Duas rodas espera melhorias

Depois de um ano com muitas notícias desfavoráveis para o segmento de motocicletas, que vai fechar 2014 com saldo negativo frente 2013, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), projeta alguns avanços para 2015. O presidente da entidade, Marcos Zaven Fermanian, anuncia estimativa otimista, que calcula um aumento de 2,0% na produção e 1,0% nas vendas no atacado e 2,1% no varejo. Por outro lado, antecipa que a tendência é que as exportações caiam 55,6%.

Na comparação mensal, a produção de novembro de 2014 registrou queda de 15,8% frente ao mês anterior. Saíram das fábricas 121.719 motocicletas contra 144.596 unidades no mês passado. No acumulado dos 11 meses deste ano, foram fabricadas 1.429.012 motocicletas, o que corresponde a uma queda de 10,2% em relação a igual período de 2013, com 1.592.073 unidades.

Os números do acumulado do ano das vendas no atacado (da montadora para as concessionárias) fecharam 11,3% abaixo do registrado em 2013. Foram 1.483.307 (2013) contra 1.316.391 (2014). Na comparação mensal, os resultados foram 7,2% menor, gerando um volume de 129.156 motocicletas comercializadas, em outubro, contra 119.808, no penúltimo mês do ano.

Números ainda mais baixos foram registrados nos índices de exportações. De acordo com dados da Abraciclo, o número de motocicletas comercializadas para outros países registrou entre outubro (7.107) e novembro (3.355) recuo de 52,8%. Já no acumulado, a queda foi de 16,3%, quando comparado a 2013. Foram 98.002 motos exportadas no ano passado contra 82.003, em 2014.

“Em 2015, não teremos os impactos negativos no varejo que tivemos em 2014, com a Copa do Mundo e eleições, e mesmo sendo um ano com expectativas de ajustes da economia brasileira, com a chegada da nova equipe econômica, o setor de Duas Rodas está confiante na retomada do mercado”, diz o representante da Abraciclo.

O diretor de relações institucionais da Honda, Paulo Takeuchi, acrescenta que novas medidas econômicas possam garantir a retomada de bens, que beneficia o mercado diretamente. “O primeiro semestre de 2015 não vai ser fácil, mas será o começo da busca pela estabilidade, que deve garantir um segundo semestre mais tranquilo e favorável aos negócios”, diz.

Em novembro, os emplacamentos de motocicletas atingiram 111.950 unidades contra 120.317 em outubro, recuando 7,0%. No acumulado, o volume foi de 1.301.981, em 2014 ante 1.374.988, em 2013, queda de 5,3%. A média diária de vendas de motocicletas em novembro foi de 5.598 unidades, frente a 5.231 em outubro. Mesmo com três dias úteis a mais no mês anterior, o resultado foi positivo.

Alta cilindrada cresce no Brasil

Seguindo o caminho inverso das motocicletas de baixa e média cilindrada, os modelos acima de 450 cm³ mantêm a tendência de alta, registrada por todo ano de 2014. Nos primeiros 11 meses do presente ano foram comercializadas para as concessionárias 49.050 motocicletas, contra 45.229, em 2013, um incremento de 8,4%. No mesmo período, foram produzidas 51.122 unidades, em 2014, frente a 45.778, no ano passado, o que corresponde a uma alta de 11,7%.

As vendas no varejo – para o consumidor final – seguiram no mesmo sentido, apresentando crescimento de 10,8%, com 51.208 motocicletas, em 2014, ante 46.233, em 2013. “O público alvo, neste caso, é diferente do padrão de mercado e, por isso, não sofre diretamente com o enfraquecimento da economia brasileira”, explica Fermanian.

Um novo rumo para o mercado de bikes

A necessidade de ‘reinventar’ a indústria de bicicletas levou a Abraciclo a encomendar a pesquisa “Uso da bicicleta no Brasil: qual o melhor modelo de incentivo?”. O trabalho – assinado pela Rosenberg Associados – deve ser entregue no primeiro semestre do próximo ano e mostrará como são as indústrias de bicicletas no Brasil e no exterior e a melhor forma de incentivar a utilização desse transporte. O mercado de bicicletas no Brasil vem recuando desde 2008, ano em que as vendas do setor atingiram 5,5 milhões de unidades.

Em 2014, porém, o País deve encerrar com 3,9 milhões de unidades vendidas. “As bicicletas vêm perdendo para as motos e os carros como meio de transporte, como ocorreu na Índia e na China”, descreve o vice-presidente da Abraciclo, Eduardo Musa. Em 1994, como transporte individual, as bicicletas vendidas representavam 80% do mercado brasileiro, enquanto os automóveis respondiam por 19% e as motos, 1%. Em 2013 a parcela dos carros saltou para 39% e a das motos para 16%, restando 45% para o transporte a pedal.

Outras dificuldades do setor se referem ao comércio exterior. Em 2005 o Brasil exportou 135,2 mil unidades, mas desde 2006 vem com volumes pouco expressivos. Em 2013 os embarques não chegaram a 6 mil unidades. As importações, contudo, voltam a crescer apesar da sobretaxação imposta em setembro em 2011. Naquele ano entraram no País 369,2 mil unidades, total que recuou para 327,6 mil em 2012 e para 241,4 mil em 2013, mas fechará 2014 com 244 mil unidades, segundo estimativa da Abraciclo.

Com a mudança de perfil dos consumidores, as bicicletas utilizadas como transporte básico (em regra feitas de aço, sem marchas e equipadas com bagageiro e para-lamas) perdem espaço ano a ano no Brasil. Em 2009 elas respondiam por 45% das vendas totais e fecharão 2014 com menos de 30% de participação.

Segundo a Abraciclo, esses modelos vêm sendo substituídos por outros com maior valor agregado pela utilização de alumínio, marchas (em regra 21) e adoção de freios a disco. São bicicletas usadas para lazer ou transporte urbano.

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