Medida de incentivo ao setor de Turismo não anima empresários

O aceno de incentivo para o setor de turismo, com a garantia de pelo menos R$ 5 bilhões de créditos emergenciais para empresas, incluindo os micro e pequenos negócios, não animou os empresários do Amazonas, para quem a medida é “inócua”. A sugestão de utilizar a estrutura hoteleira do país, que hoje se encontra quase que totalmente inativa, por outro lado, animou os donos de hotéis.  

Nesta quarta (22), o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, adiantou que uma nova MP garantiria os recursos para o Fungetur (Fundo Geral do Turismo), com abertura de novas linhas de empréstimo. “Sei que os empresários de turismo estão indo às agências bancárias e não estão conseguindo os créditos, mas a MP que contempla já está na economia. É um modelo que vai garantir um crédito extraordinário para que o Ministério do Turismo consiga atender desde o MEI [microempreendedor individual] até as grandes empresas”, afirmou, em coletiva de imprensa.

No início do mês, o Planalto já havia editado uma MP específica para os setores de turismo e cultura, que permitiu às empresas prorrogarem o pagamento do reembolso de eventos e pacotes. A ideia agora é que os créditos atendam a necessidade de capital de giro para as pessoas jurídicas, já que o segmento é um dos mais afetados pela pandemia. 

“Em breve, acredito que o setor do turismo, bem como o de cultura, estará com medidas de crédito, sobretudo para o capital de giro. Se a gente não garantir a sobrevivência das empresas, não haverá retomada”, frisou.

Dívida sem venda

Por meio de assessoria de imprensa, e sem citar números, o presidente do Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Amazonas), Mario Tadros, lembrou ao Jornal do Commercio que o setor de turismo estava começando a se estruturar nos dias imediatamente à crise, em uma situação que, embora não fosse confortável, permitia a sobrevivência das empresas.

Diante da extensão e dos impactos sanitários e econômicos da crise do Covid-19 na economia em geral e nas atividades turísticas em particular, o dirigente entende que a MP do governo federal, que destinaria R$ 5 bilhões de crédito ao setor de turismo, é inócua, pois o turismo receptivo e a hotelaria estão sem faturamento, sendo ineficaz tomar empréstimo para cobrir o prejuízo. 

“O empresário não terá condições de pagar esse empréstimo. Haverá o endividamento em cima de um faturamento inexistente. Para outras atividades pode ser vantajoso, mas para o turismo receptivo e hotelaria, não há utilidade nessa medida do governo”, lamentou. 

No entendimento do presidente do Sindetur, ambos os segmentos precisam da suspensão dos custos fixos, incluindo os tributos, para sobreviver à pandemia com o mínimo de gastos e ter capacidade de retomar suas atividades com geração de receita, assim que findar a crise. “Se isso não for feito, essas empresas vão fechar retardando a retomada da economia”, alertou.

Hospedagem da saúde

Outra medida anunciada pelo ministro Marcelo Álvaro Antônio é a disponibilização de leitos de hotéis, próximos a hospitais, para abrigar profissionais de saúde em meio à pandemia da Covid-19. “Esse texto, no substitutivo, vai garantir que os hotéis possam abrigar esses profissionais de saúde, que estão à frente da linha de combate, visando dois objetivos. O primeiro é melhorar essa logística dos profissionais de saúde, tendo em vista que praticamente todo hospital tem hotel perto. O outro é a preservação dos familiares desses profissionais de saúde”, explicou.

A previsão será incluída na medida provisória nº 907, que transforma a Embratur em agência autônoma e destina à nova entidade parte dos recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). A MP trata ainda de cobrança de impostos para hotéis e outras empresas que atuam no setor. A expectativa é que sua votação no Congresso se dê ainda esta semana.  

Em entrevista ao programa do Jornal do Commercio, nesta quinta (23), o presidente da ABIH-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Seção Amazonas), Roberto Bulbol, falou da crise do hotel hoteleiro e das propostas do governo inseridas na MP 907, para aliar o conforto dos agentes de saúde à sobrevida do segmento. 

“Temos um parque hoteleiro com mais de 6.000 apartamentos e fomos um dos segmentos mais impactados pela crise. Especialmente após a parada das companhias aéreas. Se tivermos seis estabelecimentos abertos atualmente, é muito. A maioria de nossos hotéis de rede fechou. Essa proposta do governo pode ser uma saída. Já tivemos uma conversa nesse sentido com a Amazonastur e com a Secretaria de Saúde. Mas, infelizmente, as mudanças recentes na Susam ainda não permitiram esse esforço”, finalizou.

Fonte: Marco Dassori

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