Comércio realiza dia contra impostos

O Brasil é um dos países com maior carga tributária do mundo e no início do mês de junho (contando a partir de 1° de janeiro) o país terá trabalhado 154 dias úteis apenas para o pagamento de impostos. Até o dia 31 de maio o brasileiro já havia pago mais de R$ 800 bilhões em tributos. Para conscientizar o cliente do alto preço cobrado para manter negócios em funcionamento, a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Jovem de Manaus realiza nesta quinta-feira (2), a sexta edição do DLI (Dia de Liberdade de Impostos). O DLI acontece há 30 anos e tem como objetivo mostrar à população a incidência de carga tributária embutida nos produtos, disse a coordenação do evento.
Pela primeira vez, o DLI será realizado em um Shopping Center de Manaus e segundo o coordenador estadual da CDL Jovem de Manaus, Erick Bandeira de Melo, a intenção é ampliar o alcance da ação que contará com mais de 60 lojas do Manauara Shopping. “Antes realizávamos a ação em um posto de gasolina, mas junto às lojas de consumo, serviços e alimentos, vamos atingir o maior número de consumidores na cidade de Manaus. Essa mudança no formato do evento é uma ruptura que trará maior conscientização sobre a formação da carga tributária junto aos consumidores”, ressalta.

Pequenos mais frágeis

De acordo com o vice coordenador da CDL Jovem, Luiz Eduardo Leal, os 154 dias trabalhados apenas para pagar tributos, são mais graves para as pequenas empresas (alvo principal da ação) que já contribuem enormemente para a arrecadação. “A carga tributária das empresas pequenas que são enquadradas no Simples Nacional gira em torno de 4 a 16% do faturamento. Esse pode parecer um percentual baixo, porém a quantidade de empresas enquadradas nesta modalidade é grande o suficiente para contribuir no envio de impostos para o governo”, disse.
Participando da ação com a loja Wishes, a empresária Karine Barra faz coro com a CDL Jovem. “O peso dos encargos são mais visíveis em uma pequena empresa. Nossas mercadorias já saem do local de origem com uma tributação alta, pagamos por transporte e pelo tempo que leva até chegar a loja. E ainda corremos o risco de não vender”, disse a empresária que no DLI oferecerá produtos sem os 35% dos impostos.
A empresária conta a causa do engajamento. “Não vejo o DLI como um protesto, prefiro encarar como uma forma de conscientizar o cliente do quanto somos esmagados pela carga tributária. Muitos reclamam e culpam os lojistas sem saber o quanto pagamos. Infelizmente, somos obrigados a repassar ao cliente o que nos é cobrado de impostos”, afirma. No dia da ação, a diferença dos preços será custeada pela própria empresária.

Sem prejuízos ao Estado

Segundo Leal, a ação não prejudica a arrecadação municipal, estadual ou federal, já que quem paga a diferença do imposto é o próprio lojista. “É uma campanha de conscientização. O que queremos é mostrar quanto da carga tributária o cliente paga nos produtos de um centro comercial e assim mostrar que não existe um retorno na educação, saúde ou segurança, por exemplo. Ao contrário, quando se paga imposto e paga o colégio para o filho estamos pagando duas vezes pelo mesmo serviço”, disse o vice-coordenador.
A coordenação da ação acredita que é possível o país funcionar com uma carga tributária mais baixa. “Primeiro o Estado precisa reduzir o tamanho da máquina, o governo só cobra muitos impostos porque a máquina é grande e cara. O Estado deve se limitar a prestar serviços básicos para sociedade e deixar que a iniciativa privada cuide do resto.
Um país com menos impostos significava mais eficiência tanto no público e principalmente no privado. O salário dos trabalhadores renderia mais, as empresas poderiam contratar mais e os preços seriam mais baratos”, ressalta Melo, que completa “O ambiente de negócios seria mais propício para inovação e criação de novos mercados, empreender seria mais fácil”, fecha.
A empresária concorda. “Acho que o país pode funcionar sem tantos impostos. Na verdade, nem sabemos onde se aplica o arrecadado. Não vejo nada nos serviços públicos que justifiquem tantos encargos”, comenta.
Para Karine, os altos impostos inviabilizam novos investimentos. “Se fala de qualificação, mas como podemos pagar por cursos para colaboradores com a crise instalada e essa alta taxa tributária?
Temos que cortar na própria carne. Não posso oferecer um curso aos funcionários, promover eventos que chamem clientes ou mesmo reformar a loja.
Temos que trabalhar no limite, manter o negócio funcionando e pagar salários e destes salários mais impostos são cobrados”, conclui.

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