Governo e prefeitura descartam liberar negócios e serviços não essencias

O governador Wilson Lima, disse, nesta quinta (23) que, a despeito da escalada do Covid-19, o pico da epidemia no Amazonas só deve ocorrer a partir da primeira quinzena de maio. Mais assertivo, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, garante que, diante da escalada da curva de contágio, da insistência da população em fazer aglomerações, e da situação precária do sistema de saúde local, ainda não é o momento de reabrir os setores econômicos não essenciais.

Ambos participaram ontem de uma videoconferência realizada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados para acompanhar as ações de combate à propagação do novo coronavírus no país. O foco da reunião de ontem foi justamente o Amazonas, que concentra os piores números proporcionais de casos confirmados e mortes – 2.479 e 206, respectivamente, conforme a contagem de quarta (22).

Segundo o governador, a expectativa é que o pico atinja primeiramente a capital e em seguida as cidades do interior. Manaus registra hoje mais de 80% dos casos, mas a doença já avança em mais de 30 municípios do interior, que não dispõe de serviços de média e alta complexidade, além de sofrer o impacto das distâncias e isolamento dos centros urbanos. 

Wilson Lima afirmou que tem conversado com os prefeitos para intensificar as medidas de isolamento social e impedir o trânsito entre as cidades, em especial, nas próximas a comunidades indígenas. “Não tem outro caminho que não seja o isolamento social para que se possa quebrar a transmissão do vírus. Não tem vacina ou outro tratamento com eficiência comprovada. A gente está se preparando para esse momento e ainda tem um tempo em relação ao interior, de 10 a 15 dias”, afirmou.

O prefeito de Manaus, por sua vez, lamentou que uma parcela significativa dos manauenses não esteja seguindo o isolamento social e lembrou que a cidade vem registrando várias aglomerações em diversos pontos, como supermercados, bancos e lotéricas, entre outros. Segundo Virgílio Neto, diante da possibilidade de pico nos casos de coronavírus, o município ainda não tem condições de reabrir as atividades econômicas.

“A cidade parecia em festa no feriado e não falta decreto meu e do governador. Fazemos um esforço danado para conservar as pessoas em casa e essas aparições do presidente [Jair Bolsonaro] dizendo que não há perigo em ir para rua desmobilizam. Manaus não tem a menor condição de se abrir completamente para a atividade econômica, pois mais pessoas vão se contaminar, adoecer e procurar os hospitais, que já estão lotados”, desabafou.

Pedido de socorro

Wilson Lima ressaltou que cerca de 90% dos leitos de UTI (unidades de terapia intensiva) dedicados a pacientes com o vírus estão ocupados, e disse que o Estado precisa com urgência da ajuda do governo federal e da iniciativa privada para a compra de respiradores, EPIs (equipamentos de proteção individual), como máscaras, e também de profissionais de saúde para atender à população.

“O quadro aqui é muito delicado. O que tem acontecido e o que está por vir nos próximos dias nos acende um sinal de alerta muito forte. Daí [vem] a necessidade de termos ajuda federal e da iniciativa privada, todas as ajudas”, disse Lima. “Estamos aqui trabalhando no nosso limite e vamos ampliando as estruturas na medida em que vamos recebendo equipamentos, insumos”, acrescentou o governador. Lima ressaltou ainda que o estado também enfrenta problemas em razão de um surto da gripe H1N1 em decorrência do período de chuvas.

Em sintonia, Arthur Virgílio Neto disse que o município, que tem mais de 90% dos leitos de UTI disponibilizados para pacientes com o vírus ocupados, também precisa de equipamentos, pessoal especializado e EPIs para aumentar o atendimento. Segundo o prefeito, o governo sinalizou a entrega de equipamentos, mas outros aparelhos de uso essencial, como tomógrafos, não foram recebidos. Esses aparelhos poderiam ajudar no direcionamento dos casos considerados mais graves. 

“Enfatizei isso ao vice-presidente Hamilton Mourão, que esteve em Manaus, com a ideia de adaptarmos nossas Unidades Básicas de Saúde para fazer a triagem de pacientes. Precisamos de pressa, de uma rapidez comparada ao avanço desse vírus. A máquina burocrática do governo federal não aprendeu ainda a andar na mesma velocidade. Precisamos evitar uma procura demasiada em cima da rede que está exaurida, 96% e 100% são quase sinônimos”, arrematou.

A pauta foi realizada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados, destinada a acompanhar ações preventivas da vigilância sanitária e possíveis consequências para o Brasil quanto ao combate à pandemia, presidida pelo deputado federal Luiz Antônio Teixeira Jr (PP-RJ). 

Pela Prefeitura de Manaus, estiveram presentes também os secretários municipais de Saúde, Marcelo Magaldi, e da Mulher, Assistência Social e Cidadania, Conceição Sampaio, além do coordenador do hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, Ricardo Nicolau. O estafe do governo do Amazonas incluiu a secretária de Saúde, Simone Papaiz.

Fonte: Marco Dassori

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