Balança comercial do Amazonas têm crescimento em março

A corrente de comércio exterior do Amazonas voltou a subir em março. Tanto as exportações, quando as importações, avançaram em todas as comparações. Os patamares de crescimento, no entanto, foram mais baixos do que os capturados em momentos anteriores, já sinalizando o impacto da crise do Covid-19 na cadeia econômica global. A conclusão vem da análise dos dados do governo federal, disponibilizados pelo portal Comex Stat, nesta sexta (3).

As vendas externas do Amazonas US$ 66.61 milhões em março, pouco (+3,43%) além da marca de fevereiro (US$ 64.40 milhões) e 11,69% acima do número registrado exatos 12 meses atrás (US$ 59.64 milhões). O trimestre (US$ 189.32 milhões) também foi 7,24% superior ao patamar alcançado no mesmo período de 2019 (US$ 176.53 milhões).

Os números de importação do Estado encostaram em US$ 877 milhões em março de 2020, um tímido acréscimo de 0,14% ao registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 875.79 milhões). O resultado, contudo, foi bem melhor (+8,81%) do que o obtido em fevereiro (US$ 804.90 milhões). No acumulado, os valores subiram 2,73%, de US$ 2.56 bilhão (2019) para US$ 2.63 bilhão (2020). 

Em fevereiro, as compras do Amazonas no estrangeiro foram encabeçadas por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 128.99 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 123.67 milhões), platina (US$ 93.02 milhões), celulares (US$ 78 milhões) e óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (US$ 35.68 milhões). No confronto com os números de 12 meses atrás, houve queda nos dois primeiros itens e no último.

Na lista de nações fornecedoras para o Estado, destacaram-se China (US$ 226.63 milhões), Estados Unidos (US$ 101.16 milhões), Vietnã (US$ 77.79 milhões), Coreia do Sul (US$ 58.67 milhões) e Taiwan (US$ 38.86 milhões). Entre as nações citadas, apenas o Vietnam obteve número melhor do que o de 2019.

“As oscilações não são significativas, especialmente no começo do ano, que costuma registrar volume de operações menor. A não ser quando as importações do PIM sofrem queda significativa, o que ainda não está ocorrendo. Como a contabilidade das compras externa costuma ser feita antes, devemos ver os efeitos da crise do coronavírus e da paralisação do Distrito só a partir de maio”, analisou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, em conversa com o Jornal do Commercio. 

Manufaturados em queda

A lista de exportações do Estado foi encabeçada, como de hábito, pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 16.06 milhões), sendo seguida por motocicletas (US$ 7.03 milhões), óleo de soja (US$ 6.51 milhões), ferro-ligas (US$ 4.45 milhões) e aparelhos de barbear (US$ 4.33 milhões) – sendo que apenas este último teve vendas melhores em 2020. Televisores (US$ 2.92 milhões), que já haviam despencado do segundo para o quinto lugar no levantamento anterior, caíram para a sétima posição (US$ 3.01 milhões). 

Venezuela (US$ 23.05 milhões) e Colômbia (US$ 6.56 milhões) lideraram a lista de destinos das vendas externas amazonenses – a primeira com crescimento exponencial e a segunda, com queda considerável. Na terceira posição veio a Argentina (US$ 5.96 milhões), que também sofreu abalo em relação a 2019. Bolívia (US$ 4.04 milhões) e China (US$ 3.19 bilhões) vieram na sequência, também com valores menores.

“No caso das exportações, tivemos um trimestre dentro do esperado. No caso da Venezuela, ocorre novamente a situação dos meses anteriores: são compras de alimentos e artigos de higiene não produzidos na Zona Franca, por conta da escassez desses produtos lá. Colômbia e Bolívia aumentaram muito as compras de concentrados, enquanto as aquisições da China ainda são de produtos primários. E a Argentina já vem de uma crise desde o ano passado, ”, assinalou Marcelo Lima.

Segundo trimestre

De acordo com o gerente executivo do CIN, os efeitos da pandemia do Covid-19 ainda não se refletiram nos dados de comércio exterior do Amazonas, mas já devem impactar significativamente o desempenho no segundo trimestre. Se involução das importações é aguardada apenas para maio, já se aguarda uma queda significativa das exportações a partir deste mês.  

“Janeiro costuma ser fraco e fevereiro, por ser um mês pequeno e com Carnaval no meio, também. As negociações começaram a deslanchar a partir de março, quando as medidas de isolamento social já começaram a vigorar. Já sentimos uma redução considerável, de 15% a 20% na emissão de certificados de origem para países do Mercosul. No caso das importações, pode ser que a indústria compense de alguma forma, ao diversificar seu mix, ao começar a fabricar produtos hospitalares. Espero que não, mas creio que a queda na balança comercial vai ser inevitável”, finalizou. 

Fonte: Marco Dassori

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