Indignação e responsabilidade social

Há poucos meses, o noticiário policial provocou a indignação geral no país, ao relatar o crime de cinco universitários de classe média alta, que espancaram covardemente uma doméstica num ponto de ônibus do Rio de Janeiro. A indignação nacional subiu alguns graus, quando os jornais estamparam a “desculpa” dos jovens: eles investiram em grupo contra a mulher por achar que ela fosse uma prostituta. Enquanto os policiais executavam seu trabalho, investigando o caso e detendo os suspeitos, o pai de um deles reivindicou tratamento especial para os acusados, durante uma entrevista, invocando a situação de universitário do filho e colegas. Embora compreensível a dor desse pai, essa atitude não deixou de provocar reações contrárias na maior parte dos que tomaram conhecimento do protesto, por entenderem que o status de universitário seria agravante do crime e não atenuante da pena.

Passado o choque inicial, esse crime – como vários outros que os antecederam, envolvendo jovens que, aparentemente, não teriam motivos para cometer tais atos bárbaros, caso daqueles que incendiaram o índio Galdino, em Brasília, e de Suzana von Richthofen, para ficar nos mais recentes – provocou reflexão entre aqueles brasileiros mais sensatos, em especial, os que lidam com a questão jovem. Ao tentar deduzir que impulsos poderiam ter levado os cinco cariocas a investir contra uma empregada doméstica que, pacificamente, esperava seu ônibus, é impossível não esbarrar no comportamento leniente dos pais dessa nova geração. Pais que, a pretexto de dar aos filhos tudo aquilo que não tiveram ou então mais do que receberam de suas famílias, não estabelecem limites para os filhos e delegam toda a responsabilidade de sua educação à escola. Só que os jovens não são preparados, em suas casas, para a disciplina e a civilidade necessária ao aproveitamento integral do aprendizado escolar. Assim, não respeitam os professores (não sendo raros os casos em que são vítimas de agressão, não só pelos alunos como também pelos seus familiares), depredam os prédios, maltratam os colegas, intimidam os funcionários, usam e abusam da antiética cola, etc., etc.

Além disso, em especial nas classes mais favorecidas, o ensino é visto como mero produto de consumo, às vezes pago regiamente, para ser entregue ao aluno no sistema “o freguês sempre têm razão”, ou seja, de acordo com suas vontades, birras e maus hábitos, sempre com o apoio incondicional, quando não ausência, dos pais. Some-se a isso a falta de ocupação – “filhinho de papai” não deve trabalhar antes de conseguir um diploma de faculdade lá pelos 24/25 anos e, antes disso, deve trafegar em seu carro próprio, com dinheiro para gasolina, baladas, roupas de griffe e o que mais queira, inclusive drogas.

Voluntarioso, com bom tempo livre, despreocupado do rendimento escolar, muitos desses jovens acabam se ajustando perfeitamente ao velho dito popular “mentes ociosas, oficinas do diabo”. Podíamos, com mais propriedade, completar: “mãos ociosas e bolsos cheios”… Nos países de cultura do trabalho, em especial os Estados Unidos, alguns europeus e quase todos os asiáticos, boa parte desses jovens seria estimulada a dedicar parte de seu tempo livre (incluindo aqui as férias) a uma atividade produtiva, preferencialmente que lhe propiciasse uma renda (para mostrar que dinheiro não cai do céu) e desenvolvesse habilidades como disciplina, convivência em equipe, responsabilidade, noção de limites, entre outras.

No vácuo provocado pela ausência de valores familiares e pela impossibilidade da escola em arcar com a responsabilidade total pela educação de seus alunos, o estágio aparece como uma oportunidade para que o jovem, além de complementar com a vivência prática o seu aprendizado teórico, desenvolva habilidades e competências pessoais, que terão papel decisivo na sua formação integral. Com isso, eles se tornarão, num futuro não muito distante, cidadãos responsáveis, profissionais capacitados, pessoas aptas a contribuir para o progres

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