7 de maio de 2021

Kely Guimarães lança livro que destaca compositoras de Manaus

Mulheres cantoras, sabemos que Manaus tem várias, cantando pop rock, e até rock mesmo, toadas, brega, arrocha, samba e o ritmo que aparecer. Agora, mulheres compositoras, quem as conhece? E elas existem talvez até em maior número do que as cantoras. Pesquisa realizada pela musicista e compositora Kely Guimarães, conseguiu descobrir mais de 150 delas e com 360 trabalhos, de alguma forma publicados, isso num período de 19 anos, de 2000 a 2019. Kely é professora mestra em ciências humanas, e especialista em educação musical e gestão cultural. Na quinta-feira (18), às 15h, ela irá lançar seu livro digital ‘Mulheres compositoras: cartografias e relações de poder’, pelo seu canal no YouTube.

“O livro é resultado de um estudo de dois anos que reflete de modo crítico e interdisciplinar, pois envolve as áreas de música, antropologia, sociologia e letras, a questão da música como instrumento de trabalho, de resistência, de identidade e de empoderamento das compositoras atuantes em Manaus nesses 19 anos pesquisados”, falou.

Livro traz lista com mais de 150 nomes de compositoras, ocupando seis páginas da publicação
Foto: Divulgação

Quem quiser conferir quem são as mais de 150 compositoras barés, pode ler no livro de Kely. A lista com os nomes ocupa seis páginas da publicação. E apesar de não conseguirmos ouvir essas composições, essas mulheres têm produzido bastante.

“São pessoas que nem eu e você, trabalhando e se articulando por meio da arte, mas suas obras e seus créditos são comumente invisibilizados ou ocultados, o que evidencia os argumentos que apresento no livro, tais como o machismo estrutural. Tanto é que a massa da população as desconhece, ou conhece pouco os seus trabalhos”, acrescentou.

Visibilidade às compositoras   

‘Mulheres compositoras: cartografias e relações de poder’ apresenta os resultados da dissertação de mestrado de Kely, ‘Reflexão sobre o trabalho, vivências e práticas musicais de mulheres compositoras em Manaus a partir de 2000’, defendida por ela, em 2020.

Todas as músicas catalogadas na pesquisa da professora foram publicadas ou auto publicadas, seja via internet, plataformas digitais ou sites, ou via gravadoras. Essa foi a premissa básica seguida por ela para poder discutir o tema de modo mais fundamentado, a de ter material lançado. Interessante é descobrir quem já ouviu alguma dessas composições? O que está faltando para que os manauaras conheçam e ouçam as compositoras que moram aqui?

“Como o meu objetivo era dar visibilidade às compositoras e suas obras, tudo o que eu pude acessar dentro do universo local composto por mulheres, eu cataloguei. Tem de tudo um pouco, rock, pop, samba, toada, brega, arrocha, música erudita, música eletrônica, dentre outras”, listou.

Para não abrir um leque temporal muito grande e correr o risco de não conseguir finalizar com êxito sua pesquisa, visto que ela tinha que concluir o trabalho em dois anos, Kely não pesquisou aquém do ano 2000. É sabido que, desde 1938, quando foi inaugurada a Rádio Voz da Baricéia, atual Rádio Baré, mulheres já se apresentavam cantando, na emissora. Teriam surgido ali as primeiras compositoras? A pesquisa que resultou em ‘Mulheres compositoras…’, envolveu entrevistas, coleta de dados, questionários dentre outros e ainda contou com as referências a respeito de compositoras atuantes serem escassas e/ou também se delimitarem a um recorte temporal específico.

“Mas apresento três fatores de escolha distribuídos nos respectivos planos sociais: jurídico, econômico e de inovação tecnológica. Por entender que seria algo original, até então, que não tinha sido discutido no âmbito local. Foi uma demanda intensa de assuntos para ler, refletir, coletar, analisar e escrever sobre dentro de um curto período”, contou.

Formato digital

O projeto do livro foi contemplado no prêmio Feliciano Lana, da ManauscCult, através da Lei Aldir Blanc. Kely teve que garimpar as informações para que o trabalho tivesse resultado, pois apenas o Misam (Museu da Imagem e do Som do Amazonas), da Secretaria de Cultura, possuía alguns poucos materiais sobre as compositoras, mas que serviram como ponto de partida para a pesquisa. As demais informações foram sendo conseguidas por meio das próprias artistas.

“Algumas ainda tinham CDs físicos, por exemplo, e outros materiais foram encontrados em sebos e antiquários da cidade e até mesmo em matérias jornalísticas acessadas via Biblioteca Nacional”, lembrou.

Apesar de ter descoberto mais de 150 compositoras, Kely não buscou saber quem foi, ou é, a mais produtiva entre elas, já que seu objetivo era mostrar o significativo contingente de mulheres produzindo e se articulando para viabilizar sua arte, apesar das demandas domésticas e sociais.

No momento o livro será disponibilizado apenas em formato digital, mas a autora e a editora PNCSA (Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia) estão planejando, tão logo cesse a pandemia, lançá-lo no formato físico, e com um lançamento presencial.

O livro está disponível, gratuitamente, no site da editora (www.novacartografiasocial.com.br).

Foto/Destaque: Divulgação

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