Investimentos japoneses no PIM somam US$ 1.58 bilhão em 2009

Passado o momento de instabilidade econômica que desencorajou a vinda de novas empresas ao PIM (Polo Industrial de Manaus), a região volta a assumir posição estratégica no mapa de investimentos japoneses. Segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a ‘terra do sol nascente’ aportou mais de US$ 1.58 bilhão no polo, principalmente nas indústrias dos setores metal-mecânico e duas rodas.
Apesar de representar um recuo de 16,76% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi injetado US$ 1.90 bilhão, a participação de capital japonês, que era de 8,12% em meados do primeiro semestre, pulou para os atuais 16,20% em outubro. Além disso, no início do primeiro semestre, em pleno calor da crise financeira, o polo industrial já havia somado praticamente US$ 800 milhões em investimentos nipônicos.
No entendimento do gerente de vendas da Fuji do Brasil, Afonso Dourado, o Japão sobrevive de exportações, o que explicaria em parte o fato de as indústrias japonesas procurarem mercados externos em busca de divisas para o país. A expectativa do executivo se volta para o crescimento do mercado interno, principalmente da indústria de informática, termoplásticos e embalagens, o que pode atrair eventuais aportes estrangeiros. “Contudo não é apenas no Brasil que está proliferando as companhias japonesas. Índia, China e Cingapura são exemplos disso, embora hoje, da América Latina, nosso país seja o mais estável economicamente. Em resumo, há uma grande necessidade do Japão em se instalar em outros lugares do mundo e o Brasil tem seus atrativos”, asseverou.
Para o economista e professor da pós-graduação do Centro Universitário UniNiltons Lins, Cláudio César Benzecry, o fato de o Japão não preterir os investimentos na região industrial amazonense é, de longe, curioso, quando se leva em conta que este é exatamente o momento em que o país asiático coleciona vários dos piores índices macroeconômicos das últimas décadas. Segundo o especialista, as considerações positivas em relação ao mercado interno, não acontecem à toa. “Na verdade não resta aos investidores japoneses outra alternativa, senão olhar para fora e arriscar distâncias maiores. A despeito do anúncio recente de crescimento industrial, os dados da economia japonesa não são animadores. Além do que, o Japão deve fechar 2009 com queda de 6,25% na economia, segundo previsão do Fundo Monetário Internacional”, lembrou Benzecry.

Mercados seguros

Dados divulgados pela Suframa apontam que, do universo de 224 empresas com capital estrangeiro em Manaus, 37 são japonesas, e respondem por 38,95% do total de investimentos líquidos.
O gerente executivo da Kotaro Metais Industriais, Maruo Horisaka, concordou que o forte impacto da instabilidade financeira reforçou a certeza de que mercados externos mais seguros como o Brasil são a única saída para que as grandes companhias do Japão recuperem parte do nível de produção do ano anterior e amenizem a dependência em relação às exportações para EUA e China. “Mesmo após a recuperação econômica anunciada em setembro, as empresas japonesas sabem que a solução não está no mercado interno. Pelo contrário. A resposta para as empresas japonesas está no exterior”, assinalou.
Recentemente, a Jetro, órgão do governo japonês, para promoção de investimentos, anunciou um aumento de interesse das empresas nipônicas pelo Brasil. No ano passado, o escritório brasileiro passou do 15º para o sexto lugar em volume de consultas, entre os 55 países onde a Jetro exerce atividade. E este ano a expectativa é de que o Brasil mantenha a sua classificação.

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