Greve ameaça produção nas fábricas

A greve dos servidores da Suframa ameaça a produção no PIM (Polo Industrial de Manaus). Sem alternativas, as empresas correm risco de parar 100% por falta de insumos. De acordo com o Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) os empresários não aceitam que a Indústria, a economia da região e, principalmente, os trabalhadores (industriários) sejam penalizados com a paralisação do serviço público realizado pela autarquia. Apoiados por lideranças, eles ainda afirmam que é preciso bom senso de todos para que o PIM não sofra maiores prejuízos. Hoje, o polo eletroeletrônico está em pico de produção para abastecer o mercado consumidor para a Copa do Mundo.
Segundo o presidente do Cieam, Wilson Périco, na prática não há o que fazer para minimizar o impacto negativo das indústrias diante da falta de componentes nas linhas de produção que adotaram o sistema Just in time de trabalho. “Na verdade, nós não temos muitas alternativas. O impacto é enorme para tudo. Pode afetar 100% do PIM”, alertou.
Périco salientou que a discussão não está pela legitimidade do pleito dos servidores da Suframa, pois esse foi um entendimento do Mdic, que encaminhou ao Ministério do Planejamento a solicitação de uma revisão na política salarial e no plano de carreia dos funcionários da autarquia.
“O que nós não podemos aceitar, e eu espero que não aconteça, é que essa paralisação venha a trazer riscos para quem não tem nada a ver com isso, muito pelo contrário, quem depende do serviço público, que são as Indústrias e, principalmente, os colaboradores dessas indústrias”, lamentou.
De acordo com a Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas) o Distrito Industrial está entravado com as constantes ameaças de paralisação às atividades fabris. “O que nós temos hoje é Porto (Chibatão) parando, funcionários da Suframa parando, os empresários com muita dificuldade de entrar no Distrito por causa da buraqueira que mais parece o Vietnã”, reclamou o presidente Cristóvão Marques Pinto.
Ainda segundo Marques, a indústria é a maior prejudicada com a paralisação dos serviços da Suframa. “Vai prejudicar muito a Indústria. Vai prejudicar a liberação de Guia de Cota e o desembaraço na liberação de carga. E, se a fábrica não trabalha, vai ter que mandar os trabalhadores para casa”, lembrou.
Segundo o CEO da Indústria Pamplásticos, Luiz Antonio Pastore, com os sucessivos problemas que aparecem no Distrito, prejudicam de forma irreversível o setor produtivo, que não consegue recuperar as horas paradas de produção.
“Hoje nós temos vários impedimentos de ordem trabalhista, – controle de hora extra, controle de jornada -que está bastante rigoroso. E quando acontece um imprevisto deste com uma greve, causa um distúrbio muito grande. Nossa produção trabalha 24 horas por dia, porque não é recomendado parar as nossas máquinas todo o dia. Se nós perdermos um dia, não dá para recuperar. Então, o impacto é direto na produção, no faturamento do polo todo e cria um tumulto enorme”, avaliou Pastore.
O presidente da Cieam acredita no bom senso dos governantes para chegar a uma decisão favorável ou caçar o pleito. Mas não admite que o direito dos trabalhadores seja cerceado. “Nós esperamos que haja bom senso por parte de todos, tanto do governo federal que aprecia a demanda dos servidores da Suframa e, também dos servidores da Suframa para que eles tenham um bom senso de não causar um impacto ainda maior para nossa região, para os trabalhadores do polo industrial”, disse.
Wilson Périco declarou muita preocupação com a duração da greve dos servidores, mas entende ser questões que devam ser avaliadas separadamente, para evitar que uma paralisação longa venha acontecer e afete em grande escala os trabalhadores do PIM, com a interrupção da produção industrial.
“Nós temos que dividir essa questão em algumas partes ao longo do tempo. Da nossa parte como entidade de classe, nós vamos sim estar juntos para aquilo que for direito de todos os trabalhadores, aquilo que for direito do Polo Industrial. Dentro dessa visão de direito que nós esperamos que o bom senso impere para que todos nós tenhamos direito de exercer nosso trabalho, a nossa atividade profissional do dia a dia sem impacto e sem riscos”, concluiu.

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