Manaus permanece entre as mais caras

O custo da cesta básica de Manaus continua baixando nos três últimos meses, mas permanece na 3ª colocação entre as mais caras do país. Em julho a redução foi de -1,82% chegando ao valor de R$ 310,52 se comparado com R$ 316,29 do mês anterior. Em contra partida, apresentou um aumento de 11,27% em relação ao custo de R$ 279,06 registrado em julho do ano passado, de acordo com a pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada na manhã de terça-feira (6).
A farinha de mandioca continua sendo a grande vilã, mesmo apresentando redução no preço de -2,88% -após dez meses de alta nos preços -não foi suficiente para estabilizar o preço do produto que passou a custar R$ 7,75 o quilo, em julho. Ainda segundo a pesquisa do Dieese, a farinha de mandioca chegou a 82,35% de variação no ano; 181,82% nos últimos 12 meses e atingiu a marca de 272,6% de aumento na variação em 56 meses.

Dieese Amazonas

O supervisor técnico do escritório regional do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas, verificou que pelo terceiro mês consecutivo o custo da cesta básica da capital amazonense voltou a cair. “Neste mês de julho foram sete itens que apresentaram redução de preço, quatro um ligeiro aumento e apenas um item se manteve estável, sem variação, no caso do açúcar”, analisa Seixas. Ele destacou dois produtos, o tomate e a carne bovina que influenciaram diretamente para a redução no custo final da cesta básica manauara. “Para que essa redução se desse, dois produtos contribuíram no mês de julho, em primeiro lugar mais uma vez está o tomate com uma redução de -6,16% e agora com a ajuda da carne bovina que reduziu -2,04%. A farinha permanece como o grande vilão entre os 12 itens analisados pelo Dieese, devendo ter uma recuperação com a supersafra de grãos estimada para os próximos períodos”, comentou Seixas, que ainda disse que este movimento no preço do tomate, pode estar relacionado ao aumento da oferta do fruto para o mercado consumidor, permanecendo mais barato em Manaus nos últimos três meses neste ano.
A capital amazonense ocupa a 3ª colocação no ranking das cestas básicas mais caras dentre as 18 capitais onde é realizada a PNCB (Pesquisa Nacional da Cesta Básica), de acordo com o decreto-lei 399/1938, ficando atrás apenas das capitais São Paulo, com custo de R$ 327,44 apesar de também recuar, na ordem de -3,82%, ocupa a 1ª colocação, seguida por Vitória com valor de R$ 310,73, baixou -1,55% e fica na 2ª colocação entre as mais caras no mês de julho de 2013.

Conab

De acordo com o superintendente da Conab-AM (Companhia Nacional de Abastecimento no Amazonas), Thomaz Meirelles, o que ocorre é uma previsão de supersafra de grãos no Brasil, nas regiões produtoras onde acredita-se que essa supersafra de grãos nas regiões produtoras possam ter alguma interferência nas regiões importadoras, onde o Amazonas se enquadra como Estado importador de grãos, pela própria questão do isolamento geográfico. “Agora produção aqui, certamente ainda é o sonho. Com a atual estrutura pública dos órgãos do governo eu não vejo nenhuma perspectiva, para que uma produção em larga escala ocorra no Amazonas”, lamentou Meirelles.
Supersafra de grãos no Amazonas não existe previsão, segundo Meirelles, além de afirmar que a produção de trigo e soja no Estado é zero. Já para a produção de feijão, milho e arroz no Amazonas, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas) dizem que existe tecnologia, o problema é direcionar as ações nesse sentido, segundo o superintendente da Conab-AM. “Aí depende de uma política de Estado em direcionar a prioridade para a produção de grãos e alimentos. Projeto existe, mas eu não vejo nada nesse sentido”, disse Thomaz Meirelles ao Jornal do Commercio.

Custo na capital

Em Manaus o custo da cesta básica para o sustento de uma família de quatro pessoas composta por dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto, foi de R$ 931,56 em julho, sendo que no mês anterior o custo ficou em R$ 948,87 para a mesma família. Equivalente a cerca de 1,37 vezes o salário mínimo bruto de R$ 678,00 vigente no país. Neste caso o salário mínimo necessário para atender à necessidade familiar com alimentação, em julho é R$ 2.750,83 que corresponde a 4,06 vezes do atual salário mínimo.

Poder de compra

Comparando um trabalhador que ganha um salário mínimo em Manaus comprometeu, em julho, 49,78% de seu rendimento líquido após o desconto de 8%, R$ 623,76, referente à contribuição previdenciária, gastos na compra de alimentos básicos. No mês anterior, junho, o comprometimento foi de 50,71%. Este mesmo trabalhador precisou trabalhar 100 horas e 46 minutos para comprar a cesta básica em julho de 2013, segundo dados do Dieese.

Comportamento nas capitais

No período de janeiro a julho, somente em Florianópolis a variação acumulada do preço da cesta básica apresentou queda (-2,08%). Nas demais 17 localidades houve alta, com os maiores aumentos verificados no Nordeste –região que atravessa período de forte seca: Aracaju (17,30%), João Pessoa (15,85%), Salvador (14,36%), Natal (13,34%) e Recife (12,46%). Belo Horizonte (0,89%), Goiânia (2,34%), Curitiba e Brasília (ambas com 3,08%) apresentaram as menores variações acumuladas.
Entre agosto do ano passado e julho último –período de 12 meses para o qual os dados referem-se a 17 capitais, pois ainda não havia pesquisa em Campo Grande (MS) –todas as localidades apresentam alta, embora em ritmo menos intenso que nos períodos anteriores. As maiores variações foram encontradas em: Salvador (18,72%), João Pessoa (18,13%) e Recife (17,81%). Os menores aumentos acumulados foram verificados em Belo Horizonte (1,81%), Porto Alegre (1,98%) e Brasília (3,22%).

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