Foco agora é para o 2º semestre

O fraco desempenho da economia brasileira no início deste ano foi um balde de água fria nas expectativas já pouco animadoras tanto do setor produtivo quanto do mercado, e até levou o próprio governo a abaixar o tom sobre a recuperação que, de forma mais forte, deve acontecer apenas no segundo semestre.
“O segundo semestre certamente terá um crescimento maior do que o primeiro… Podemos atingir no segundo semestre taxa (anualizada) de crescimento de 4 a 4,5 por cento”, disse a jornalistas o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com o quarto trimestre de 2011. Em relação ao mesmo período do ano passado, a expansão foi de 0,8 por cento.
O IBGE ainda revisou para baixo a expansão do PIB no quarto trimestre de 2011 sobre o terceiro, de 0,3 para 0,2 por cento, mas apesar disso manteve a expansão de todo o ano passado em 2,7 por cento.
“Foi praticamente uma estabilidade. Não dá para falar em crescimento com uma taxa de 0,2 por cento”, resumiu a economista do IBGE, Rebeca Palis.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falou em recuperação “gradual” e afirmou que a intensificação do ritmo da economia deve ocorrer “ao longo deste ano”, ressaltando que a demanda doméstica continua sendo o principal suporte da economia.
“O crescimento do PIB…confirma que a recuperação da atividade econômica tem sido bastante gradual.”, afirmou Tombini.
Já a presidente Dilma não comentou publicamente o resultado do PIB, que foi atingido em cheio sobretudo pela atual crise internacional. Nas contas do governo, a expansão da atividade deve ficar na casa de 3 por cento neste ano, bem abaixo das contas iniciais de 4,5 por cento.
Segundo um assessor de Dilma, a presidente também compartilha da ideia de que a economia estará crescendo na casa de 4 por cento na segunda metade do ano.

Setor agropecuário mais afetado

O mau resultado do trimestre passado, segundo o IBGE, veio do setor agropecuário -que caiu 7,3 por cento no trimestre passado por conta da estiagem nas regiões Sul e Nordeste- e também pelos investimentos.
A FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) -uma medida de investimento- recuou 1,8 por cento no trimestre passado, ante o quarto trimestre de 2011, a menor variação trimestral registrada desde o primeiro trimestre de 2009. A taxa de investimento em relação ao PIB ficou em 18,7 por cento, enquanto um ano antes ela estava em 19,5 por cento.
A equipe econômica tem mostrado preocupação com a taxa de investimento privado no país e, por isso, indica que vai continuar dando estímulos para garantir a recuperação econômica. O alvo tem sido o setor industrial, que continua patinando.
O setor produtivo, no entanto, ainda mostra muita preocupação e pede mais ação do governo. O presidente da Fenabrave, associação que representa as concessionárias de veículos, Flavio Meneghetti, disse esperar um crescimento PIB de apenas 2,5 por cento e que a recuperação venha mesmo só a partir do segundo semestre.

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