9 de maio de 2021

Manaus, de braços abertos para o mundo

“Que todos os que nos visitem sejam transformados em adeptos de nossa utopia e defensores de nossa ecologia, tanto da floresta em pé, como da precificação dos serviços ambientais que prestamos à humanidade.”

por Belmiro Vianez Filho(*) - Coluna Follow-up(**) 

A capital mundial da Amazônia, mais uma vez, tem a chance de voltar a abrir os braços para o mundo de atraentes negócios com seu status de porta de entrada da Floresta Amazônica, um dos ícones universais mais presentes no imaginário da humanidade. Já tivemos chances assim no século XIX, no período da borracha, no século XX com o advento da Zona Franca comercial, e agora, neste século XXI, oportunidades douradas que é insensato desperdiçar. Daqui pra frente tudo tem que ser diferente, com metas, métricas, um mutirão de atores determinados no planejamento e monitoramento/avaliação de resultados.

O leilão do aeroporto de Manaus – concedido a uma empresa com solidez ímpar e expertise no setor – mais a recompra do lendário Tropical Hotel, fechado por indícios de gestão inepta, foi confirmada por um grupo local, que também atua no setor acadêmico e que adquiriu as ruínas do hospital Santa Casa de Misericórdia para recuperar e formar profissionais da Saúde. Este é um esboço do cenário dos novos tempos que nos compete ajudar a construir, utilizando as condições favoráveis que sempre estiveram à disposição de empreendedores e gestores públicos, esbanjadas pela abundância perversa.

Com um lance de R$420 milhões, a empresa Vinci Airoports passa a ter 30 anos para explorar business no aeroporto internacional Eduardo Gomes, alem dos terminais de Tabatinga, Tefé, Porto Velho (RO), Rio Branco, Cruzeiro do Sul (AC) e Boa Vista (RR), com o compromisso de investir R$1,4 bilhão. Com este arremate, o grupo francês contabiliza 59 terminais aeroviários sob sua batuta. É o maior e mais conceituado grupo privado do modal aéreo. Diante do fato, o grupo empresarial que arrematou o Tropical Hotel passa a ter motivos pulsantes para acelerar a recuperação dessa referência de hotelaria na Amazônia.

Ariaú Tower, o primeiro grande hotel de Selva do Amazonas, é apenas uma lembrança exótica de celebridades, chefes de Estado, altos executivos que mergulharam na experiência da natureza cobiçada. Improvisação e amadorismo de nossos empreendimentos precisam ter seus dias contados. Podemos tomar lições com Macapá e Belém, à frente com folga, promover revolução em nossa uma rede hoteleira local. Atuar nos serviços da floresta supõe profissionalização e desprendimento para ocupar os espaços que deixamos escapar. Os cursos de qualificação precisam ser de classe mundial. A começar pelos gestores públicos que, senão puderem ajudar, não vale burocratizar para arrecadar. A receita virá da dinâmica capitalista, flexível, inteligente e prática. Num universo de IDH baixíssimo, é preciso mobilizar os melhores atores em educação e treinamento.

Governo estadual, municipal e Suframa precisam trabalhar alinhados, sem personalismo nem fulanização. Fonte inicial de receita já está assegurada, só precisa trabalhar dentro da Lei. O setor privado repassa R$1,4 bilhão/ano para turismo, interiorização do desenvolvimento e fomento de micro e pequenas empresas, fundos FTI e FMPES. Esses recursos, hoje, se revertem quase todo em combate à pandemia e antes ao custeio da máquina pública. Um gasto sem retorno. Depois de muitos anos, a AmazonasTour, na gestão de Orsine Júnior, conseguiu um naco de 10% para trabalhar. Os resultados foram extraordinários.

O glamour do Teatro Amazonas precisa ser mais um entre tantos motivos para entender o Ciclo da Borracha; o Encontro das Águas precisa de um mega aquário em terra para o visitante ver a réplica fascinante do universo do País das Águas; assim como o Festival de Parintins precisa ser replicado em outros municípios do Estado de acordo com a respectiva tradição cultural. A museologia precisa revisitar e retratar o ambiente descrito pelos viajantes europeus, o Paraiso Perdido, que permanece incrustado na memória ancestral do Velho Mundo. Mais do que nunca precisamos mostrar que aqui borbulha The Last Garden of the World, O Último Jardim da Terra. A propósito, passados mais de 130 anos de instalação relâmpago do Museu Botânico do Amazonas, por iniciativa da Princesa Isabel e seu marido, o Conde D’Eu, sob a batuta do botânico João Barbosa Rodrigues, jamais quisemos resgatar o acervo da flora amazônica transferido pelo governo republicano para o Rio de Janeiro, com o fim da monarquia.

É imperativo o enfoque profissional no tratamento deste novo filão de negócios, portanto, que se montem grupos de trabalho para cada segmento da economia. Grupos com visão da totalidade e da interdisciplinaridade. Não podemos pagar o mico do despreparo quando nos requisitarem informações para organizar a nova era de negócios sustentáveis da floresta e de sua história. Turismo é geração de emprego, renda e oportunidades de equilíbrio social. Alcançar a percepção e apreensão deste nicho – em nosso caso, eminentemente ambiental e sustentável – precisa de uma revolução de costumes e universalização do conhecimento sobre a Amazônia. Que todos os que nos visitam sejam transformados em adeptos de nossa utopia e defensores de nossa ecologia, tanto da floresta em pé, como dos serviços ambientais que prestamos à humanidade. Eles, assim, voltarão, trarão seus filhos, vizinhos e amigos, para compartilhar esta viagem de grandes negócios e oportunidades, especialmente de reconciliação entre o homem perdido de si mesmo e a natureza tão maltratada. Mãos à obra!!

(*) Belmiro é empresário do setor varejista e liderança histórica na defesa da economia do Amazonas.
(**) Esta Coluna Follow-up é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e com a coordenação editorial de Alfredo Lopes, consultor da entidade www.cieam.org.br e editor-geral do portal BrasilAmazoniaAgora.com.br

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