Solidariedade é arma de combate à demagogia do caos

Régia Moreira Leite (*) [email protected]

“Todo o reino dividido contra si mesmo será devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesmo, não subsistirá”. Mt 12,25

É com muita tristeza que vemos o Brasil gastar o melhor de sua energia com um conflito artificializado, distante absurdamente das reais necessidades e prioridades país. O texto sagrado é inclemente a esse respeito. Não permite interpretações da boa vontade. O Brasil precisa fugir dessa rua sem saída. Os extremos são demagógicos e geram a disputa pela própria subsistência. A querela entre esquerdistas e direitistas é um fim em si mesma. E vai levar o país a lugar nenhum. 

A tragicomédia do Fundo Partidário é o retrato mais constrangedor dessa futrica. São quase R$ 6 bilhões para eleger/reeleger pessoas que, muitas delas, não representam este Brasil estraçalhado pela demagogia e pelo caos, um país com fome, desempregado, que se comprar comida, com o auxílio emergencial de R$150, nada vai sobrar para comprar o gás. Pessoas doentes, sem vaga, sem remédio nem médico, na fila do SUS, uma instituição devotada quase que integralmente para salvar a vida do país em pandemia abandonado à própria sorte. 

Enquanto isso, negociações obscuras, dólares na cueca, comissionamento das vacinas, e uma avalanche de mensagens e miragens com o propósito de manipular consciências, coisificar as massas, ludibriar corações e mentes de todos que põem fé em figuras messiânicas. Elas prometem a salvação que se resume, no fim das contas, em resguardo dos seus. São os arautos da destruição do outro e da exaltação do ego. Cínicos e impiedosos, até nisso se parecem, utilizam o mesmo artifício da figuração planejada. Ambos prometem: vão livrar o país da contravenção, imprimir padrão FIFA na saúde e inaugurar um plano de educação para o futuro. Como se as pessoas do presente tivessem importância nenhuma. E como o passado de cada um não os revelasse.

Nossa economia, nossos investimentos e colaboradores, os empregos que geramos, a montanha de dinheiro que pagamos para o poder público, com tantos outros acertos e perenes percalços… pasmem vocês: acabaram por tornar-se moeda de troca, motivos de ameaças ou oportunidades de retaliação. “Imaginem o Amazonas sem a Zona Franca…”

Precisamos de mais respeito por tantos ganhos que geramos, fundos que alimentamos e oportunidades que distribuímos a partir da luta diária. Em nossa incursão pelo país das águas, aqui, debaixo de nossos olhos, recentemente, no vizinho município de Careiro da Várzea, nos deparamos com famílias sofridas, atropeladas pelos descaminhos da confusão fabricada. Ali, com as enchentes, como em toda a Amazônia, a proteína desaparece. E por incrível que pareça, a fome se espalha pela região. 

Onde estão os recursos recolhidos pela Indústria do Estado para acudir as pessoas. São R$1.4 bilhão/ano. São recursos de nosso programa de redução das desigualdades regionais  inadequadamente chamado de Zona Franca de Manaus. Uma nomenclatura que sugere um paraíso fiscal, quando na verdade somos o paraíso da Receita Federal. Em 2020, recolhemos R$18 bilhões para Brasília. E o que recebemos em troca? Proporcionalmente à nossa receita e população, somos o estado que mais recolhe recursos para a União Federal. E não é só isso:  somos o que menos recebe em contrapartida de suas contribuições.

A Amazônia, especialmente aquela que é administrada pela Suframa, e que tem um potencial extraordinário de possibilidades e alternativas de geração de emprego e renda para o país, deveria ser motivos de união nacional. Todos os países desenvolvidos ou remediados gostariam de chamá-la de sua. Nosso país, entretanto, em lugar de abraçá-la, com investimentos em formação de recursos humanos, qualificação científica e tecnológica de nossos jovens, prefere liberar a depredação e a destruição da biodiversidade. Isso nos pode alcançar se, ao menos entre nós, não formos capazes de aglutinar energias, compromisso e esperança de dias melhores e de comunhão. 

Não somos Lula, nem Bolsonaro. Somos empreendedores e trabalhadores, que estão ensaiando o protagonismo da restauração, não apenas da Lei e da Ordem, mas sobretudo de direitos e contrapartidas dignas de nossa generosa contribuição. Somos uma Amazônia Solidária, que subsistirá na construção, com certeza, de dias melhores, que irão surgir de nossas mãos estendidas e de nossos abraços, firmes e fraternos, contra a cizânia e a maldita demagogia do caos. 

(*) Régia é economista, empresária, conselheira do CIEAM e diretora-adjunta da FIEAM.
Foto/Destaque: Divulgação

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