Crise dos suprimentos, a solução pode estar por perto

“Ora, nossos cientistas, também eles oriundos da floresta, ou por ela qualificados, já descobriram que a revolução industrial da Amazônia passa por um namoro, noivado e casamento entre a tecnologia da informação e a bioeconomia da pesquisa prioritária de nossa diversidade biológica. Talento e paixão não nos falta, apenas a capacidade de revolucionar a matemática para demonstrar que a divisão de esforços é capaz de multiplicar talentos e soluções a partir de nosso chão, seja biótico e/ou fabril.”

Por Nelson Azevedo(*)

Era de se esperar que a indústria nacional e local esbarrassem no agravamento da quebra global de suprimentos, especialmente aqueles oriundos do mercado fabril asiático. O setor de componentes eletroeletrônico e de duas rodas, no Polo Industrial de Manaus, por exemplo , viram um movimento de retração em março e recentemente o agravamento da escassez dos insumos industriais em junho que, em determinadas plantas, beirou os 80%. Está faltando papelão para as embalagens e insumos plásticos para movimentar a rotina produtiva. O que fazer?

Da escassez à criatividade

Desde o início da pandemia, caracterizado pela escassez de equipamentos de proteção individual, temos alertado sobre a necessidade de retomar uma das finalidades originais do programa Zona Franca de Manaus. Relatávamos que esta era a oportunidade de recuperar o desafio de substituir importações. Logo descobrimos que a necessidade faz a criatividade e a genialidade das soluções.

Descoberta preciosa

Em tempos de crise, nós já sabemos a lição de casa. E nesta crise aconteceu algo de insólito: descobrimos que a nossa capacidade produtiva é muito mais abrangente e qualificada para fazer quase tudo. Isso foi colocado em prova e nós fomos aprovados com louvor fabricando uma centena de artefatos de segurança, entre outras demandas emergenciais, com soluções caseiras, mas nem por isso improvisadas. Precisamos apenas promover alguns ajustes para confirmar que a criatividade é um dos nossos instrumentos competitivos.

Janelas de oportunidades

Foram escancaradas janelas de oportunidades, chegamos até a ensaiar um levantamento das demandas mais premente, ao mesmo tempo em que fazíamos o inventário de nossas capacidades produtivas em termos de diversificação e solução de problemas. É muito prazeroso constatar tudo isso, assim como é muito frustrante ver que não fomos à aprovados no teste da cumplicidade produtiva. Aí o item criatividade a serviço de derrubada da vaidade pessoal e de grupos não funcionou.

Resgatar inventários e talentos

Mas ainda é tempo e com certeza dá tempo de promovermos a recuperação dessas duas atividades, tanto de identificação de nosso perfil produtivo, como da construção de uma cultura colaboracionista. Não seremos ingênuos de dizer que se trata de uma tarefa fácil. Entretanto, entre nós sabemos que ela é urgente e inadiável. Temos demandas e pessoas de refinado talento.

Polo industrial da saúde

Chegamos a ver desenhado, numa associação entre o Centro de biotecnologia da Amazônia e as demais instituições locais, sob a batuta criativa da superintendência da Zona Franca de Manaus, o Polo Industrial da saúde. Uma saída das mais emergenciais e que poderia mobilizar atores e setores que nunca imaginaram trabalhar em conjunto. Formular soluções farmacológicas, elaborar nutracêuticos, como suplemento fitoterapêutico associados aos alimentos funcionais, da farmacologia milenar da Amazônia…isso não tem preço. Mas tem solução com certeza. Um polo industrial baseado no conhecimento dos povos primitivos da Floresta, que foram capazes de descobrir a cura de tantas mazelas em 15.000 anos de alinhamento construtivo entre natureza e cultura.

Namoro, noivado e casamento

Mas alguém poderá perguntar: e o problema dos supercondutores que desferiu um golpe fatal na indústria eletroeletrônica? Ora, nossos cientistas, também eles oriundos da floresta, já descobriram que a revolução industrial da Amazônia passa por um namoro, noivado e casamento entre a tecnologia da informação e a bioeconomia da pesquisa prioritária de nossa diversidade biológica. Talento e paixão não nos falta, apenas a capacidade de revolucionar a matemática para demonstrar que a divisão de esforços é capaz de multiplicar talentos e soluções a partir de nosso chão, seja biótico e/ou fabril.

(*) Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, metalmecânica e de materiais elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM 

Foto/Destaque: Divulgação

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