Falta de insumos freia produção de bicicletas no PIM

Produção de Bicicletas no PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou a produção de 63.908 unidades em agosto, mas a falta de componentes para a montagem dos produtos diminuiu o ritmo de produção. Para a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), panorama reflete cenário positivo nas vendas no mercado.

De acordo com o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, com o isolamento ocasionado pela pandemia da Covid-19, o aumento dos serviços de delivery cresceu aumento a procura dos transportes de duas rodas como ferramentas de trabalho e por estar vinculada à prática de exercícios fisicos.

O cenário de grande procura estimulou o aumento da produção nas fábrica e consequentemente gerou a falta de insumos nas montadoras.

“Com a pandemia da Covid-19, estamos vivendo um boom de vendas, já que o uso da bicicleta é um modo de evitar aglomerações, comuns no transporte público. Nesse cenário, mesmo trabalhando acima de sua capacidade, as fabricantes globais de peças não têm condições de atender à demanda das fabricantes brasileiras e de outros países”, disse. 

Segundo o economista Farid de Mendonça Junior,  com a situação criada pela pandemia e a desorganização do sistema produtivo mundial, as empresas terão que repensar as suas estratégias e suas operações. 

“Repensar a produção e, naturalmente, os pedidos aos fornecedores, ainda mais quando estes pedidos/insumos estão vindo de um lugar distante, do outro lado do mundo, como é o caso dos insumos vindos da China”, explica.

Para Farid, uma das saídas para solucionar o problema, é o aumento dos estoques dos insumos que estão em falta por um período de tempo maior nas fábricas. “Evidente que isso aumenta os custos, mas pode ser uma saída temporária para o problema”, destacou. 

O economistas reforçou, que o ideal para as empresas, bem como para o país, é que as companhias locais aprofundem a cadeia produtiva, fabricando seus próprios componentes/insumos na região. “Evidente que isso não é tarefa fácil, pois os países asiáticos, principalmente a China, fabricam com uma escala muito grande e com custos menores. Enfim, tempos de o governo rever suas prioridades e, principalmente, a carga tributária e o custo Brasil”, destacou.

De acordo com a Abraciclo, a quantidade produzida em agosto foi 4,3% superior a julho, que registrou 61.208 bicicletas. Apesar da escala crescente na produtividade e os números positivos, a quantidade representa uma queda de 45,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as montadoras fabricaram 116.525 unidades.

No acumulado de janeiro a agosto foram fabricadas 374.685 bicicletas. O volume representa uma queda de 36,8% em relação às 592.844 unidades que saíram das linhas de montagem no mesmo período de 2019.

O vice-presidente acredita que a normalização do abastecimento de peças deverá acontecer a partir de 2021, mas faz um alerta. “Esse processo será gradual, pois haverá necessidade de ajustar a capacidade de produção, o que requer um planejamento minucioso que não conseguimos fazer em poucos meses”, afirma. 

Resultado por categoria 

A Mountain Bike (MTB) foi a categoria mais produzida em agosto, com 31.509 bicicletas. O volume foi 21,8% superior ao registrado em julho do presente ano (25.874 unidades) e 28,1%.  Em relação ao mesmo período do ano passado os volumes foram menores com 43.827 unidades.

No acumulado do ano, a categoria mais produzida foi a MTB, com 208.690 unidades e 55,7% de participação. Em segundo lugar, ficou a Urbana/Lazer (124.659 unidades e 33,3% de participação), seguida pela Infantojuvenil (31.881 unidades e 8,5% de participação), Estrada (6.523 unidades e 1,7% de participação) e Elétrica (2.932 unidades e 0,8% de participação).

Distribuição por região 

Em agosto, a região Sudeste foi a que mais recebeu bicicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus. No total, foram destinadas 32.513 unidades, representando queda de 3,9% na comparação com julho (33.845 unidades) e também queda de 52,7% em relação a agosto do ano passado (68.688).

A região Nordeste veio na sequência, com 11.692 bicicletas, o que representa uma alta de 40,9% na comparação com julho (8.299 unidades). Na comparação com o mesmo mês do ano passado (15.032 unidades), houve queda de 22,2%.

Com 11.413 unidades recebidas, a região Sul ficou em terceiro lugar. O volume foi 1% em relação as 11.296 bicicletas registradas em julho e 52,4% inferior na comparação com agosto de 2019 (23.985 unidades).

Logo em seguida veio a região Centro-Oeste, com 4.360 bicicletas. O volume foi 7,7% superior ao registrado em julho do presente ano (4.049 unidades) e 6,7% menor na comparação com agosto do ano passado (4.675 unidades).

A região Norte  recebeu 3.930 unidades, o que corresponde a um aumento de 3,6% em relação a julho (3.794 bicicletas) e queda de 5,2% na comparação com agosto de 2019 (4.145 unidades).

A região Sudeste também liderou o ranking de distribuição do acumulado do ano, com 200.775 bicicletas recebidas, o que correspondeu a 53,6% do total distribuído. Na sequência, vieram as regiões Sul (67.545 unidades e 18% do volume total), Nordeste (58.469 unidades e 15,6%), Centro-Oeste (27.202 unidades e 7,3%) e Norte (20.694 unidades e 5,5%).

Importação e exportação 

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, em agosto foram importadas 7.705 bicicletas em todo território nacional. Na comparação com julho deste ano (2.635 unidades), houve aumento de 192,4%. Em relação ao mesmo mês do ano passado (6.889 unidades), houve alta de 11,8%.

O maior volume de bicicletas veio da China (4.731 unidades e 61,4% do total). O segundo e o terceiro lugares também foram de países do continente asiático. Pela ordem, vieram de Taiwan (1.954 unidades e 25,4% do total importado) e do Vietnã (971 unidades de 12,6%).

De janeiro a agosto, foram importadas 35.982 bicicletas, representando um recuo de 4,8% na comparação com o mesmo período do ano passado (37.793 unidades).

As posições no ranking do acumulado do ano foram mantidas. Em primeiro lugar, ficou a China com 26.233 bicicletas e 72,9% do volume total importado, seguida por Taiwan (5.431 unidades e 15,1% do total importado) e pelo Vietnã (1.764 unidades e 4,9%).

Os dados da Comex Stat mostram, que em agosto, foram exportadas, em todo o território nacional, 3.103 bicicletas, o que representa uma alta de 39,3% na comparação com julho do presente ano (2.277 unidades).  Em relação a agosto de 2019, quando foram embarcadas 95 unidades, houve alta de 3.166,3%. 

O principal destino foi o Paraguai, com 2.200 bicicletas e 70,9% do total exportado. Em segundo lugar ficou a Bolívia (670 unidades e 21,6% do total exportado), seguido pelos Estados Unidos (150 unidades e 4,8%).

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