Indústria oscila, mas mantém avanço na produção em setembro

Após o ensaio de retomada do mês anterior, a produção industrial do Amazonas fechou na direção contrária da média nacional e perdeu força em setembro, embora se mantenha com números acima dos patamares do ano passado. A despeito da retração mensal, o desempenho anual colocou a indústria amazonense em primeiro lugar em todo o país. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta sexta (8).

Em relação a agosto, o ritmo da atividade industrial recuou 1,6% – contra a elevação de 7,8%, no levantamento anterior. No confronto com setembro de 2018, o resultado foi muito melhor: a alta de 16,7% foi bem superior à do mês anterior (+13%). A indústria amazonense também engatou seu segundo mês seguido no azul na variação acumulada de 2019, tendo avançado 2,5% – contra 1% em agosto. Em 12 meses, o incremento foi de 0,9%.

O recuo na variação mensal do confronto com agosto (-1,6%) situou o Estado bem abaixo da média nacional (+0,3%), levando-o à penúltima posição entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE, ficando à frente apenas do Pará (-8,3%). No sentido contrário, Bahia (+4,3%), Rio Grande do Sul (+2,9%) e Espírito Santo (+2,5%) encabeçaram a lista. 

O crescimento de 16,7% em relação a setembro de 2018 colocou a indústria do Amazonas no primeiro lugar do ranking mensal do IBGE. O Estado foi seguido por Paraná (+7,4%) e Rio de Janeiro (+7%). Os piores desempenhos ficaram no Espírito Santo (-14,1%), Pernambuco (-7,6%) e Pará (-2%). A média nacional foi de 1,1%.

O desempenho do acumulado ano colocou fez o Estado cair da sexta para a quarta posição do ranking nacional. Os melhores resultados nesse tipo de comparação – que pontuou retração de 1,4% para o Brasil – vieram novamente do Paraná (+6,7%), Rio Grande do Sul (+4,3%) e Santa Catarina (+3,4%). Os piores voltaram a ficar com Espirito Santo (-13%), Minas Gerais (-4,6%) e Mato Grosso (-4,2%).

Crescimento diversificado

Oito das 11 atividades da indústria local levantadas pelo IBGE tiveram bom desempenho na comparação com setembro de 2018. Os melhores resultados vieram de impressão e reprodução de gravações (+65,7%), máquinas e equipamentos (+48,8%), coque de derivados de petróleo e biocombustíveis (+37%), equipamentos de informática e eletrônicos (+15,6%), outros equipamentos de transportes (+14,5%). Os segmentos foram impulsionados pelas linhas de produção de DVDs e discos digitais, gás natural, condicionadores de ar, motocicletas, celulares, computadores e máquinas digitais.

Apenas três divisões amargaram desempenho negativo no período: produtos de metal (-8%), indústria extrativa (-4,9%) e máquinas aparelhos e materiais elétricos (-0,4%) Foram impactadas, respectivamente, pela menor fabricação de lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, óleo bruto de petróleo, conversores, alarmes, condutores e baterias. 

Segmento sazonal

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que os resultados apontam para um desempenho superior da indústria amazonense, quando comparado aos números de 2018, a despeito das oscilações ao longo de 2019. 

“A queda do setor na comparação com o mês anterior foi quase irrelevante, uma vez que tivemos um aumento de 7,8% diante do ano passado. Para que não houvesse esse pequeno recuo, a indústria teria que crescer a uma taxa acima dos 8%. Importante mesmo foi o crescimento na comparação com igual mês do ano anterior e o aumento do acumulado do ano. No caso da liderança do segmento de discos digitais, acredito que isso se deve a uma sazonalidade do segmento, que só deslancha sua produção para as vendas de fim de ano”, avaliou.

Atropelos e recuperação

O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, estranhou o decréscimo sazonal registrado pelo setor na passagem de agosto para setembro, embora arrisque dizer que a instabilidade política do período possa ter contribuído para o movimento em falso da manufatura.

O dirigente, que também preside o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, avalia que o recuo na atividade é um fato isolado e não inspira preocupação, já que setor abriu o leque e o número de segmentos industriais com produção em alta foi ampliado no mesmo período.

“Apesar dos atropelos, há segmentos com resultados muito bons há algum tempo, como o de duas rodas, e outros que começam a se recuperar, como eletroeletrônicos. Até o polo de concentrados teve números melhores, apesar dos problemas com alíquota. Estamos com mais investimentos programados para as próximas reuniões do CAS [Conselho de Administração da Suframa] e do Codam [Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas] e acredito que teremos um fim de ano muito positivo. Devemos passar dos R$ 100 bilhões e aumentar nosso faturamento em dólares”, concluiu.

 

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