Luiz Franco de Sá Bacellar é homenageado em livro de Elson Farias

Hoje, dia 9 de setembro, quarta-feira, completa-se oito anos da morte do poeta Luiz Franco de Sá Bacellar, e para lembrar a data e homenageá-lo, a Editora Valer irá lançar o livro ‘Luiz Bacellar e sua poesia’, do escritor Elson Farias, às 18h30, na galeria do Icbeu. O evento bem pode lembrar, também, o nascimento de Bacellar, alguns dias antes, em 4 de setembro, há 92 anos. O lançamento reabre a pauta de lançamentos da Editora, suspensa devido à pandemia do novo coronavírus.

O livro foi concebido como uma homenagem a um dos mais importantes nomes da poesia do Amazonas. O poeta, que nos deixou em 2012, fez de Manaus um dos motes da sua poesia, e com ela lançou-se para o universal. Como não reconhecer a grandiosidade, a riqueza poética de Frauta de barro? Por outro lado, como não ficar deslumbrado com a melodia de Sol de feira? E com a limpidez dos seus haikais?

“Escrever este livro sobre Bacellar é prestar uma singela homenagem a ele. Os amazonenses não sabem, mas Bacellar começou a moldar seu nome como um grande poeta, ainda em 1959, quando venceu o Prêmio Olavo Bilac, concurso nacional promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro, com um dos seus poemas mais famosos, de seu livro de estréia, ‘Frauta de barro’. Faziam parte do júri do concurso, ninguém menos que Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade”, revelou Elson Farias.

“Só este prêmio já era suficiente para alçá-lo ao Olimpo dos poetas, mas ele continuou produzindo até seus últimos dias de existência”, completou.

Amigos da madrugada

Livro é uma homenagem ao poeta Luiz Bacellar

Luiz Bacellar pode ser considerado um poeta do presente, universal e atemporal, conforme se pode ler nos poemas que deixou. Viu no seu tempo, como testemunha dos acontecimentos do século 20, o processo de transformação que se operava, tanto em Manaus quanto em outros lugares do mundo. Deu o seu testemunho, cantando e refletindo, recorrendo à memória, sua cidade de nascimento, o bairro de Aparecida, antigo bairro dos Tocos, que conhecia como ninguém. Por outro lado, não apenas lamentava os descaminhos do seu tempo, pois trazia sempre uma pitada de humor para os seus versos, o que nos rouba sempre um sorriso.

“Com este ensaio, Elson Farias presta seu tributo ao amigo e aponta caminhos para estudos futuros de sua produção poética, enriquece e acresce informações relevantes aos estudos sobre este que é um dos poetas mais respeitados e amados da literatura que se produz no Amazonas”, escreveu Tenório Telles.

Elson Farias conheceu Bacellar ainda nos tempos do Clube da Madrugada, movimento cultural iniciado em 1954, quando este já tinha 26 anos e Elson era um garoto de 18 anos. Desde então acompanhou os trabalhos do poeta, e depois amigo que, com o tempo mostrou facetas que chamavam a atenção pela especial maneira de se portar no mundo, como, por exemplo, se auto-denominar conde e se vestir com uma indefectível jaqueta e um chapéu Panamá. No livro, Farias faz uma análise da obra de Bacellar a qual considera moderna com traços neoclássicos.

Elson Farias não só conviveu com o poeta como também é um profundo conhecedor de sua obra, bela, técnica e com uma maneira ímpar de trazer a poesia até nós. Farias presenteia o leitor por meio de uma escrita leve e agradável, revela aspectos significativos que nos conduzem ao conhecimento e à compreensão do homem e da obra de um dos mais talentosos poetas da literatura nacional. É uma leitura prazerosa e esclarecedora.

Aos 12 anos

Luiz Bacellar nasceu em Manaus, em Aparecida, no dia 4 de setembro de 1928. Ainda criança começou a escrever poesias. Cursou o Colegial, em São Paulo; no Rio, foi bolsista do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), tendo estudado com Darcy Ribeiro. Em Manaus trabalhou como jornalista, portuário e comerciário antes de se tornar professor de Literatura e Língua Portuguesa, no Colégio Estadual D. Pedro II, e professor de História da Música, no Conservatório Joaquim Franco, da Universidade do Amazonas. Em 1968, seu segundo livro, ‘Sol de Feira’, recebeu o Prêmio de Poesia do Estado do Amazonas. Também foi um dos fundadores da União Brasileira de Escritores do Amazonas e já teve vários de seus poemas musicados por Arnaldo Rebelo, Nivaldo Santiago, Dirson Costa e Emmanuel Coêlho Maciel. Imortal da Academia Amazonense de Letras, os livros de Luiz Bacellar são: Frauta de barro, Sol de Feira, Quatro movi­mentos (1975), O Crisântemo de cem pétalas (em parceria com Roberto Evangelista, 1985), Quarteto (Valer, 1998) e Satori (Manaus, Valer, 2000).  

Trecho de um poema

Em menino achei um dia

bem no fundo de um surrão

um frio tubo de argila

e fui feliz desde então;

rude e doce melodia

quando me pus a soprá-lo

jorrou límpida e tranquila

como água por um gargalo.

Serviço

O que: Lançamento do livro ‘Luiz Bacellar e sua poesia’

Onde: Icbeu

Av. Joaquim Nabuco, 1286 – Centro

Quando: Dia 9, quarta-feira, às 18h30

Informações: 3184-4568 e 9 9613-1113

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