Setor de construção civil encolhe novamente no Amazonas

Em dez anos, a indústria da construção civil do Amazonas se fragmentou e perdeu participação na região Norte. Embora o número de empresas tenha aumentado, o contingente de empregados e o valor de incorporações e obras foi na direção contrária e encolheu, entre 2009 e 2018. Nesse último quesito, os valores contabilizados fizeram o Estado perder terreno para o Pará. 

Os dados estão na PAIC (Pesquisa Anual da Indústria da Construção), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Vale notar que, tanto em termos de resultados, quanto em número de trabalhadores, as trajetórias do Estado e do país se mostraram em ritmo ascendente entre 2009 e 2014. O refluxo só veio depois de 2015, em paralelo com a crise deflagrada no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, culminando nos valores assinalados pela ressaca econômica pós-impeachment.

No Amazonas, em 2009, as 431 empresas com cinco pessoas ou mais ocupavam 24.831 trabalhadores. Em 2018, a quantidade de empresas subiu para 476 empresas, mas o contingente laboral já havia sido reduzido para 18.532 pessoas, configurando uma retração de 25,4% em dez anos. O número de trabalhadores empregados pela construção civil amazonense em 2018 respondia por 1,1% do total contabilizado pelo setor em todo o país. 

O Estado se situou na 19ª posição no ranking das 27 unidades federativas com os maiores números proporcionais. Os melhores números ficaram em São Paulo (26,7%), Minas Gerais (11,6%) e Rio de Janeiro (7,8%). Na outra ponta, Amapá (0,2%), Acre (0,2%) e Roraima (0,2%) ficaram no rodapé da lista.

O levantamento aponta ainda que o valor de incorporação, obras e/ou serviços da construção civil amazonense totalizou R$ 3,12 bilhões (2018) contra R$ 3,45 bilhões (2009). A retração de 9,5% entre um período e outro representou queda proporcional nos números relativos do Estado, que passaram de 24,7% (2009) para 19,9% (2018). Em paralelo, o Pará subiu de 34,9% para 51,4% e tomou o primeiro lugar.  

Em comparação com outras unidades da federação, o resultado de 2018 situou o Estado em 17º lugar em termos de valores de incorporação, obras e/ou serviços da construção, com fatia de 1,2% no montante nacional registrado no período. As unidades federativas com os maiores valores de participação foram São Paulo (29,6%), Minas Gerais (9,7%) e Rio de Janeiro (8,2%). Os menores números ficaram no Amapá (0,2%), Acre (0,2%) e Roraima (0,3%).

Norte em queda

O retrocesso experimentado pelo Amazonas ganha maior dimensão quando se leva em conta que a participação relativa da região Norte no bolo da atividade em todo o país também andou para trás, em uma década. E isso ocorreu tanto em resultados, quanto em trabalhadores. Embora o valor em incorporações, obras e/ou serviços da construção tenha avançado de R$ 13,94 bilhões (2009) para R$ 15,70 bilhões (2018), sua parcela em todo o país encolheu de 7,4% (2009) para 6,2% (2018). 

No caso do número de pessoas ocupadas no setor, a retração da região Norte se deu tanto em números relativos quanto em absolutos, na comparação de 2009 (134.788 e 6,8%) com 2018 (104.789 e 6,2%). O setor englobava, há dois anos, 2.412 empresas com cinco pessoas ou mais, ocupando 104.789 pessoas. O gasto com salários, retiradas e outras remunerações totalizou R$ 3,07 bilhões no ano. 

Sem reinvestimento

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salienta que a comparação de 2009 com 2018 aponta que o único dado em que a indústria da construção amazonense apresentou melhora foi o aumento da quantidade de empresas. No mais, prossegue o pesquisado, os dados mostram que o desempenho caiu significativamente, chegando ao ponto de perder representatividade até mesmo regionalmente. 

“É um reflexo da situação econômica dos últimos anos, que não incentivou investimentos. A queda no desempenho das grandes companhias do ramo promoveu a criação de pequenas empresas, fruto de empresários que estão buscando atuar em menor proporção dentro do mercado. Os dados apontam para uma tendência, porque temos uma amostra comparada de dez anos, e o mercado não mostra sinais de reinvestimento para crescer. Nem o privado, nem o governamental”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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