa do Executivo do Amazonas não produziu impactos positivos ou negativos no volume de vendas do setor, algo que não estava em seus objetivos. O dirigente acrescenta que a iniciativa também parece ainda não ter gerado o efeito desejado pelo Estado, especialmente pelo comportamento das massas e seus temores – que não se resumem ao contágio na pandemia. 

“Não houve impacto no setor. Se a ideia era evitar aglomerações nos ônibus, a medida fracassou, porque o tumulto continua. E é muito difícil fazer alguma coisa nesse sentido, porque o trabalhador já sai com medo de casa, inclusive de ser assaltado. Mas o comércio já está indo bem, mesmo sem essa ajuda. Está até faltando produto”, apontou.

“Tudo normal”

Mais otimista, o presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, confirma que não houve alterações significativas para o cotidiano das lojas e diz que tem conversado com lojistas associados e que estes, de fato, apontaram que “tudo está normal”. O dirigente avalia, no entanto, que o ordenamento pode contribuir para uma melhora dos resultados, mais adiante. 

“O objetivo da medida foi evitar as aglomerações no transporte coletivo, mas faz sentido que seja implementada nessa faixa de comércio que opera de uma forma característica e diferente do varejo tradicional. São segmentos, como de feiras e alimentação, que pedem um horário diferente, como o dos shoppings, e também atendem um cliente diferenciado. Mas, acredito que isso pode contribuir para um aumento de vendas, mais adiante, quando for assimilado”, finalizou.

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