Entidades comemoram a volta do comércio do Amazonas

As entidades de classe representativas do comércio do Amazonas são unânimes em comemorar o aguardado retorno gradual do atendimento presencial nos segmentos de bens não essenciais, em Manaus. Parte dos estabelecimentos volta a receber clientes, a partir desta segunda (1º), depois de amargar 70 dias de portas fechadas e contas chegando. Os outros, terão de aguardar os próximos ciclos, previstos para 15 de junho, 29 de junho e 6 de julho.  

O varejo, contudo, não está certo de como se dará a resposta da clientela, dado o medo de boa parcela do público de se contagiar pela doença, e os sinais de depressão econômica, que já se materializam pela escalada do desemprego e potencial freio na demanda. As lideranças aguardam também para ver como se dará, na prática do dia a dia das empresas, a implementação das medidas estabelecidas pelo comitê de crise – e os potenciais problemas que podem surgir no caminho.

Os segmentos que voltam a abrir no ciclo de retomada que se inicia nesta segunda (1º) incluem lojas de vestuário e calçados, concessionárias de veículos, óticas e floriculturas, entre outros. O plano estabelece regras e protocolos padrão para as lojas funcionarem, a partir da próxima semana, incluindo distanciamento, higiene pessoal, sanitização de ambientes, comunicação e monitoramento.

Cada etapa de reabertura vai durar 14 dias e o avanço para cada uma depende da curva de casos do Covid-19 na capital. O Executivo estadual frisou que a situação será acompanhada de perto pelas autoridades, e que pode ser revertida, na hipótese de um repique dos números locais da pandemia. O consenso dos lojistas, no entanto, é que tudo vai depender da consciência e do comportamento do público. 

“Novo normal”

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, destaca que o retorno é importante, pois permite que a economia volte a girar. O dirigente lembra que, embora o horário seja livre, as empresas terão de cuidar de suas instalações, higienizando periodicamente os pisos do estabelecimento, fornecendo EPIs para seus funcionários (mascaras e luvas), dispondo álcool em gel e locais para que o consumidor possa lavar as mãos, e resguardando distância entre os clientes nos salões de venda.

“Eu diria que tem tudo para dar certo, mas vai depender de que todos sigam as normas. É um novo normal, em que as lojas vão trabalhar com todos esses cuidados e o fluxo de pessoas tem que ser controlado. O operador de caixa terá que usar luvas, porque o dinheiro é um transmissor em potencial desse vírus. É obvio que não se pode ter expectativa de que essa retomada vai ter um movimento como o de antes. As pessoas estão circulando menos e a demanda também deve ser menor. Vamos ter que nos adaptar”, analisou.

Controle de temperatura

Na mesma linha, o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, também diz que o simples fato de que o comércio possa voltar a abrir suas portas é uma injeção de ânimo para os empresários de um setor em que “as demissões estavam em alta”, além de contribuir para mobilizar a economia local. 

Indagado sobre como as empresas lidarão com um cenário em que as exigências e os custos sinaliza ser maiores, e a demanda e o fluxo menores, o dirigente explica que o fato de alguns custos fixos terem sido minimizados no período devem reduzir a pressão sobre as contas das empresas e salienta que está otimista em relação à retomada. Assayg aponta, no entanto, que pelo menos uma medida que terá dificuldade para ser posta em prática.

“Muitos ainda não se conformam em não poder abrir as portas na próxima semana, mas a sinalização é de que a hora de todos vai chegar, e isso é positivo. É claro que vamos ter de contar com a consciência da população para que todos usem máscara, mantenham distância e tudo dê certo. Os órgãos não tem como fiscalizar todos os estabelecimentos ao mesmo tempo. A dificuldade que vejo é a dos estabelecimentos controlarem a temperatura dos clientes, pois não há termômetros digitais instantâneos para todas as lojas”, avaliou.  

Danos morais

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas), Aderson Frota, destaca que o comitê de crise foi muito útil para ajudar o setor a atravessar dias difíceis e elogiou a sensibilidade do governador em ouvir as dificuldades dos empresários, permitindo que fosse possível encontrar um ponto de equilíbrio entre os cuidados necessários para evitar o contágio e o processo de reabilitação da economia. 

“Chegamos a um entendimento que permitiu a reabertura, depois de um período em que 69% das empresas estavam completamente paradas, sem atender nem por delivery. A medida é positiva, pois vamos evitar que o desemprego, que já cortou 14% da mão de obra, pare de crescer. Teremos todos os cuidados e daremos todas as orientações. Mas é preciso dizer que dependemos também do comportamento do cidadão, pois não podemos constranger ninguém e correr o risco de processos por danos morais”, ponderou. 

Defesa por decreto

Embora considere que a implementação das medidas seja um aprendizado do dia a dia para os estabelecimentos, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, é mais assertivo em relação à pratica das mesmas e diz que a melhor estratégia para as empresas é proteger seus funcionários. O dirigente, entretanto, concorda que a resposta dos consumidores à reabertura do comércio pode não atender às expectativas dos lojistas, em um primeiro momento.

“Temos que ver como isso vai se dar na prática. Vai depender do bom senso de cada um. Mas, é certo que, se alguém quiser entrar sem máscara, por exemplo, será orientado a usar a proteção ou sair do local, pois estará oferecendo risco a todos. E o decreto, assim que sair, será nossa melhor defesa nesses casos. É claro que o movimento ainda é uma incógnita. Nas cidades brasileiras onde o comércio já começou a voltar, a resposta ainda é tímida. Tudo pode acontecer, vamos aguardar”, finalizou.

Fonte: Marco Dassori

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