Dívidas crescem durante o isolamento social

Brasileiro já se endivida naturalmente, mas o período de isolamento social, associado à preocupações com o futuro incerto, fez com que muita gente perdesse totalmente o controle dos gastos e agora, com o afrouxamento do isolamento, as dívidas começam a aparecer. 

Pesquisa divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), mostrou que o endividamento e o índice de inadimplência entre as famílias brasileiras atingiram, em agosto, o maior patamar em mais de dez anos. O percentual de famílias com dívidas no país subiu para 67,5% no mês passado, novo recorde histórico da série iniciada em janeiro de 2010, superando a máxima anterior registrada em julho (67,4%). No comparativo anual, o índice registrou aumento de 2,7 pontos percentuais.

O Jornal do Commercio ouviu a Dra. Cilene Ribeiro Cardoso, professora de Economia da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo. Além de explicar o porquê do endividamento, a professora deu algumas dicas do que fazer para não se endividar no futuro.

Se a maioria das pessoas ficou no mínimo três meses em isolamento social, por que houve aumento de gastos, quando deveria ter redução devido à quase imobilidade das famílias?

“Devemos ponderar que esse endividamento representa obrigações assumidas pelos consumidores antes da pandemia do coronavírus. Em média, o comprometimento das famílias com dívidas financeiras (que incidem juros) passou de um patamar de 33% para 45% sobre sua renda disponível, ou seja, em situações de crise, onde enfrentamos um cenário de aumento do desemprego, resultando no aumento da informalidade e o impacto da majoração de preços sobre os bens de consumo, tende a comprometer a renda real das famílias brasileiras, que não cresce à mesma velocidade da inflação (perda do poder de compra)”, explicou.

“Destacamos, principalmente aquelas famílias que ganham entre um e dois salários mínimos. Segundo a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2017/2018, das despesas totais destes consumidores, 92,6% referem-se às despesas de consumo, com destaque para habitação (aluguéis), alimentação e transporte”, esclareceu.

Momento de renegociar

O brasileiro de fato não tem uma gestão de suas finanças pessoais e isso colabora para o constante endividamento. Pelo seu próprio histórico, em conviver com uma ‘demanda reprimida’, ainda tem dificuldades de elaborar seu próprio planejamento financeiro, gerir suas finanças e tomar decisões de investimentos.

“Ainda há um longo caminho em promovermos e disseminarmos a educação financeira em nosso país”, previu Cilene que considera nunca ser tarde para aprender a controlar os gastos, porém, se as dívidas já estão aí, a solução é seguir algumas das soluções apresentadas por ela.

“Aproveitando o ensejo da queda da taxa básica de juros da economia brasileira (Taxa Selic 2,00%) esse é um importante momento para realizar as renegociações de dívidas junto às instituições financeiras. Adicionalmente, mais importante ainda é não assumir novas dívidas, dado o cenário de incertezas da atividade econômica brasileira futura. Vale a pesquisa de preços e pagamentos à vista”, ensinou.

Parcelar dívidas, nem pensar. O parcelamento, neste momento, não é o melhor caminho. “O acúmulo de parcelas, tende no curto prazo (média em 90 dias) incorrer em inadimplência e os consumidores acabam utilizando o crédito rotativo. Mesmo com a redução dos juros, a taxa do cartão de crédito ainda gira em torno de 200% a 300% ao ano”, avisou.

Dicas importantes 

A seguir, a professora Cilene listou algumas dicas de como ter uma vida financeira saudável em tempos de crise:

1. Como regra geral devemos sempre saber onde direcionamos a nossa renda. Anote todas as suas despesas. Não se incomode com os valores que forem surgindo. Permaneça determinado e reconheça para onde seu dinheiro está indo;

2. Elabore uma lista de compras e reflita sobre suas reais necessidades, evitando ‘armadilhas de consumismo’;

3. Crie a rotina de pesquisar e comparar preços. Desde a implementação do Plano Real, em 1994, percebemos que o hábito de pesquisar preços como tínhamos no período da década de 1980, cenário de hiperinflação, acabou se perdendo, em função das facilidades de parcelamentos no cartão de crédito, como também a utilização de cartões de lojas próprias (Private Label) para pagamentos de compras à prazo. Isso nos traz a ideia de ‘falsa renda’;

4. Evite assumir novas dívidas. Se possível, prefira pagamentos a vista, com intuito de pleitear por um bom desconto. No limite, evite comprometer mais do que 20% de sua renda com prestações;

5. Crie o hábito de realizar um planejamento financeiro, em família e, estabelecer mudanças no dia a dia, como reduzir as idas ao supermercado, investir qualquer dinheiro extra que receber e, assim, passar a ter uma reserva financeira.

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