Decisão do Copom não deve afetar o PIM no curto prazo

A taxa básica de juros do país se encontra em 10,75% ao ano. Depois de três ajustes seguidos, a expectativa dos analistas de mercado, segundo apontou a mais recente pesquisa semanal Focus/BC (Banco Central), é que a Selic seja mantida no mesmo patamar, durante a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que se encerra hoje.
Embora não arrisquem palpites em relação à decisão do BC, lideranças do PIM (Polo Industrial de Manaus) ouvidas pelo Jornal do Commercio consideram que, mesmo em hipótese de nova alta, a indústria continuará firme no curto prazo, pelo menos até o Natal.
O diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, afirma que a indústria em si é afetada pelos juros, mesmo que indiretamente, mas considera que o setor de motocicletas é o mais prejudicado, já que trabalha com a concessão de crédito. “Os juros mexem diretamente no mercado de crédito, que auxilia as empresas a comprarem. Como no setor de duas rodas a compra é financiada, a elevação das taxas torna as compras mais difíceis. Assim, na medida em que não há compra, não há produção”, explicou.
O presidente da Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, avalia que, de imediato, não há prejuízos para a indústria, mesmo na hipótese de nova alta. “Se houver alguma elevação, a interferência é futura porque as operações financeiras, normalmente, obedecem a determinados prazos. O impacto só é sentido para as empresas que necessitarem de dinheiro emprestado”, explicou.
Ele considera que, se as decisões tomadas pelo Copom divergirem das opiniões dos especialistas, a taxa deve aumentar, no máximo, 0,25%. “Se o país controla a inflação do mercado, não é necessário aumentar”, declarou.
Flávio Dutra concorda e salienta que as condições gerais da economia, especificamente no Estado, são firmes e positivas. O dirigente frisa que, mesmo com juros elevados, as empresas continuam mantendo a normalidade no comportamento produtivo. “Agora, principalmente, o mercado está aquecido devido aos pedidos para atender a demanda do Natal”, enfatizou.
De acordo com economista e consultor empresarial, Rodemark Castelo Branco, os dados positivos da indústria são reflexo do crescimento do país, aumento de emprego e de crédito. Mesmo assim, ele considera que o setor avançou pouco nos últimos meses, em função da entrada de produtos estrangeiros no país. “Ainda mais com a moeda brasileira sendo cada vez mais valorizada”, lamentou.
Loureiro se vale da mesma opinião do economista, e pensa que o maior número de empregos acarreta em crescimento na demanda industrial. “O crédito está bom, as pessoas estão pagando e há uma perspectiva positiva quanto ao futuro”, comemorou.
Rodemark Castelo Branco explica que a taxa Selic serve como balizadora das taxas de juros do mercado. Quando ela aumenta, as outras seguem a mesma tendência. Ele acrescenta que os juros apresentados no mercado são bem maiores que a taxa Selic, afetando as empresas como um todo. “Isso reduz a capacidade competitiva das indústrias brasileiras quando comparadas ao mercado internacional”, destacou.
O economista analisa que tanto o aumento como a redução da taxa Selic interferem, primordialmente, no Governo Federal. “Se a taxa for mantida, o governo vai ter ampla vantagem. Isso acontece porque ele se baseia na Selic para realizar o pagamento das dívidas internas do país. As despesas aumentam ou diminuem conforme o comportamento da taxa”, finalizou.

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