Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas

No dia 25 de março o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), localizado entre as ruas Bernardo Ramos e Frei José dos Inocentes, no antigo bairro de São Vicente, Centro Antigo de Manaus, completou 103 anos de fundação. Por várias décadas o IGHA foi o polo irradiador da produção dos conhecimentos geográfico e histórico na região, sendo uma instituição de trajetória ímpar.

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), popularmente conhecido como Casa de Bernardo Ramos, foi fundado por Bernardo de Azevedo da Silva Ramos (Presidente), Agnello Bittencourt (1° Secretário) e Vivaldo Palma Lima (2° Secretário) no Conselho Municipal de Manaus em 25 de março de 1917, sendo, depois da Universidade Livre de Manáos (1909) e antes da Academia Amazonense de Letras (1918), a instituição científica mais antiga do Amazonas.

Instalado solenemente em 18 de maio, foi um dos últimos institutos do gênero a surgir no Brasil, preenchendo uma lacuna na produção e divulgação das pesquisas sobre a geografia e a história do Amazonas, bem como na conservação de documentos sobre essas duas áreas.

Os estatutos do instituto foram aprovados pelo Decreto N° 1.190 de 10 de Abril de 1917, e em 18 do mesmo mês, através do Decreto N° 1.191, foram concedidos pelo Estado os prédios n° 19 e 21 localizados entre as ruas de São Vicente (Bernardo Ramos) e Frei José dos Inocentes. Em mensagem de 10 de Julho de 1918, o Governador Alcântara Bacelar informava que “Esta respeitavel Associação scientifica, creada sob os auspicios do Governo do Estado, está definitivamente installada á rua de São Vicente, d’esta cidade, em proprio estadoal”.

O belo casarão, agora sede do IGHA, estava em péssimas condições. O corpo administrativo do Instituto, não dispondo de recursos, solicitou ao Governador que fossem realizados reparos e adaptações em sua estrutura, no que foi atendido.

O Governador lembrou que, estando ele devidamente instalado, poderia receber a Coleção de Numismática do Amazonas, conforme apresentado em projeto dos deputados Adriano Jorge, Jonathas Pedrosa Filho e Coronel Raymundo Neves. Para que funcionasse sem dificuldades, sugeriu que lhe fosse concedido um auxílio financeiro anual.

Nesse mesmo ano, em julho, foi apresentado o projeto que, através de recibo, cedia o quadro de Dom Pedro II, localizado na sala de sessões do Conselho Municipal, ao IGHA. A obra foi posta no Salão Nobre, que leva o nome do antigo Imperador.

O ano de 1917 se encerraria com a visita do renomado historiador paranaense José Francisco da Rocha Pombo (1857-1933), membro do IHGB. Rocha Pombo chegou em Manaus em 6 de novembro. Estava em viagem pelos estados brasileiros com o objetivo de fazer pesquisas em seus arquivos, preparando-se para a produção de um livro sobre a História do Brasil que seria publicado em 1922, ano do centenário da Independência.

Os membros do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas realizaram, em 12 de novembro, na Assembleia Legislativa do Estado, uma sessão solene em sua homenagem. O historiador ficou na cidade até o dia 15 de novembro, quando partiu para o Sul do país.

Diferente da maioria de seus congêneres, o Instituto do Amazonas é geográfico e histórico, e não histórico e geográfico. De acordo com o historiador e professor do Departamento de História da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Luís Balkar Sá Peixoto, em artigo publicado no Jornal do Commercio em 07/08/2001, isso ocorreu pelo prestígio de um de seus membros fundadores, o geógrafo Agnello Bittencourt.

Pode-se pensar, além do papel de destaque de Bittencourt, no fato de que, quando foi criado, estava em jogo, na região, a questão das fronteiras com os outros estados, sendo necessário o predomínio dos estudos sobre a geografia do Estado para assegurar sua soberania.

Apesar de ter sido tardiamente criado, o IGHA seguia os moldes do IHGB, criado no Rio de Janeiro em 1838. Era uma academia ilustrada formada por membros oriundos da elite política e econômica. O grande número de comissões, de astronomia, arqueologia, filologia, geologia etc, mostra que a geografia e a história não eram os únicos campos de atuação do instituto, que abarcava um amplo número de áreas do conhecimento.

Os cursos universitários de Geografia e História surgiram no Amazonas apenas na década de 1980. Até aquele momento o IGHA monopolizava esses dois campos. E, parecendo ser uma tradição em todo o Brasil, nem sempre pelas mãos de pessoas da área, mas por advogados, jornalistas e autodidatas (o que ocorre até os dias de hoje).

A relação entre o meio universitário e o IGHA, por esse motivo, sempre foi conflituoso. De um lado, a universidade (parte dela) não vê com bons olhos a produção do conhecimento sem teorias e métodos e, em certa medida, de forma idílica (sem a crítica das relações dialéticas que movem as sociedades). Do outro, o instituto prefere manter-se distante de novas discussões e aportes teóricos.

Nos últimos anos, no entanto, vêm ocorrendo mudanças nessa relação. Professores universitários passaram a fazer parte o instituto, e antigos membros deste passaram a buscar a especialização em suas áreas de interesse. Apenas dessa forma colaborativa o conhecimento pode ser produzido, divulgado e consumido de forma mais ampla e democrática.

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