A pandemia de covid-19 trouxe muitos inconvenientes e, é claro, episódios de imensa tristeza. Disso não podemos esquecer. Porém, é preciso reforçar também que o esforço para lidar com o novo coronavírus e com o distanciamento social acelerou diferentes tendências, muitas delas ligadas a digitalização. Os consumidores pós-pandemia não serão os mesmos e o varejo terá que se adaptar e se preparar ainda mais para atender esse novo meio de consumo.

É o caso do pagamento digital (que tende a ganhar força, uma vez que o contato físico diminuiu) e do e-commerce (ao qual o brasileiro já se tornou muito mais familiar durante a quarentena). Isso não quer dizer, contudo, que as lojas físicas serão deixadas de lado: ao contrário, essa é uma oportunidade para que as empresas adiantem o uso de tecnologias que, até então, eram adotadas de maneira discreta.

Como explica Christian Rempel, Consultor da Logicalis, “tendências tecnológicas passam por um processo de maturação”. Ou seja, não são adotadas do dia para a noite. Como exemplo, ele cita a tecnologia de self-checkout, que foi adotada por algumas empresas no Brasil, mas não em grande escala, como nos EUA.

Comprando com independência

O mesmo vale para a loja autônoma, que alcançou seu ponto alto com a criação da Amazon Go, mas também não se tornou um modelo escalável ainda. “Em paralelo, vimos o movimento de startups copiando esse modelo: há três delas que desenvolvem esse tipo de tecnologia”, diz. “No Brasil, já existem alguns espaços em que a experiência de autonomia é colocada em prática, como na Ame Go, loja localizada em um edifício da construtora JFL Living, no bairro de Pinheiros, em São Paulo”.

Nesse sentido, Rempel afirma que o grande desafio da loja autônoma é justamente combinar o funcionamento perfeito da tecnologia com a escalabilidade. Além disso, destaca o aspecto cultural, que está facilitado pela questão da higiene e do distanciamento. “Culturalmente, esse modelo trazia a comodidade da velocidade; agora, mais do que nunca, ajuda na questão do isolamento social”, explica Alessandro Martins, head de P&D para tecnologias em loja de uma grande empresa de e-commerce.

Antes do consumo

As tendências não surgem somente com o processo final, de compra. Como apontam os executivos, a inovação, especialmente associada à economia compartilhada, tem impactado a cadeia de valor do varejo como um todo. Eles refletem sobre a origem da economia compartilhada, bem anterior aos aplicativos, presente, por exemplo, na atuação das consultoras de empresas de cosméticos. “A grande vantagem é a aceitação social e a eliminação de intermediários”, argumenta Reinaldo Monma, Consultor Sênior da empresa. “É uma tendência que pode se consolidar por esses dois motivos”.

A economia compartilhada já está presente também, por exemplo, na flexibilização da entrega e da distribuição de produtos. “Vemos uma tendência de distribuição de produtos sem o uso de um Centro de Distribuição”, diz Jefferson Kiocia, Arquiteto de Soluções Sênior. Nesse caso, as lojas passam a ser usadas como locais para estocagem e posterior distribuição, considerando até mesmo a possibilidade de haver lojas que não são abertas para o público. “Há muito o que evoluir na economia compartilhada na área de supply”.

Consumidor participante

Em um segundo estágio, as empresas podem começar a utilizar espaços que não são próprios –como os lockers, no caso da Amazon, ou até mesmo parceiros (de comércio ou serviço) que centralizariam uma série de produtos a serem retirados por consumidores que estivessem por perto, morando ou trabalhando.

Em última instância, Rempel considera a possibilidade de as companhias usarem até mesmo espaços dos consumidores para armazenar seus produtos (na garagem, por exemplo). Com isso, além de uma enorme cadeia de distribuição, o varejo poderia usar algoritmos de predição de compra e realizar a entrega nesses pontos de coleta até mesmo antes do consumidor decidir pela compra, gerando redução de custos e eliminando intermediários com cada vez mais criatividade.

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