Indústria quer menos burocracia no AM

A indústria instalada na ZFM (Zona Franca de Manaus) espera que o governo do Estado busque alternativas para vencer a burocracia e tornar o setor mais competitivo. Com esse intuito, a segunda etapa das ‘Jornadas de Desenvolvimento’ para definir a Nova Matriz Econômica Ambiental do Amazonas apresentou, no início da semana, possíveis soluções aos representantes de entidades e empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus).
O governo propôs efetivar a revisão da política de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do PIM e investir em infraestrutura para garantir acesso a novos mercados, além de simplificar as operações de desembaraço fiscal. No debate também foram discutidas estratégias para a diversificação do parque industrial na região.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) Wilson Périco informa que o ICMS é o tributo mais importante da região, sendo 95% concentrado na capital amazonense. Ele destaca que no encontro, realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, foi discutido como gerenciar uma política para que as empresas do PIM absorvam insumos locais. “Isso é um fator que o Estado tem que trabalhar, aqueles insumos adquiridos através da nossa região teriam ICMS maior, porque ao dar incentivo você incrementa e todos ganham”, afirma.
Segundo Périco no segmento de componentes, por exemplo, não faz sentido a empresa importar a matéria-prima. “Ao fazê-lo, vai levar meses para chegar em Manaus, depois que recebe o material é que começa a produção com média de 70 dias para receber. Além disso, tem 120 dias dentro do fluxo de caixa, diferente se a compra for realizada localmente. Você compra hoje e põe na linha de produção, amanhã já fatura e seu fluxo de caixa está equilibrado”, disse o presidente ao destacar que para isso acontecer, os insumos locais devem ter competividade no mercado.
A discussão visa desburocratizar regras e garantir a saúde financeira do Polo Industrial em paralelo ao desenvolvimento da nova matriz econômica para o Estado. Para Périco é fundamental que o governo do Amazonas tenha maior protagonismo na definição dos PPBs (Processos Produtivos Básicos), as etapas obrigatórias de industrialização no PIM definidas pelo governo federal.
“Ele tem que assumir o seu papel nas discussões de maior relevância dentro do PPB, não o investidor. Tem que se empenhar para que o investimento gere empregos e riquezas para o Amazonas, além de atuar fortemente em programas na busca desses objetivos a longo prazo. É de interesse que o investimento venha para o Estado”, argumenta.
De acordo com o secretário de Estado de Planejamento Thomaz Nogueira, o debate que reuniu empresários, entidades e consultores faz parte do conjunto de iniciativa de diálogo com a sociedade. “Nós fizemos um plano de ação com dois pontos centrados: a expansão e fortalecimento do PIM e a diversificação e inclusão do setor. Sobre o primeiro, nos reunimos para mapear quais são os gargalos no processo de expansão e hoje com professores, pesquisadores, governo e entidades ligadas ao polo industrial, discutimos sobre o esforço da expansão em novos setores e segmentos, fora do que já temos”, afirma.
A nova fase de elaboração do projeto da Nova Matriz Econômica Ambiental foi iniciada no mês de abril com um ciclo de debates em torno do potencial econômico da biodiversidade no Amazonas. Técnicos, pesquisadores, empresários e especialistas estiveram reunidos em grupos de trabalho para discutir e formatar propostas de desenvolvimento para definir a nova matriz para o Estado.
Segundo o secretário, na primeira fase foi realizado um debate qualificado envolvendo oito setores prioritários. “Tivemos oficinas sobre aquicultura e piscicultura, fruticultura, produtos florestais madeireiros e cosméticos. Também foram debatidas propostas para as áreas de fármacos, turismo, energia e minérios, logística e TIC (tecnologia, informação e comunicação) “, disse.
O ciclo de debates encerra na próxima terça-feira (7) com o mapeamento do Comércio.
Para Nogueira, a discussão foi rica com conclusões interessantes, mas destaca que é só o início para o avanço de novos investimentos no setor. “Tivemos uma rodada de manifestações e depois a matriz de estratégias mostrando quais são pontos fortes e fracos no processo de atração de novos setores.
Certamente nós vamos consolidar o material de insumo fundamental para novos investimentos”, ressalta. Até o mês de julho deste ano, um relatório com as conclusões dos debates será entregue ao governador do Amazonas, José Melo.

Sobre o evento

Com a participação de embaixadores e diplomatas de outros países, além de pesquisadores e ambientalistas, a realização das “Jornadas de Desenvolvimento” foi um desdobramento do Fórum Matriz Econômica Ambiental, realizado pelo governo do Estado, no início de março deste ano, no Amazônia Golf Resort. O Fórum foi resultado das discussões travadas durante a participação da delegação do Amazonas na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP 21), em Paris, no ano passado.

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