Custo da construção civil volta a subir no Amazonas

O custo da construção civil no Amazonas voltou a subir em setembro, ao pontuar 1,21% de alta, na variação mensal. O indicador sofreu desaceleração de 0,48 ponto percentual ante agosto (1,69%) e ficou abaixo da média nacional, mas segue acima da inflação oficial. O valor local do metro quadrado passou de R$ 1.177,75 para R$ 1.191,99, sendo favorecido pelos materiais de construção. Os dados estão na pesquisa do IBGE/Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgada nesta sexta (9).

O passivo com a mão de obra (R$ 513,10) mal se moveu frente agosto (R$ 511,73), dado que a data base dos trabalhadores do setor ocorreu dois meses atrás. Os dispêndios com materiais, por outro lado, subiram 3%, passando de R$ 666,02 para R$ 678,89. Os números seguem em linha com estudos recentes do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), que apontam altas de dois dígitos nos preços locais dos insumos.

O incremento mensal do custo da atividade no Amazonas (+1,69%) superou a inflação oficial, conforme divulgação do mesmo IBGE. Puxado novamente pelos alimentos e combustíveis, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,64% em setembro, ficou acima de agosto (+0,24%) e foi o maior resultado para o mês desde 2003 (+0,78%). A diferença foi ainda maior nos acumulados do ano – com +4,10% e +1,34%, respectivamente – e dos últimos 12 meses – com +4,44% e +3,14%, na ordem.

Apesar da alta detectada entre agosto e setembro, o resultado levou o Estado a despencar do primeiro para o 19º lugar no ranking nacional de maiores incrementos no custo da atividade, e a ficar aquém da média nacional (+1,44%). O pódio foi ocupado por Sergipe (+2,91%) e Distrito Federal (+2,54%) e Pará (+2,41%). Em sentido inverso, Rio de Janeiro (+0,41%), Santa Catarina (+0,74%) e Ceará (+0,80%) ficaram no fim de uma lista sem resultados negativos.

Abaixo da média

Apesar da alta reforçada, o custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.209,02) e fez o Estado cair do 14º para o 15º lugar, na lista dos maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.362,83) segue na primeira posição, sendo seguida pelo Acre (R$ 1.348,26) e pelo Rio de Janeiro (R$ 1.344,23). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.052,28), Pernambuco (R$ 1.082,30) e Rio Grande do Norte (R$ 1.084,45).

O custo de mão-de-obra local (R$ 513,10) também permanece inferior à média nacional (R$ 563,46), levando o Amazonas a cair da 19ª para a 20ª posição do ranking brasileiro. Rio de Janeiro (R$ 699) ocupou o primeiro lugar, seguido por Santa Catarina (R$ 694,43) e São Paulo (R$ 643,80). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 465,40) e Ceará (R$ 468,02) se situaram no fim da fila.

Em contrapartida, o custo de material de construção civil no Amazonas (R$ 678,89) ainda está em um patamar superior ao da média nacional (R$ 645,56), levando o Estado a se manter na oitava colocação entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 776,28), Distrito Federal (R$ 721,69) e Tocantins (R$ 715,55) encabeçam a lista. Os menores valores, por outro lado, ficaram em Espírito Santo (R$ 585,37), Sergipe (R$ 594,40) e Pernambuco (R$ 595,65).

Inflação e juros

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, lamentou que os dados do IBGE apontem novamente para patamares acima da inflação no custo local da atividade, embora ressalve que a maior parte do impacto tenha se dado em agosto, sendo absorvido em setembro. A expectativa do dirigente é que os incrementos se mantenham nos próximos levantamentos, ainda que com oscilações de força.

O impacto maior veio novamente dos preços das matérias primas, já que a alta no valor na mão de obra foi quase que inexistente e não gerou variação significativa. Esse mercado vai permanecer nessa faixa, no curto prazo. Talvez até aumente um pouco mais, porque os preços desses materiais não estão parando. Tem até uma tendência de estabilizar, mais só deve acontecer mais adiante”, ponderou. 

No entendimento de Frank Souza, a volatilidade dos preços com viés de alta deve desequilibrar as contratações de obras futuras – especialmente as públicas. O cenário fica ainda pior para as empresas quando se leva em consideração não apenas o IPCA, como também o valor reduzido dos taxa básica de juros. O custo imposto pela logística também não ajuda na composição dos preços finais, segundo o dirigente.

“Acho que vamos ter de reavaliar os contratos com o governo federal, por conta desses preços que saíram da curva. Tem material aí que subiu 50%. Há outros em que a variação foi de 30%, 15%. Mas, todos ficaram invariavelmente mais caros, sem exceção. Se fizermos uma comparação da taxa Selic, que está em 2% anuais, contra um índice de 4,44%, teremos um crédito mais barato para um preço mais caro, quando o ideal é que andassem na mesma faixa. E ainda tem a logística: nossos preços só não são mais altos porque a maior parte de nossos imóveis são de padrão econômico”, finalizou. 

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