7 de maio de 2021

CD ‘Mulheres que cantam’ reúne mulheres de vários segmentos da arte

‘Mulheres que cantam’ é o CD que está sendo produzido pelos compositores, cantores e músicos Eliberto Barroncas e Adalberto Holanda, reunindo dez mulheres, de vários segmentos da arte, para interpretar músicas inéditas, inspiradas na poética do universo feminino. Eliberto e Adalberto são figuras bastante conhecidas no meio artístico amazônico por integrarem, há 40 anos, o grupo Raízes Caboclas.

“Esse trabalho vem da inquietação ante a supremacia do masculino em muitos campos da compreensão humana. Em diversas sociedades as mulheres ainda são silenciadas quanto ao direito de existir publicamente a partir de seus valores essenciais”, falou Eliberto.

Eliberto: ‘são mulheres que fazem do próprio canto uma forma de existir maior’
Foto: Divulgação

As músicas foram compostas no decorrer dos últimos 15 anos, em momentos pontuais, mas não chegaram a ser lançadas. As dez mulheres foram convidadas para interpretar as canções de Eliberto e Adalberto.

As cantoras são Enna Carvalho, Edilene Farias, Guerline Richard, Suzana Cláudia Freitas, intérpretes mais próximas da Música Popular Brasileira e amazônica, além da cantora Daniela Nascimento, que atua também no segmento do rock e tem composições autorais. Interessante as demais cantoras, soltando a voz pela primeira vez num CD, são elas a soprano Izabel Barros, a atriz e produtora cultural Carol Sant’Ana, a biblioteconomista Railda Vitor, com experiência em artes e cultura popular, a artista plástica Eliana Chaves e a artesã Dora Moreira.

“Vejo o fato de tanto eu quanto o Adalberto, homens, estarmos realizando esse trabalho com mulheres, como um ponto de atenção para o quanto ainda precisamos trabalhar na construção da leveza de verdadeiramente vivermos a liberdade tão sonhada em tantas lutas”, disse.

Canto mais natural  

O repertório de ‘Mulheres que cantam’ é composto por ritmos diversos da MPB, como canção, choro e outros ritmos.

Nos últimos anos, Eliberto e Adalberto realizaram algumas trilhas para espetáculos, companhias de danças, inclusive com várias artistas. A partir de então, as poesias nasceram para, de alguma forma, ser interpretadas por mulheres, mas não exatamente por cantoras.

“Aproveitando o edital do Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da ManausCult, com recursos da Lei Aldir Blanc, participamos e fomos contemplados com nosso projeto que culmina com o CD. Escolhemos as dez composições inéditas e as vozes femininas que possuem certa afinidade com as composições, mas que não têm aquele estereótipo que a indústria exige, para que o projeto não perca a sua essência”, explicou.

A opção por eleger mulheres do cenário local, ainda de acordo com Eliberto, foi feita a partir do conceito de fazer valer a identidade de cada uma.

“São mulheres que fazem do próprio canto uma forma de existir maior. Um canto mais natural, sem determinadas posturas do cantar mais comercial”, acrescentou.

Comunhão das diferenças

Por enquanto ainda estão sendo concluídos os trabalhos em estúdio de ‘Mulheres que cantam’, com mixagem e finalização.

“É possível que, em março, possamos apresentar o produto final”, adiantou.

Eliberto aproveitou para destacar algumas das músicas do CD, como ‘Imaginando’, que fala sobre a circularidade e que faz menção à capoeira, interpretada, inclusive, por uma praticante da modalidade. O álbum conta ainda com ‘Canto das margens’ e ‘Choro para Marselha’, essa última composta para uma artista francesa, que Eliberto conheceu em uma viagem pela França. A produção executiva de ‘Mulheres que cantam’ é assinada por Jean Antunes e Railda Vitor, além da designer Carla Batista, que é responsável por toda a produção visual do projeto.

Para Eliberto, a importância maior do CD é o fato de ser uma proposta aberta a outras participações, “um espaço que pode se tornar, na continuidade, um terreiro de seres humanos com pés descalços para sentir que a terra é canto de verdadeira comunhão das diferenças”, poetizou.

Opinião feminina

Susana Cláudia nunca cantou profissionalmente, mas seu canto pode ser ouvido há mais de 30 anos, quando ela começou no grupo de afoxé ‘Malungo Dudu’, depois circulou como batuqueira nos maracatus ‘Eco da Sapopema’, ‘Pedra Encantada’ e agora está no ‘Baque Mulher Manaus’, onde solta a voz. Também esteve junto com Eliberto no grupo musical ‘Escada sem degraus’.

“Um CD como esse é importante porque mostra a luta das mulheres contra vários tipos de violência”, afirmou.

Susana Cláudia: CD  mostra luta das mulheres contra várias violências
Foto: Divulgação

Carol Sant’Ana é bailarina e atriz e interpretou uma cantora na gravação do CD.

“A vida artística é difícil, independente de ser homem ou mulher. A importância desse projeto do Eliberto é ele não ter buscado mulheres cantoras, mas sim mulheres que cantam, depois Eliberto tem um olhar especial sobre o ser humano, e não especificamente sobre a mulher”, declarou.

Railda Vitor também dança e acha necessária essa conexão com o gênero feminino.

“Cada música conta a história de vida daquela mulher, que não é cantora, mas mostra a sua fala, sua história de luta, de batalha. Todas colocaram a alma feminina nesse trabalho”, finalizou.    

Foto/Destaque: Divulgação

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