Manifestação pode ter um mandante

Nos últimos dois dias mais de 400 mototaxistas protestaram em frente a Prefeitura de Manaus pela regulamentação da categoria. Para o presidente do SindiManaus (Sindicato dos Mototaxistas de Manaus), Anderson Souza, a ação foi uma jogada política financiada pelo vereador de Rio Preto da Eva, Niró Kohashi (PSL). Na terça-feira o prefeito de Manaus, Arthur Neto, também já havia declarado que acreditava ter opositores políticos por trás dos protestos.
Segundo Anderson Souza houve uma reunião na casa de forró “Casa da Mamãe”, aonde foram distribuídos mais de 50kg de carne, dinheiro, além de pneus e outras peças para motos. A reunião teria ocorrido no dia 24 de maio. “Eu tenho comigo o banner e nele tem o nome do vereador. Guardei por que provavelmente ele irá me acionar judicialmente. Eu não quero afirmar, mas é só ligar os pontos. Tanto que funcionários do açougue dele estavam na manifestação”, comenta.
Na reunião teria sido proposto que as mototaxistas fossem para a porta da prefeitura. Os líderes do movimento seriam os funcionários do vereador Niró Kohashi, que arcaria com os custos do dia de trabalho perdido. “Eu estou aqui trabalhando. Se eu paro dois dias falta dinheiro, dá para sentir em casa. Como eles conseguem ficar parados lá, sem trabalhar, comendo e bebendo? Fica claro que alguém está bancando isso”, reitera Anderson Souza.
O SindiManaus se colocou contra as manifestações. Segundo Anderson o sindicato conta com 26 associações e quatro cooperativas e não apoiará nenhuma manifestação que se “passe e na ilegalidade e prejudique a população de Manaus”. O sindicato afirma que buscará resolver as questões da forma mais cordial e já teve a garantia do prefeito de que a questão será resolvida.
Segundo Anderson Souza uma reunião está marcada para o dia 10 de junho e contará com a presença do sindicato, do prefeito Arthur Neto, do presidente da Secretaria Municipal de Trânsito, Pedro Carvalho e o secretário Municipal de Trabalho e Desenvolvimento, Guto Rodrigues. “Queremos o apoio da cidade, queremos boas discussões. O sindicato participou de um seminário em Fortaleza e tem idéias para apresentar ao prefeito. Da forma como tem que ser feito”. A reunião acontecerá às 14h no auditório da prefeitura.
Niró Kohashi é do mesmo partido do vereador Massami Miki e foi ligado a ele por serem da mesma colônia e do mesmo partido, mas rompeu e partiu para o comando pessoal de parte do grupo de mototaxistas que apoiou Massimi em campanha. O Jornal do Commercio tentou entrar em contato com os vereadores Massami Miki e Niró Kohashi, mas não atenderam ao telefone. Segundo sua assessoria de imprensa o vereador não tem nenhuma relação com as manifestações realizadas.
A manifestação, que começou na terça, durou até as 11h de ontem. Bloqueando totalmente o tráfego da avenida Brasil, zona Oeste, no sentido Centro/ Bairro, causando transtornos a todos que precisam utilizar as vias diariamente. Os mototaxistas exigem um posicionamento do prefeito com relação à regulamentação da categoria e o envio do projeto de lei à Câmara Municipal. O prefeito Arthur que havia afirmado que não receberia o grupo por não apoiar as ações praticadas, acabou cedendo, e uma reunião foi marcada entre a prefeitura e um grupo compostos por 10 mototaxistas.

Manaus sitiada

O exemplo da paralisação de mais de 24 horas dos mototaxistas da cidade às portas da Prefeitura de Manaus não pode se repetir. É o que alegam os vereadores da cidade. Elias Emanuel (PSB) defendeu que os órgãos competentes como o Manaustrans, a SMTU (Superintendência Municipal de Transporte Urbano) e o Detran-AM (Departamento Estadual de Trânsito) partam logo para a regulamentação deste modal de transporte de passageiros. A regulamentação, afirmou o parlamentar, traria moralidade para este setor, haja vista que hoje os mais de 8 mil mototaxistas que operam no sistema de forma irregular não possuem uma rota específica, não seguem uma tarifa definida, além de os veículos de duas rodas não seguirem um padrão definido e, tampouco, oferecer os equipamentos de segurança necessários. “Quanto custa uma concessão hoje? R$ 20: O preço de uma camisa. Isso é uma imoralidade”, observou Elias.
Por conta desse impasse e de outros problemas envolvendo o sistema de transporte coletivo em Manaus, o vereador – que é vice-presidente da Comissão de Transporte da Câmara – voltou a defender um Plano Diretor de Mobilidade Urbana para o Município, cujo objetivo não é somente ordenar as vias e o trânsito, mas organizar os modais de transporte que hoje atuam no trânsito da capital.

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