Amazonas registra recebimento de sementes misteriosas

O Amazonas registrou as primeiras remessas das sementes misteriosas oriundos de países asiáticos e que intrigam especialistas em todo o mundo. Foram cinco em Humaitá e duas em Autazes, municípios do interior do Estado.

Moradores das duas cidades receberam o material após realizarem compras pela internet e o enviaram aos órgãos de defesa fitossanitária em Manaus, seguindo orientações de autoridades estaduais e federais.

As informações são da Adaf (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas). A SFA-AM (Superintendência Federal de Agricultura no Amazonas) recebeu as sementes e as enviou ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que investiga o mistério.

Há 15 dias, a Adaf fez um alerta pedindo ajuda da população para notificar as ocorrências. Um morador de Humaitá relatou que recebeu as sementes como brindes. Elas estavam embaladas em pacotes de plástico.

A remessa vem causando muito medo numa época de pandemia, principalmente sobre as especulações de que a China teria produzido o novo coronavírus em laboratório. “Tudo que vem de países asiáticos é hoje motivo de dúvidas. Então, não vamos arriscar. Esses pacotes podem conter grandes ameaças, não só para a agricultura, como também para a população”, avalia o engenheiro agrônomo Afonso Tello. “É bom redobrar os cuidados”,  salienta.

A Adaf orienta as pessoas para não abrirem as embalagens. E nem tampouco descartá-las no lixo. As sementes podem conter pragas, trazendo riscos fitossanitários às atividades do setor primário na região.

 “Cumprindo um protocolo sanitário do Mapa, nós estamos repassando as sementes de origem desconhecida ao superintendente federal da Agricultura no Amazonas (Guilherme Pessoa) para que ele possa tomar as medidas cabíveis”, disse o diretor-presidente da Adaf, Alexandre Araújo.

Ele diz ser importante a contribuição da população nesse sentido.  “Esses pacotes só podem ser manipulados por especialistas. Todos os casos estão sendo notificados para a SFA”, acrescentou Araújo.

Segundo o superintendente federal Guilherme Pessoa, todo o material recebido é encaminhado ao Mapa para ser analisado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, onde especialistas se debruçam em estudos para descobrir se as sementes são nocivas ou não.

“A abertura dos pacotes pode implicar na disseminação de doenças, pragas, ervas daninhas, causando prejuízos econômicos irreparáveis ao agronegócio familiar e empresarial”, alerta o superintendente federal. 

‘Brushing’

Pacotes com sementes misteriosas têm chegado ao Brasil sozinhos ou acompanhados de outros produtos adquiridos em e-commerces chineses. Pelo menos 258 casos de recebimentos não solicitados foram registrados em 24 Estados brasileiros, segundo um levantamento do Mapa.

A prática ganhou repercussão nos últimos dias e gerou um alerta para o risco de contaminação. Ainda não se sabe o motivo pelo qual essas sementes têm chegado aos lares brasileiros.

No entanto, autoridades já trabalham com a possibilidade de a prática fazer parte de um esquema fraudulento conhecido como ‘brushing’ – quando um lojista de marketplace obtém, muitas vezes de forma ilegal, dados pessoais das pessoas.

Com essas informações em mãos, os lojistas realizam compras falsas nos nomes das pessoas e fazem o envio de sementes ou objetos de pouco valor. O objetivo deles é aumentar a reputação dentro de gigantes do comércio eletrônico, como Amazon, Alibaba, Ebay, entre outros, e, assim, ganhar mais visibilidade com novos clientes.

Ao enviar o produto, as lojas possuem o código de rastreio. Quando o suposto item consta como entregue ao destinatário, o lojista, então, faz a avaliação positiva e a empresa responsável pelo ‘marketplace’ entende que está tudo certo.

“Ainda há outras variações envolvidas como enviar um produto adicional ao que o comprador pediu com o objetivo de obter uma melhor avaliação”, diz Arthur Igreja, professor convidado da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista em Inovação e Tecnologia.

“Um ponto negativo envolve consumidores que não pediram os produtos e estão recebendo. E é isso que está acontecendo no Brasil. Isso pode evidenciar um vazamento de dados, pois é possível conseguir endereço, nome completo e e-mail dos consumidores”, ressalta ele. 

A pessoa que receber pelos Correios pacotes com sementes não solicitadas deve comunicar o caso imediatamente à Adaf ou ao Mapa pelos telefones (92) 99390-1750 ou 0800-704-1995, sem medo de ser penalizado. A população pode comunicar também pelo AdafOuv: (92) 99380-9174 (ligação e WhatsApp).  

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