Empregos nas MPEs foram mais atingidos no Amazonas

As micro e pequenas empresas de todo o país foram as que mais demitiram durante os meses de pico de pandemia, mas sua recuperação está vindo com mais força do que nas companhias de maior porte. No Amazonas, as MPEs responderam por 1.983 dos 5.693 empregos com carteira assinada criados localmente, uma fatia equivalente a 34,83%. No acumulado (2.199), apresentaram saldo 346,04% superior de postos de trabalho ao total registrado pelo Estado (493), no mesmo período.

As MPEs amazonenses também vêm experimentando recuperação acima da média nacional, nos últimos três meses. Em termos proporcionais, levando em conta o saldo para cada mil empregados, o Estado ficou na oitava posição do ranking nacional, em setembro (12,9), e em décimo, no acumulado (14,3). Roraima (22,18) e Pará (19,1) encabeçaram a lista, em ambos os casos. Os dados fazem parte de um estudo feito pelo Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa), a partir dos dados mensais do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

“Todos estão com saldo de empregos positivos, o que significa que, mesmo no contexto de pandemia, esses Estados criaram novos postos de trabalho em 2020. A média de novos postos de trabalho criados nesses estados é superior a um novo posto a cada 50 existentes no final de 2019”, assinalou o Sebrae, no texto da pesquisa.

Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que mais gerou empregos em setembro (+47,6 mil), seguido por Minas Gerais (+22,9 mil). No acumulado do ano, os maiores saldos negativos de empregos são o de São Paulo (-141,6 mil), Rio de Janeiro (-82,3 mil), Rio Grande do Sul (-54,8 mil) e Minas Gerais (-27 mil). Na outra ponta, Mato Grosso (18 mil) e Goiás (14,3 mil) e Pará (15,3 mil) ocuparam as primeiras posições.

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, salienta que, embora o saldo positivo do Amazonas seja pequeno no acumulado do ano, a situação é bem melhor do que a de outros Estados, que desempregaram mais que empregaram. “Quando olhamos o saldo de empregos no Brasil para esse período de janeiro a setembro, o total é de 558 mil negativo”, comparou.

Crise e recuperação

De março a junho, as micro e pequenas empresas brasileiras demitiram pouco mais de 1 milhão de trabalhadores, segundo a análise do Sebrae. No mesmo período, as MGE (médias e grandes empresas) encerraram 605 mil postos de trabalho. Entre julho e setembro, por outro lado, os pequenos negócios admitiram 445 mil pessoas, enquanto as de maior porte abriram 245 mil vagas. De janeiro a setembro, as micro e pequenas demitiram 294 mil pessoas, contra 333 mil demitidos nas companhias de maior estatura.

A análise feita pelo Sebrae mostra que, em julho, o saldo das micro e pequenas empresas foi 2.4 vezes maior que o das MGE. Já nos meses de agosto e setembro, os saldos das MPE foram 76% e 66% maiores que as médias e grandes, respectivamente. Considerando o acumulado do ano (incluindo os meses anteriores à chegada da Covid-19), os dados mostram que, entre demissões e contratações, as pequenas empresas tiveram um saldo melhor, com cerca de 40 mil demissões a menos que as MGE. No conjunto da economia, entre janeiro e setembro, o saldo foi negativo em 559 mil vagas.

Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, destacou que os números confirmam um comportamento histórico já observado a respeito dos pequenos negócios: a resiliência e a “enorme capacidade” de recuperação desse perfil de empreendedores. “As micro e pequenas empresas são o motor da economia. Para sairmos mais rapidamente da crise, será fundamental continuar apoiando esses empresários. Isso passa por uma série de medidas, desde o apoio para que as empresas consigam digitalizar suas vendas até a ampliação da oferta de crédito, que é um oxigênio vital para manter essas empresas operando”, declarou.

Comércio e serviços

Entre os setores econômicos, o comércio foi o setor em que as MPE mais se destacaram, na média brasileira, em setembro, respondendo pela geração de 58,4 mil empregos (30% do total gerados pelas MPE no mês), seguido pela indústria de transformação (57 mil e 29,2%). As MGEs, por outro lado, se destacaram na indústria de transformação, gerando 60,2 mil empregos (51,1% do total de empregos gerados pelas empresas de maior porte).

No acumulado de janeiro a setembro, no entanto, foram as MPE da construção civil que mais empregaram, registrando saldo de 111,7 mil novas vagas, enquanto as MPE que atuam na agropecuária foram responsáveis pela geração de quase 29 mil postos de trabalho. Foram os dois únicos setores em que as MPE registraram saldos positivos, no período, já que comércio (-247,7 mil) e serviços (-155 mil) ainda não se recuperaram da crise da covid-19 e seguem no vermelho.

“Apesar de a pesquisa nacional do Sebrae não mostrar recorte estadual por setores econômicos, sabemos que, no caso das micro e pequenas, comércio e o serviços são historicamente os maiores responsáveis pela geração de empregos”, lembrou Socorro Correa.

Diferencial de flexibilização 

Indagada pela reportagem do Jornal do Commercio se os números indicariam uma velocidade maior das micro e pequenas empresas do Estado, em relação ao tombo sofrido nos meses de pico da pandemia, a gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM observa que o Estado de São Paulo demorou mais que o Amazonas a retornar às atividades econômicas durante a pandemia. Para a executiva, o diferencial se deu pela maior flexibilidade do calendário local de retorno às atividades, em detrimento da transição paulista.

“A curva caiu mais rápido aqui, do que em São Paulo. Infelizmente, o prolongamento da quarentena como medida de controle à expansão da covid-19, tem impacto na economia e na manutenção e geração de empregos. Por isso, é importante que a população e os estabelecimentos empresariais adotem os protocolos sanitários, para que não ocorram novamente as medidas mais severas de isolamento social ou um eventual lockdown”, encerrou. 

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