Erosão ameaça deixar fábricas isoladas

Prefeitura, Estado, Suframa e empresários divergem quanto à responsabilidade pela falta de manutenção na principal via de acesso ao Distrito Industrial 2 que ameaça paralisar a produção das empresas se a erosão continuar avançando no local.
Segundo a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) as empresas do Distrito Industrial 2 estão ameaçadas de ficar “ilhadas”, devido às péssimas condições de trafegabilidade da rua Palmeira do Miriti, que já está interditada, e da avenida dos Oitis, no bairro Grande Vitória, zona Leste de Manaus.
O presidente em exercício da Fieam, Américo Esteves, enviou carta ao prefeito Arthur Neto, em que relata o problema e pede providências, em caráter de urgência. A prefeitura informou através da Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação) que a via em questão é de responsabilidade do Estado; está, portanto, fora da jurisdição da prefeitura.
O governo do Estado, por intermédio da Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura), informou que a via não está contemplada no convênio firmado com a Suframa, que não prevê a recuperação das ruas do Distrito Industrial 2. Além disso, a Seinfra argumenta que o governo do Estado correria risco de ser penalizado pelo TCE-AM (Tribunal de Consta do Estado do Amazonas) se resolvesse, por iniciativa própria, recuperar as ruas do Distrito Industrial 2 com o mesmo recurso. Mesmo em situação emergencial.
O presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Cristovão Marques, reitera a reclamação unânime dos empresários sobre o problema do Distrito Industrial, que deixou de ser modelo de infraestrutura.
“Todos os empresários reclamam da condição de abandono do Distrito. Hoje é inviável levar alguém de fora para visitar porque não se consegue trafegar. Está muito difícil e, imagine agora com a Copa, fica inviável visitar o Distrito; e se chover, vai piorar a situação da erosão”, lamentou.
Cristovão Marques sugere que as autoridades tomem as devidas providências para solucionar de forma definitiva a questão das responsabilidades sobre as vias públicas localizadas no Distrito Industrial 1 e 2. “As autoridades tem que tomar as providências. É que uma hora diz que o culpado é a Suframa, outra hora diz que é a prefeitura, então ninguém sabe, na realidade de quem é a responsabilidade. Enquanto isso o Distrito fica abandonado”, desabafou.
Os impostos e taxas pagos pelas empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, segundo Marques, vão para a União e não voltam como recurso para manter a infraestrutura do Distrito Industrial. “As empresas pagam taxas para manter o Distrito, mas vai tudo para Brasília (DF) e não volta. É igual loteria esportiva que vai tudo pra Brasília e não volta nada”, reclamou.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias de Manaus e diretor da empresa Arcoma da Amazônia Indústria e Comércio, Agostinho Freitas Júnior, cobra obras de manutenção das vias. “Espero que a única via de acesso ao Distrito Industrial 2 que resta, a avenida dos Oitis, não seja a próxima a ser interditada”, disse o empresário.

Duas rodas

Segundo Agostinho Freitas Júnior, somente para setorizar o problema no Polo de Duas Rodas, empresas fornecedoras da Moto Honda e Yamaha, como a Musashi e Tecal, terão atividades prejudicadas pela interdição, se a avenida dos Oitis não for imediatamente recuperada. “As empresas vão parar de funcionar, causando prejuízos sem tamanhos para o PIM”, alerta o líder sindical.
Agostinho revelou que foi orientado por técnicos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) a acionar a Prefeitura de Manaus e Polícia Federal, pois todas as empresas localizadas naquela área pagam seus impostos, como IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e por se tratar de terras federais.
O fenômeno geológico da voçoroca assolou a principal via de acesso do Distrito Industrial 2. Mesmo diante do risco eminente de trafegabilidade segura no local, prefeitura, Estado e Suframa não chegaram a um consenso para dar solução ao problema. Entidades de classe retomam a antiga discussão para que os “donos da rua” se apresentem e resolvam a situação que está fora de controle e pode prejudicar de forma irreversível a produção das empresas instaladas no Distrito Industrial 2, zona Leste de Manaus, concluiu a Aficam.
A voçoroca ou barranco é um fenômeno geológico que consiste na formação de grandes buracos de erosão, causados pela água da chuva e intempéries, em solos onde a vegetação é escassa e não protege mais o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas, segundo a Ageitec (Agência Embrapa de Informação Tecnológica).

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