Deputados e vereadores atacam prefeitura

Parlamentares criticaram ontem o posicionamento da prefeitura de Manaus diante dos impasses relacionados ao sistema de transporte público

Os problemas no setor de transporte coletivo de Manaus parecem estar longe de acabar. Uma nota divulgada pela prefeitura de Manaus e publicada ontem (19), pelos jornais da cidade, por meio da qual o Executivo se isenta de culpa na confusão causada pelo aumento da passagem de ônibus, de R$ 2,25 para R$ 2,75 (ônibus coletivo) e de R$ 3 para R$ 5,50 (Executivo), causou nova polêmica entre os parlamentares do Estado.
Tanto na ALEAM (Assembleia Legislativa do Amazonas) quanto na CMM (Câmara Municipal de Manaus o assunto foi repercutido, causando ainda mais desgaste entre a bancada de oposição e os aliados do prefeito Amazonino Mendes.
Na ALE, parlamentares saíram em defesa do governo do Amazonas, criticado pela prefeitura na nota oficial. O líder da maioria, Marco Antônio Chico Preto (PSD/AM), reafirmou o compromisso do governo de buscar uma solução para o problema do transporte coletivo e lembrou que a prefeitura de Manaus não pode jogar a culpa da má gestão do sistema para a administração estadual.
O parlamentar apontou, ainda, a necessidade de se promover uma discussão mais ampla sobre os problemas de gestão registrados no sistema de transporte coletivo da cidade, porque a prefeitura de Manaus, segundo ele, demonstra ter perdido o controle da situação e tal fato tem afetado a qualidade do serviço e prejudicado diariamente milhares de pessoas.
Chico Preto deixou claro que não concorda com a nota divulgada pela prefeitura de Manaus e publicada na quarta-feira, 19, pelos jornais da cidade, informando, nas entrelinhas, que o Governo do Estado estaria silencioso sobre o assunto.
“Não concordo com a nota, porque a responsabilidade de gerir o transporte coletivo é da prefeitura de Manaus. Logo, cabe a ela apresentar propostas de soluções para os problemas”, afirmou.
O deputado lembrou que o governo promoveu a desoneração do diesel utilizado pelos ônibus para contribuir com a redução do preço da passagem e tem compromisso com projetos que possam melhorar a questão da mobilidade urbana. O monotrilho é um destes exemplos, na opinião de Chico Preto, que deverá contribuir com a melhoria do fluxo e transporte de passageiros na área urbana da cidade.

Exorbitante

Chico Preto disse, ainda, que considera exorbitante a elevação do preço da passagem de R$ 2,25 para R$ 2,75, porque a medida provoca impacto negativo na vida da população.
“A renovação da frota por si só não pode justificar o aumento da tarifa”, argumentou, dizendo reconhecer que a aquisição de novos veículos gera custos às empresas. Mas também apontou a necessidade de as empresas levarem em conta os ganhos contabilizados a partir da adoção de medidas destinadas a combater vícios antigos como, por exemplo, a utilização da meia passagem por não estudantes.
Segundo ele, tal prática possibilitou a oxigenação dos caixas das empresas e injetou, em tese, em média, R$ 18 milhões por mês em seus cofres. “Dados da própria prefeitura indicam que mais de 300 mil alunos usavam de forma indevida a meia passagem. Logo, se essas pessoas passaram a pagar, injetaram novos recursos no sistema. Fazendo as contas de R$ 2,30 por cada passagem, multiplicado por 300 mil usuários/dia, temos uma receita de R$ 690 mil. No fim de um mês o faturamento chega a cerca de R$ 18 milhões, levando em conta um dia pelo outro”, revelou.
O deputado estadual Arthur Bisneto também disparou críticas a Amazonino, mas pelos ataques feitos (por meio da nota enviada pela prefeitura) ao TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas). Artur Bisneto disse que foi uma agressão direcionada pelo atual chefe do Executivo Municipal ao Poder Judiciário do Estado, “num gesto de pura arrogância, contra o estado de direito democrático, que exige que as decisões do Judiciário devam ser respeitadas e cumpridas”.
O deputado estadual Marcos Rotta (PMDB) também rebateu as críticas feitas pelo prefeito Amazonino Mendes sobre grandes obras do Governo do Estado.
O prefeito afirmou que o governo ‘brinca’ com o dinheiro público ao investir em obras ‘suntuosas’, entre as quais citou a ponte Rio Negro e a Arena Amazônia. “As obras que o prefeito chama de ‘suntuosas’ são, de fato grandes, como grande também é o benefício que irá trazer para o povo amazonense. Além dos empregos gerados ao longo da construção, a ponte Rio Negro vai interligar municípios, garantir apoio logístico a agricultores do outro lado do rio e vai gerar expectativa de expansão de negócios”, ressaltou Rotta.

Rotta diz que ‘obras suntuosas’ vêm para resolver problemas da cidade

O deputado Marcos Rotta acrescentou ainda que, além da ponte, o novo Hospital 28 de Agosto, os programas Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e Água para Manaus (Proama) e as Escolas de Tempo Integral também são grandes empreendimentos do Governo do Estado.
“Se estas construções são consideradas ‘suntuosas’, espero que mais ações ‘suntuosas’ como estas sejam implementadas pelo Estado. Pois, desta forma, a sociedade amazonense tem resultados concretos dos investimentos feitos pelo governo estadual”, comentou o peemedebista.
Durante o pronunciamento, Rotta destacou a grandiosidade do Prosamim, que retirou mais de 20 mil famílias de situação de risco e as acomodou em lares dignos. Outro exemplo citado pelo parlamentar foi o Proama, o qual irá beneficiar aproximadamente 500 mil famílias das zonas Norte e Leste de Manaus.
“Garantir o fornecimento de água para Manaus é obrigação da prefeitura. Mas como o município não cumpre o seu papel, mais uma vez o Governo do Estado investiu e ainda contou com recursos do governo federal para construir o Proama”.
Na CMM, o vereador Waldemir José luta para emplacar uma CPI para investigar os contratos de licitação do setor de transporte. Ele fez um pedido, ontem, à prefeitura de Manaus para que intervenha no sistema de transporte coletivo, depois que os empresários ameaçaram retirar de circulação 500 ônibus e demitiram em massa 600 funcionários.
“É um absurdo que além de se pagar uma tarifa cara e ser atendido por um péssimo serviço, o povo ainda pode ficar sem os ônibus. Isso é arbitrário e cheira à sabotagem”, disse o vereador de oposição.
Hoje, às 16h, na Praça da Matriz (Centro), a população deve comparecer ao ato público “A Manaus que queremos”. O ato é organizado pelas entidades Escola Fé e Cidadania, Cáritas, Monale, FARU, MNLM, UNMP, Cooasteps, Associação dos Agricultores Frederico Veiga, Pastorais Sociais, MCVE, com apoio dos vereadores Waldemir José e Ademar Bandeira, além do deputado estadual José Ricardo e o deputado federal Francisco Praciano, ambos do PT. É só mais um ‘capítulo da novela’ do transporte coletivo de Manaus.

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