Calendário de retomada do comércio avança

O quarto ciclo de reabertura de comércio e serviços de bens não essenciais em Manaus começou nesta segunda (6) e, assim como ocorrido nas etapas anteriores, trouxe mais ânimo para os empresários que até então estavam com portas fechadas e a pilha de contas aumentando. O prosseguimento – sem interrupções e retrocessos – do calendário estabelecido pelo governo do Estado também foi considerado uma boa notícia, mas o otimismo veio carregado de ressalvas e de alguma cautela.

Fazem parte desta fase academias, bares e instituições de ensino privado. As academias vão poder abrir até as 20h e os bares passam a ser autorizados a funcionar também como restaurantes, até meia-noite. Flutuantes podem atender o público com as mesmas restrições de restaurantes, até as 18h. no caso das escolas, a rede pública, por outro lado, só deve reabrir mais adiante e seguirá planos específicos ainda não definidos completamente. Cinemas, que estavam previstos para este ciclo, tiveram sua a reabertura adiada para 1º de setembro, com público limitado a 50% da capacidade das salas.  

“Na verdade, tínhamos liberado os bares para funcionarem como restaurantes desde o 3º ciclo. Mas não tinha ficado claro. Agora, estamos deixando claro. Casas de show e de eventos ainda não. A partir de 1º de setembro, palestras e feiras poderão ser realizadas, desde que com um máximo de 100 pessoas ou 40% da capacidade do ambiente, o que for menor”, destacou o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga.

No entendimento do secretário estadual, o efeito deste quarto ciclo tem amplitude menor do que os dos anteriores, por contarem com menos atividades liberadas, e pelo fato de que o “grosso do comércio” já começou a funcionar no primeiro e segundo ciclos. Outro fator relevante é que parte dos estabelecimentos franqueados já contavam com alguma flexibilização nas etapas anteriores. 

“As academias e escolas continuaram recebendo as mensalidades, se não no todo, pelo menos em parte. As academias, na verdade, já estavam funcionando e só expandimos o horário. No caso dos bares, as empresas já estavam funcionando desde o terceiro ciclo, embora limitados, ainda, a atuar apenas como restaurantes. Então, o impacto é de mais uma hora de funcionamento, nesse momento”, explicou.

O titular da Sedecti avalia que o segmento mais importante no quarto ciclo em termos de ganhos econômicos para o Estado é a educação, em virtude de seus efeitos secundários em outros setores, como os de combustível e de transporte. Jório Veiga explica que o fato de creches, escolas e universidades particulares poderem voltar agora e o mesmo não se aplicar aos estabelecimentos públicos se deve a fatores estratégicos.

“A rede privada não tem uma estrutura tão boa quanto a pública para ensino à distância. São 600 mil pessoas retornando à circulação e, por isso, dividimos em três segmentos. Assim, repartimos o número de pessoas voltando a circular em intervalos de, pelo menos, 15 dias. Isso nos dá oportunidade de monitorar o progresso”, justificou.

Interatividade e restrições

Na mesma linha, embora um pouco mais otimista, o ex-titular da ACA (Associação Comercial do Amazonas) e atual presidente da Assembleia Geral da entidade, Ataliba David Antonio Filho, considera que esta nova abertura no leque de segmentos de comércio e serviços autorizados a receber público é positiva para a economia local, a despeito dos limites de capacidade de público proporcionadas pelos protocolos de segurança.

“O terceiro ciclo foi implantado na semana passada e já é possível dizer que foi positivo, ao aumentar o número de estabelecimentos reabertos ao público e trazer um bem vindo reaquecimento da economia local. O mesmo deve ocorrer nesta atual fase, apesar das restrições. Mas, o importante é que são mais atividades funcionando e que uma completa a outra em um processo de interatividade econômica”, ponderou. 

Contratos e inadimplência

Já a presidente do Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas), Elaine de Souza Saldanha, se diz totalmente otimista e comemora o fato de a flexibilização para o setor se dar quase que exclusivamente em Manaus. A reabertura é uma boa notícia para os empresários, que registraram mais de 20 cancelamentos de contratos e viram seu índice de inadimplência saltar da faixa de 8% a 10% disparar para até 50% em abril – auge da pandemia na capital –, até se se situar nos atuais 35% a 40%. 

Segundo a dirigente, há pelo menos 30 dias, o Sinepe-AM vem organizando o  retorno do setor, com associados e não associados – embora cada instituição tenha estabelecido seu plano. Todos os cuidados necessários previstos para garantir o cumprimento dos protocolos estão sendo tomados, incluindo distanciamento social, higiene pessoal e de equipamentos, e monitoramento e controle das atividades. E, para amenizar custos, foram feitas compras coletivas. 

“O retorno ainda não é total, já que as escolas do interior ainda estarão fechadas e as faculdades só devem retornar a partir de 3 de agosto. O momento é desafiador e não sabemos quantos contratos poderão ser retomados. O Estado todo registrou 2.300 casos de crianças infectadas no período da pandemia e 14 óbitos. Nossa expectativa é que os pais e responsáveis verifiquem que as escolas estão todas as providências necessárias para garantir a segurança de seus alunos e se sintam confortáveis para que seus filhos retornem às aulas”, arrematou.

O Jornal do Commercio procurou ouvir também a expectativa da Abrasel-AM (Associação de Bares e Restaurantes do Amazonas) sobre o quarto ciclo de reabertura e balanço do terceiro, em termos de volume de negócios, fluxo de clientela e manutenção de empregos. Mas, foi informado que o presidente da entidade, Fábio Cunha, encontrava-se em reunião e só retornaria depois, o que não ocorreu até o fechamento desta reportagem.  

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