Bancada intensifica pressão pela recuperação da BR-319

Lideranças políticas da Região Norte estão esperançosas em incluir a BR-319 no pacote de obras de pelo menos R$ 100 bilhões anunciados pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) para a recuperação de estradas federais nos próximos quatro anos. O dia D para tentar reverter a decisão que excluiu a rodovia desses novos investimentos será na próxima sexta-feira (05) durante reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em Brasília.   

Segundo o deputado federal Marcelo Ramos (PR), no encontro com o ministro estão confirmadas  as presenças dos governadores do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia. A medida de Bolsonaro que relegou a um segundo plano a BR-319 frustrou as expectativas de parlamentares dos quatro Estados – hoje os maiores interessados na retomada das obras na estrada, considerada como estratégica para fomentar o desenvolvimento econômico e o intercâmbio comercial com a ligação rodoviária da região ao resto do País. “A decisão pegou a todos de surpresa. Foi mais por questões de prioridades. Num primeiro momento, a rodovia não estava mesmo nos planos do governo”, avalia Ramos.  

Mesmo asssim, o  deputado federal não demonstra pessimismo em relação ao novo governo que mal assumiu o Planalto e já causa polêmica com suas decisões. Ele acrescenta que a recuperação da BR-319 é um compromisso de campanha e um dever de Bolsonaro para com toda a sociedade amazonense. “Esperamos que ele cumpra o que prometeu ainda como candidato à Presidência. A grande expectativa de todos é que o presidente mostre agora a mesma sensibilidade em recuperar a rodovia para tirar o Amazonas do isolamento das outras regiões do Brasil”, afirma o parlamentar.   

A esperança na retomada das obras da BR-319 também está na poderosa bancada ruralista, interessada em expandir a sua fronteira de plantações de soja na Amazônia, segundo avaliam analistas de mercado. Além dos governadores, as bancadas federais dos quatro Estados (Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia) devem também ir a Brasília para pressionar Tarcísio Freitas em incluir a rodovia nos projetos de recuperação. “A amazonense, com certeza estará lá pressionando o governo”, afirma Marcelo Ramos.

Segundo o ministro da Infraestrutura, parcerias com a iniciativa privada serão a principal ‘alavanca’ das novas medidas. Ele disse que o pacote já tem os próximos quatro anos projetados para as rodovias. “Já planejamos todas as ações”, afirmou, citando recuperação de estradas no âmbito do PPI (Programa de Parcerias de Investimenos) e novos trechos como na BR-381 (Minas Gerais), BR-262 (Espírito Santo), BR-163 (Pará), BR-230 (Pará), BR-476 (Santa Catarina) e BR-280 (Santa Catarina).

Único deputado federal eleito pelo partido de Bolsonaro no Amazonas nas últimas eleições, o delegado Pablo Oliva (PSL) disse que o encontro do dia 5 foi definido durante encontro com o ministro Tarcísio Freitas em Brasília. Segundo o parlamentar, a bancada amazonense tem consciência de que os custos de recuperação da BR-319 são altos, mas a região merece sair do isolamento. “Tentaremos viabilizar as obras, é nosso compromisso”, afirma ele, adiantando que antes é necessário atualizar novos estudos e licenças ambientais.

“Após isso, vamos manter nossa frente em busca de o mais breve possível conseguir inicialmente o asfaltamento das áreas mais críticas da estrada”, acrescenta o parlamentar. De acordo com Pablo Oliva, o ministro Tarcísio Freitas pretende percorrer os 855 quilômetros da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, para ver de perto a situação de conservação da rodovia. “A agenda do ministro vem sendo construída e meu convite é para que ele venha ainda no primeiro semestre de 2019 para conhecer as condições da estrada”, acrescenta o deputado.  

Alvo de sucessivos impasses ambientais ao longo dos últimos governos, a BR-319 está sem condições de tráfego devido às chuvas torrenciais nesta época do ano. Recentemente, a viação Aruanã suspendeu as viagens de ônibus para a cidade de Lábrea (a 853 quilômetros de Manaus) por causa da estação chuvosa severa. Veículos atolam em trechos da estrada, expondo tripulantes e passageiros a acidentes e à ação de assaltantes. O isolamento é total com a floresta densa e inóspita. A viagem de ida e volta entre as duas cidades demora pelo menos 60 horas, mas nesse período chega a durar até uma semana. Por isso, a Arsam (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas) autorizou em meados de janeiro a suspensão do transporte rodoviário entre Lábrea e Manaus, que só deve ser retomado a partir de maio deste ano, dependendo do estado da rodovia.

 

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