Produção de arroz dobra no Amazonas

Em sua revisão de setembro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) confirma que a produção de arroz no Amazonas está vindo em dobro, desde julho neste ano. A estimativa é que sejam produzidas 5.400 toneladas, durante a safra amazonense de grãos de 2019/2020, que se encerra em junho de 2021. Houve um incremento de 100%, não apenas na produção, como também na área de plantio (2.400 hectares), embora a produtividade (2.239 kg/ha) tenha recuado 0,5%.  

Outra boa notícia é que as expectativas para a única safra amazonense de milho (28,4 mil toneladas) apontam para alta de 3,3%. Uma das principais apostas do setor rural do Estado, a soja deve repetir a safra anterior (5.300), mas a produção de feijão (2.600) deve ser 18,8% menor. Em linhas gerais, a projeção para a safra de grãos 2019/2020 do Amazonas ainda é de aumento de 7,8%, totalizando 41,7 mil toneladas –contra as 38,7 mil toneladas da safra 2018/2019. Os dados foram divulgados pela estatal, na semana passada.

Em sintonia com o volume de produção, a área de plantio total e seus ganhos de produtividade também permanecem os mesmos da previsão de julho. Em termos de extensão, houve incremento de 4,5% para as culturas, de 17,9 mil hectares (2018/2019) para 18,7 mil hectares (2019/2020). No caso da relação quilograma/hectare, o avanço aguardado segue sendo de 3,1% em relação ao intervalo anterior, de 2.162 kg/ha para 2.230 kg/ha.

Vale notar que, diferente do ocorrido no levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) –que considera a produção dos 12 meses do ano –, a sondagem da estatal federal leva em conta o calendário de safra, que começa em julho e termina em junho do ano seguinte. O que pode explicar possíveis discrepâncias entre um e outro.

Área e produtividade

A estimativa para a área de plantio total das culturas no Amazonas (18.700 hectares) é 4,5% maior do que a apresentada um ano antes. O mesmo índice de crescimento foi apontado para a soja, que passou a ser cultivada em 2.300 hectares. Arroz (+100%) e milho (+1,8%) seguem ganhando terreno, com 2.400 e 11,2 mil hectares reservados para as respectivas culturas. Em contrapartida, a manutenção nas apostas negativas para o feijão foi acompanhada pela confirmação do corte de 20% em suas áreas de plantio (2.800) em relação a 2018/2019 (3.500). 

O mesmo pode ser dito sobre a produtividade. No caso da soja, a razão quilograma hectare esperada para a safra 2019/2020 é de 2.300 kg/ha, entre uma revisão e outra, apontando para uma retração de 4,2% sobre 2018/2019 (2.400 kg/ha). Feijão (+2,3%) e milho (+1,4%) alcançaram índices positivos –com 921 kg/ha e 2.535 kg/ha, respectivamente. A produtividade do arroz (2.239 kg/ha) foi na direção contrária e caiu 0,5%.

A produção de arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. As culturas de milho do Amazonas se concentram principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus –em especial, Lábrea e Boca do Acre.

Inflação e competitividade

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a estimativa da Conab de expansão para o arroz no Estado mostra o “significativo crescimento” da área plantada dessa cultura, principalmente em Humaitá, além de indicar que os produtores rurais amazonenses estão investindo na atividade, a partir da perspectiva positiva da comercialização para o mercado consumidor local –e com potencial para reduzir a inflação.

“A estimativa de crescimento da cultura do milho confirma o que temos verificado pelo setor privado, a partir do incremento do plantio em municípios principalmente no Sul do Amazonas. E o aumento da produção de arroz é extremamente relevante para que nosso Estado possa reduzir a compra de alimentos de outras unidades federativas, o que encarece o custo de vida da população”, enfatizou.

No caso do milho, prossegue o presidente da Faea, é fundamental que a safra local aumente também, principalmente porque o produto é a base das rações animais para vários segmentos da atividade rural –a exemplo da avicultura e da piscicultura –, estas têm sua competitividade afetada diretamente pelo tamanho do custo do insumo. Muni Lourenço ressalta ainda que o Amazonas já dispõe de empresas locais ensacando milho e arroz, o que ajuda a reduzir os impactos inflacionários para o consumidor final.

“Escala pequena”

Na mesma linha, porém mais cético, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrucio Magalhães Júnior, concorda que os números da Conab traçam um panorama positivo para o desempenho da safra de grãos no Estado e confirma que a existência de empresas que beneficiem a produção para a ponta do consumo, mas ressalta que o empacotamento e comercialização ainda se dão em pequena escala.

“Os números positivos confirmados pela Conab em recente levantamento nos deixam animados quanto ao crescimento na produção de arroz e milho no Amazonas. Sabemos que é um recomeço, principalmente no Sul do Estado, e torcemos para que nunca mais tenhamos a paralisação que aconteceu no passado. Mas, a nossa produção de grãos ainda é pequena, portanto, sem potencial para refletir positivamente no preço final ao consumidor amazonense”, arrematou.

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