7 de maio de 2021

Falta de energia limita economia em Rio Preto da Eva

A interrupção no fornecimento de energia causa grandes prejuízos em Rio Preto da Eva, município que faz parte da área de abrangência da RMM (Região Metropolitana de Manaus). Empresários da indústria e do comércio reclamam que nos últimos 20 dias o problema vem se agravando na cidade.

Mas as irregularidades no sistema se arrastam desde 2005, quando o serviço era ainda operado por uma estatal. Ultimamente, os constantes apagões no município danificam equipamentos elétricos, eletrônicos, em residências e empresas na área urbana. E afeta ainda a zona rural, que tem uma atividade muito diversificada no setor primário da região.  

As indústrias e o comércio estão praticamente parados. Sem refrigeração, produtos perecíveis estão deteriorando em supermercados, frigoríficos e outros estabelecimentos, gerando insatisfação e protestos por parte da população.

Só os lojistas que possuem geradores próprios conseguem evitar que apenas parte dos produtos alimentícios se deteriorem. Os blecautes danificam aparelhos e viraram motivos para ações judiciais. Hoje, já são mais de duas dezenas de recursos contra a Amazonas Energia, que foi privatizada, pedindo ressarcimento dos prejuízos.

O empresário Paulo Renato Lopes, que fabrica a ração Confiança, diz que suas perdas diárias chegam a pelo menos R$ 200 mil. Diariamente, a unidade industrial chegava a produzir aproximadamente 50 toneladas de rações para peixes e pets, em geral. Mas é obrigada a suspender frequentemente suas atividades por falta de luz.

“A situação é, realmente, grave. Cada vez que o fornecimento é interrompido, temos que reiniciar todo o processo fabril, onerando ainda os custos das contas de energia”, afirma ele. “É muito difícil manter investimentos no Amazonas diante dessas condições tão precárias que desestimulam muitos empresários”, acrescenta.

O problema é que, a cada pico de energia, o contador que registra o consumo dos clientes dispara. “E a empresa não leva isso em consideração na hora de elaborar a fatura com a cobrança mensal”, questiona Renato Lopes. “Não quer saber se houve ou não apagões que oneram as despesas”, afirma. Ele avalia que o sistema ficou ainda pior em Rio Preto da Eva com a privatização do serviço.  

O prefeito do município, Anderson José de Souza (PP), disse que já esteve na Comissão de Energia da Assembleia Legislativa para tentar uma solução, mas até agora os problemas persistem, sem resposta. Por enquanto, nada sinaliza que virá uma intervenção favorável a curto prazo, conta ele.

“Mantivemos contato com o deputado estadual Sinésio Campos, que preside a comissão da Assembleia, e com a própria empresa. O parlamentar ficou de levar a demanda a Brasília”, afirmou. “Estamos aguardando. Rio Preto da Eva precisa de soluções urgentes”.

Sem manutenção

Segundo o prefeito Anderson Souza, os apagões constantes de energia em Rio Preto têm como causa a falta de manutenção dos dois sistemas que distribuem a energia no município, tanto na área urbana como na zona rural. E toda vez que cai uma árvore na estrada, o abastecimento é interrompido.

“A luz vai embora todo dia que chove, deixando a população da área urbana e da zona rural em situação caótica, afetando ainda as atividades industriais e comerciais do município”, diz o prefeito.

De acordo Anderson Souza, a cidade é abastecida pelos linhões da energia que vai de Manaus pela AM-010 (Manaus-Itacoatiara). E geradores instalados em locais estratégicos de Rio Preto da Eva abastecem as comunidades rurais.

Mas quando acontece uma chuva muito forte, que geralmente resulta em derrubada de árvores nas vias, acaba afetando simultaneamente os dois sistemas que abastecem o município.

Ele argumenta que faltam vontade e mais envolvimento da Amazonas Energia para corrigir as irregularidades operacionais. “O problema das constantes interrupções no fornecimento de energia em Rio Preto da Eva é só por falta de manutenção dos sistemas”, afirma o prefeito. “Basta querer solucionar, fazer os reparos”, acrescenta.

Anderson disse que já propôs uma parceria com a Amazonas Energia para fazer a manutenção dos sistemas, como a poda e retirada de árvores caídas na estrada. Segundo ele, o município não tem obrigação e nem recursos para fazer os serviços.

“A concessionária ainda não disse se aceita a nossa proposta. Ficou de avaliar.” afirma. “Essa parceria funcionou muito bem com o governo do Estado quando o sistema era estatal”, afirmou.

A Amazonas Energia informou que a substituição dos linhões na área do bairro Novo Israel, considerados muito antigos, sucateados, tem causado a interrupção do fornecimento de energia para Rio Preto da Eva. Os serviços devem durar pelo menos um ano. E até lá, a população do município deverá conviver com os blecautes seguidos, constantes, por questões operacionais.

Com 34 mil habitantes, Rio Preto da Eva começa no Km 55 da AM-010. Sua extensão vai até o Km 130 da margem direita da estrada e até o Km 147 da margem esquerda da via. Bem diversificada, a produção do setor primário do município é escoada principalmente para o mercado consumidor de Manaus.

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