Manaus centraliza consumo no Amazonas, revela Pesquisa Regic

O Amazonas é a unidade federativa brasileira com maior média de deslocamentos necessários do consumidor para comprar vestuário e calçados (342 km), ou eletrônicos e móveis (388 km). Isso se deve ao fato de Manaus ser a fonte de produtos para 43 municípios amazonenses – além dos residentes em Boa Vista e cidades do interior do Pará. Amazonenses que residem em localidades mais distantes da capital, contudo, a Estados vizinhos para fazer o mesmo. 

Para se ter uma ideia, as distâncias médias percorridas no Amazonas para a compra de eletroeletrônicos e móveis são duas vezes maiores do que as registradas pelo segundo lugar do ranking, Mato Grosso (181 km).  Os dados são da Pesquisa Regic (Regiões de Influência das Cidades) 2018, do IBGE, trabalho que identifica os polos comerciais para os itens citados, e cujos dados foram antecipados, em função da crise do Covid-19.

“As informações podem ser relevantes para diagnósticos mais detalhados sobre os impactos da pandemia nas redes de comércio, distribuição e abastecimento. E, eventualmente, para a elaboração de políticas públicas específicas com soluções para a crise, direcionadas às cidades com problemas ou muito impactadas pela redução das atividades comerciais, visto que o isolamento social desencadeou mudanças no padrão geográfico de consumo”, assinalou o IBGE-AM, no texto da pesquisa.

Enquanto em Manaus e Belém (PA), as distâncias a serem percorridas para aquisição de vestuário e calçados, em média, superaram os 160 km, os deslocamentos no Sudeste e na maioria do Sul e Nordeste ficaram entre 50 km e 75 km. A menor distância foi registrada em Santa Catarina (36 km), com abundância de capitais regionais, centros sub-regionais e centros de zona. A capital amazonense ocupou a 20ª posição entre as cidades mais atrativas especificamente para a aquisição de vestuário e calçados no Brasil, enquanto Goiânia (GO) liderou o ranking.

No caso dos eletroeletrônicos e móveis, a distância maior percorrida pelos consumidores amazonenses se deve ao fato de haver poucas cidades de “níveis hierárquicos intermediários” que poderiam atender à demanda do Estado, mas também em virtude da atração exercida pela Zona Franca de Manaus e seu polo industrial e comercial de eletroeletrônicos. 

Compras interestaduais 

Os fluxos de busca de comércio refletem, segundo o IBGE as áreas de influência de uma cidade sobre a outra, mas o órgão destaca que o padrão de atratividade pode transpor as fronteiras do Estado. Sete Cidades do oeste paraense, além de Boa Vista (RR), também indicaram Manaus como destino para compra de eletroeletrônicos e móveis. Roraima, Amapá e Amazonas, conforme o Instituto, recorrem quase inteiramente a um ou dois centros de referência para comércio em ambos os quesitos considerados na pesquisa.

Embora a maioria dos amazonenses do interior recorra a Manaus, o varejo de cidades vizinhas, como Santo Antônio do Iça, Manacapuru, Tabatinga, Maués, Parintins, Itacoatiara e Tefé, também é procurado. O mesmo se dá em cidades de Estados vizinhos: Apuí e Humaitá preferem comprar em Porto Velho (RO), enquanto Boca do Acre, Envira e Pauini vão à Rio Branco (AC). Já Guajará e Ipixuna recorrem ao varejo de Cruzeiro do Sul (AC). E há outros municípios amazonenses que atraem consumidores de cidades vizinhas, a exemplo de Tabatinga, Manacapuru, Boca do Acre e Itacoatiara.

Custo e benefício

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM salientou ao Jornal do Commercio que a principal diferença do Amazonas em relação aos outros Estados da federação no âmbito da pesquisa é a distância que o consumidor local é forçado a percorrer para adquirir bens semiduráveis e duráveis no varejo da capital amazonense – a exemplo de calçados e itens de vestuário, eletrônicos e informática. O pesquisador ressalva que, apesar de a diversidade de produtos ser atraente, a relação custo/benefício pode ser desvantajosa. 

“Dadas a quase ausência de outros centros de compra no interior, os consumidores desses municípios deslocam-se por distâncias que correspondem ao triplo da média nacional. Na região, o potencial de atração de Manaus em relação aos outros centros de compras é infinitamente maior. Por isso, até mesmo os habitantes de outras grandes cidades do interior vêm comprar na capital. Por outro lado, essa escolha onera consideravelmente o custo final da mercadoria”, finalizou.

Fonte: Marco Dassori

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