Exportações no AM caem 10%

As exportações no Amazonas tiveram queda de 10,21% no período de janeiro a novembro deste ano. Nos 11 meses de 2014 as vendas foram de US$882 milhões, enquanto nos mesmos meses de 2013, esse número chegou a US$982,4 milhões. As informações foram divulgadas ontem pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Representantes industriais atribuem a redução das vendas à crise econômica mundial e principalmente à diminuição dos pedidos por parte da Argentina.

Para o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios), departamento que integra a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), José Marcelo Lima, a retração nas exportações reflete a crise econômica mundial. Ele explica que a Argentina, que é o maior parceiro econômico do Brasil e um importante comprador dos produtos fabricados na ZFM (Zona Franca de Manaus), reduziu significativamente o índice de compras no Brasil e consequentemente dificultou a entrada de produtos no país. “As exportações brasileiras caíram de um modo geral e no Amazonas não poderia ser diferente. Nosso maior mercado, a Argentina, reduziu as compras com o Brasil, especificamente com a indústria amazonense, além de dificultar as importações. Isso acontece em função da própria economia argentina”, comenta.

Lima afirma que poucos produtos locais são exportados. Compõem essa relação os seguintes itens: motocicletas, lâminas de barbear e concentrados para a produção de refrigerantes.
De acordo com o MDIC, os quatro principais países compradores de insumos brasileiros com suas respectivas diminuições nas compras do PIM são: Argentina, com queda de 11,35%; Venezuela, que teve redução de 8,5%; Colômbia, com a diminuição mais expressiva, de 34,08%; e Estados Unidos, com mínima de 7,98%. O México compõe a lista com um saldo positivo de 2,15%.

Segundo o gerente do CIN, a porcentagem elevada apresentada pela Colômbia é decorrente da diminuição nas compras de insumos utilizados na fabricação de refrigerantes. “Isso já acontece há três meses consecutivos”, comenta.

Lima acredita que novas discussões entre os países que integram o Mercosul (Mercado Comum do Sul), que são: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, possam mudar o cenário das exportações nacionais e consequentemente no Amazonas. Ele ainda adiantou que o CIN desenvolve estudos relacionados a novos mercados com o intuito de expandir as fronteiras comerciais. Países como Peru, Colômbia, Equador, Bolívia e Chile fazem parte desse projeto. “Esperamos que em 2015 haja uma remodelagem nos procedimentos quanto aos países do Mercosul, que estão em uma fase ruim. Também pretendemos abrir novos mercados com outros países, inclusive com os caribenhos”, informa.

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, considera que a redução nas exportações amazonenses podem ser justificadas pela falta de competitividade que atinge a indústria brasileira. Segundo ele, o Brasil tem capacidade para atender outros mercados mas deixa de ser competitivo por problemas estruturais, logísticos, relacionados a carga tributária, encargos trabalhistas, entre outros fatores. “Esses problemas tiram a nossa competitividade e afetam a condição de concorrência no mercado externo”, avalia.

Para Périco, a crise econômica deve afetar a indústria por pouco mais de 1 ano, período em que o governo federal deve elaborar propostas e meios de solucionar ou pelo menos amenizar os entraves. “Acredito que teremos pelo menos mais 1 ano e meio de dificuldades. O governo federal precisará fazer ajustes para equilibrar os gastos públicos que devem refletir na economia nacional”, disse.

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