Confiança do comércio avança no Amazonas

Em sintonia com a reabertura dos negócios em Manaus e a melhoria dos indicadores de vendas, a confiança dos lojistas da capital avançou pela primeira vez em agosto, após cinco meses de queda. O número veio mais forte do que a média nacional, mas a alta foi sustentada pelas expectativas, em detrimento das intenções de investir e contratar. Os dados são do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) medido pela CNC. 

O indicador registrou 83 pontos em Manaus, ficando 23,9% acima de julho (67 pontos). No confronto com julho do ano passado (130,8), o decréscimo se manteve em 36,5%. No Brasil, o índice avançou 11,5% e chegou a 78,2 pontos. Embora o crescimento mensal tenha sido o maior desde o início da realização da pesquisa (abril de 2011), houve queda de 32% na comparação anual.

Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 até 200 são consideradas de satisfação. A Confederação Nacional do Comércio sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país –164 delas, em Manaus. 

Diferente de julho, quando só três dos nove subíndices Icec cresceram, nenhum apresentou queda. Apenas os subíndices relativos às expectativas, no entanto, se mantiveram em patamares na margem de satisfação –sobre a economia brasileira (+32,4% e 139 pontos), sobre o setor (+27,2% e 147,3 pontos) e sobre as empresas (+30% e 151,1 pontos). Na outra ponta, o menor nível de satisfação veio das condições atuais da economia (27,1 pontos), que também teve a menor alta (+6,8%). A avaliação sobre a situação atual dos estoques (67,2 pontos) manteve estabilidade.  

A maioria esmagadora dos entrevistados (68,1%) ainda considera que a situação atual da economia brasileira “piorou muito”. Em seguida estão aqueles que dizem que “piorou um pouco” (22%), os que avaliam que até “melhorou um pouco” (7,3%) e os que garantem que “melhorou muito” (2,6%). Os números sofreram sensível deterioração frente a maio – 68,7%, 22,7%, 6,6% e 2,1% respectivamente. A percepção de piora foi mais acentuada nas empresas com menos de 50 empregados (68,5%) e que vendem bens duráveis (68%).

Situação semelhante, mas em menor grau, ocorreu nas avaliações sobre as condições atuais do setor (40,7 pontos) e da empresa (44,1 pontos) –33 e 36,2 pontos no levantamento anterior, na ordem. Assim como em julho, a maioria acha que a situação atual “piorou muito” (51,9% e 43,1%). Companhias de menor porte (52% e 43,2) lideram o pessimismo em ambos os casos, assim como aquelas que trabalham com bens semiduráveis (59,6% e 49,4%). 

Ceticismo nos investimentos

Em relação às expectativas para a economia (139 pontos), a opinião majoritária é de que vai “melhorar muito” (40,6%), seguida pelos que acreditam que vai “melhorar um pouco” (34,6%), que vai “piorar muito” (13%) que vai “piorar um pouco” (11,8%). O mesmo otimismo se dá em relação à empresa, onde 43,1% dizem que a situação vai “melhorar muito”, mas a percepção dominante em relação ao setor ainda é que só vai “melhorar um pouco (40,8%). Em ambos os casos a satisfação é maior no segmento dos semiduráveis.  

A reversão do pessimismo decorrente da crise da covid-19 é menos evidente nas intenções de contratar (83,4 pontos) e de investir (47,2 pontos), onde ainda há ceticismo e insatisfação, apesar da melhora. A maioria (50,8%) diz que o contingente deve “reduzir pouco”, seguido de longe pelos que avaliam que pode “aumentar pouco” (26,3%). Para a maioria das empresas sondadas, o nível de aportes de capital no próprio negócio vai cair em maior (43,7%) ou menor (40,3%) grau.

“Extraordinário” e lento

O assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e coordenador da pesquisa, José Fernando Pereira da Silva, considera que os números do Icec de agosto apontaram para um “resultado extraordinário”, que apontariam para a retomada da atividade comercial na capital amazonense, mesmo que de forma lenta e gradual.  

“Mas, não deixa de ser um indicador bastante alvissareiro de toda a recuperação do setor, que teve um impacto muito grande, em decorrência da pandemia. Em nossa cidade, os números revelaram, de uma maneira surpreendente, que cerca de 40% dos empresários entrevistados se mostraram bastante otimistas em relação à economia. Isso mostra uma tendência de retomada lenta, mas com resultados extremamente positivos”, ponderou.    

Reabertura e contratações

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, a economista da entidade responsável pela pesquisa do Icec, Izis Ferreira, salienta que cresceu a proporção de empresários brasileiros que esperam melhora do nível de atividade econômica nos meses à frente (de 50,8% para 64,7%), embora as avaliações correntes da economia esteja em nível ainda muito baixo e a 85 pontos do nível pré-pandemia. O otimismo, contudo, apontaria melhora no curto prazo.

“Com a reabertura gradual e expectativas de melhor desempenho do setor no último quadrimestre, parte dos varejistas já pensa em ampliar as contratações. O último trimestre concentra a principal data para o comércio, com aumento sazonal das vendas entre novembro e dezembro, o que motiva a contratação de funcionários, mesmo os temporários”, assinalou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros destaca que a retomada econômica do país ocorre de forma gradual, uma vez que a redução em praticamente todos os segmentos foi “bastante intensa” durante a pandemia. Ao mesmo tempo, o dirigente reforça a importância da reabertura gradativa do comércio não essencial em todo o país.

“Os indicadores de atividade dos principais setores da economia têm mostrado que o ‘fundo do poço’ dessa crise ficou mesmo em abril. Além disso, apesar das restrições que a covid-19 ainda impõe para as vendas físicas, o varejo tem viabilizado parte do faturamento pelo comércio eletrônico e outros canais digitais”, encerrou.

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