Maria de Miranda Leão (1887-1976) foi professora, enfermeira, assistente social e a primeira mulher eleita Deputada Estadual no Amazonas (1935-37). Maria iniciou sua carreira em 1922 como funcionária pública do Serviço Federal de Profilaxia Rural do Amazonas. Nesse mesmo ano, em 19 de dezembro, criou a Sociedade de Amparo a Maternidade e Infância, núcleo que deu origem ao Hospital Infantil Casa Dr. Fajardo, do qual foi Presidente Perpétua. Coube a ela, com apoio do Serviço de Profilaxia Rural do Amazonas e do Governo do Estado do Amazonas, na administração de Ephigênio Ferreira Salles, a criação do primeiro preventório do Brasil, voltado para o cuidado dos filhos dos portadores de hanseníase.

Eleita em 1934, pela Liga Católica, tomou posse como Deputada Estadual em 3 de junho de 1935. Era conhecida como ‘Mãezinha’ por causa dos serviços que prestava em favor de crianças e adolescentes. Em 1940, com apoio do Bispo D. Basílio Manoel Olímpio Pereira, foi para o Rio de Janeiro, onde realizou os cursos de “Ação Católica e Serviço Social” (JORNAL DO COMÉRCIO, 07/06/1970). De volta a Manaus, sugeriu ao Dr. André Vidal de Araújo, Juiz e sociólogo, a criação da Escola de Serviço Social de Manaus, fundada em 1940 e subordinada ao Juízo Tutelar de Menores. Foi, nessa ocasião, nomeada Professora de Assistência Social. Dirigiu, nesse período, o Abrigo Menino Jesus.

Como Secretária-Geral e Enfermeira Chefe da Cruz Vermelha no Amazonas, ficou encarregada da entrega de correspondências aos prisioneiros de Guerra (japoneses, italianos e alemães). Pelos serviços prestados, foi condecorada por essa instituição. Nas Interventorias de Siseno Sarmento (1946-47), Júlio Nery (1946-46) e no Governo de Leopoldo Neves (1947-1951) foi Diretora do Instituto Benjamin Constant, criando nele a primeira Escola Normal Rural do Amazonas. A Prefeitura de Manaus, em 1957, lhe concedeu o título de Cidadã Benemérita de Manaus.

Além dos trabalhos voltados para a assistência aos menos favorecidos, principalmente para crianças e mulheres, destacou-se no Movimento Feminista, sendo membro da Federação Feminista Amazonense e uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Foi oradora e delegada no 3° Congresso Nacional Feminino, realizado em 1936 no Rio de Janeiro (REVISTA BEIRA-MAR, 31-10-1936). Sobre sua atuação, transcrevo um trecho de seu discurso: “A mulher do Brasil, hoje como ontem, corajosa e destemida, saberá firmar, diante dos povos cultos, as suas prerrogativas de patriotismo sadio, fé pura e robusta. Nessa hora decisiva de nossa Patria, de nossa civilização, seremos a atalaia vigilantes das tradições, fé e costumes da nacionalidade. Em defesa de nossos ideais, tomaremos uma atitude clara e definida, no lar, na sociedade, onde quer que o dever nos leve” (JORNAL DO BRASIL, RJ, 18/10/1936). Tentou a reeleição, pelo Partido Social Democrático (PSD), em 1947, não obtendo êxito.

Em 1969, com 82 anos de idade, dos quais 47 foram dedicados aos cuidados dos mais pobres, recebeu da Prefeitura de Manaus a ‘Medalha Cidade de Manaus’. Faleceu em 16 de fevereiro de 1976 aos 89 anos. Um de seus registros mais nítidos foi feito em 20/06/1935, sendo endereçado a líder feminista e bióloga Berta Lutz (1894-1976). Um estudo mais apurado, monográfico, de sua trajetória política, seria de grande valor para a reconstituição do movimento feminista no Amazonas.

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