Encontro ao som de violões no Amazonas

A pandemia conseguiu apenas adiar a realização do 3º Encontro Violão das Águas, que estava marcado para agosto, mas as apresentações vão acontecer ainda este ano. É o que garante o violonista Robert Ruan de Oliveira Barbosa, idealizador do evento.

“Nossa série de concertos está agendada para o mês de outubro, contudo em dias ainda não definidos. Esperamos que este cenário de pandemia passe logo para que prossigamos com nossas atividades normais e possamos definir uma data certa para a sua realização”, explicou Robert.

A idéia de organizar um evento somente com violões surgiu depois que Robert conversou com seu amigo, também violonista Wagner Tiburtino, e concluíram que Manaus carecia de um acontecimento que explorasse mais o violão em sua capacidade instrumental.

“Daí nos demos conta de que poderíamos fazer apresentações e mostrar ao público toda essa exuberância do violão”, disse.

O primeiro Encontro aconteceu em 2017, com Robert e Wagner realizando uma série de apresentações em quatro locais da cidade: na livraria Saraiva, no Manauara Shopping; no Caua (Centro de Artes da Ufam); na Esat/UEA (Escola Superior de Artes e Turismo); e, finalizando, na Academia Amazonense de Letras com a participação do violonista Robert Rithieri no lugar de Wagner, que estava participando de um concurso de violão em São Paulo.

“Neste primeiro Encontro pudemos mostrar o violão para vários públicos: o leigo, aqueles que gostam do instrumento, os estudantes de música e aqueles que gostam da música”, contou.

Violão acima de tudo

A segunda edição do Encontro Violão das Águas aconteceu em grande estilo, no Teatro Amazonas, em 2019, em um único espetáculo, ainda com a participação de Robert e Wagner, porém com a presença do violonista Glauber Rocha, de São Paulo, que na ocasião acabara de vir de uma série de concertos no Japão. Nesse Encontro, Robert Ruan realizou o lançamento do seu primeiro CD, ‘Quintal’ e tocou músicas deste trabalho. Quem quiser ouvir ‘Quintal’ na íntegra, as músicas estão disponíveis nas plataformas digitais.

Nesta edição do evento, Wagner tocou um repertório tradicional espanhol e Glauber Rocha executou obras que iam de Fernando Sor a Eduardo López-Chavarri. A noite foi encerrada com a apresentação dos três violonistas tocando a música ‘Sons de Carrilhões’, de João Pernambuco, um clássico do violão brasileiro.

“Nosso intuito com a realização dos Encontros é mostrar ao público a grande variedade de repertórios que podemos contemplar com nosso instrumento, além de enfatizar que essa diferença entre violão popular e violão erudito, como costumamos rotular, é meramente vaga. O violão vai muito além disso. Ele é acima de tudo violão”, afirmou.

“O grande maestro brasileiro Radamés Gnattali que, diga-se de passagem, era pianista, mas compôs verdadeiras obras primas para o violão, foi um exemplo disso. Sua música na época era questionada se seria classificada como popular ou erudita, uma vez que abraçava todos esses aspectos, foi daí que conseguimos pensar que ao invés de intitularmos como música clássica ou popular poderíamos classificar simplesmente como música para violão”, ensinou.

Em breve, mulheres

Outro objetivo que Robert está conseguindo com a realização dos Encontros é o surgimento de pessoas interessadas em aprender a tocar o instrumento.

“O público tem comparecido significativamente em nossos shows e tem nos dado um ótimo feedback tanto após os espetáculos quanto em nossas redes sociais. Estamos conseguindo mostrar a variedade de repertório para violão, seja ele brasileiro, latino, ou clássico como costumamos chamar”, disse.

“Fazer o público se interessar em tocar o violão é secundário, mas sempre após os concertos somos procurados por aqueles que querem estudar e conhecer mais sobre o violão. Certa vez ouvimos, ao final de um concerto, uma pessoa comentando que nunca tinha ouvido algo parecido ou nem imaginava que tais músicas pudessem ser tocadas no violão. Isso nos deixa muito felizes e mostra que nosso objetivo tem sido alcançado a cada apresentação”, comemorou.

Esta terceira edição do Violão das Águas, que acontecerá no Casarão de Ideias, reunirá quatro campeões do ‘Concurso de Violão Domingos Lima’, promovido pela Secretaria de Cultura do Amazonas: Raphael Moraes e Benjamin Prestes, além de Robert e Wagner.

“E em breve teremos mulheres no Encontro. A presença feminina no violão tem sido cada vez mais constante e vem aumentando gradativamente nas graduações em música nas universidades, contudo há ainda uma barreira que de certa forma acaba impedindo a jovem instrumentista a escolher o violão como instrumento de carreira. Aconselhadas por familiares, elas optam por instrumentos de tecla, arco ou sopro. Felizmente hoje temos violonistas mulheres no cenário local e nas próximas edições elas estarão presentes nos palcos”, adiantou.

A novidade deste ano serão os workshops e as palestras, uma forma de alcançar as pessoas que tenham interesse pelo instrumento. Serão abordados temas que vão de conceitos mais técnicos e teóricos a abordagens históricas e sociais sobre o violão e compositores, além de conversas sobre o instrumento no cenário manauara.

Fonte: Evaldo Ferreira

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