Apesar da pandemia, venda de veículos em março tem alta

Depois da marcha a ré de fevereiro, os números de vendas de veículos automotores no Amazonas voltaram a avançar em março, em meio à pandemia do novo coronavírus. Na média nacional, o setor seguiu trajetória inversa e amargou queda em todas as comparações, já sob o impacto da crise do Covid-19. Os dados foram disponibilizados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) nesta sexta (3) e foram embasados nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).

O total de veículos vendidos no Estado em março (4.013 unidades) foi 10,34% superior ao de fevereiro (3.637). Foi positivo também na comparação com o mesmo mês do ano anterior (3.958), mas o acréscimo foi de apenas 1,39% nesse cenário. No trimestre, o setor subiu 8,67%, com 12.139 (2020) contra 11.171 (2019) veículos. Os dados levam em conta todos os tipos e veículos: automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos.

Na contramão do Amazonas, as vendas em todo o território nacional derraparam em todas as comparações. As 249.158 unidades vendidas pelas concessionárias brasileiras no terceiro mês de 2020 levaram a uma queda de 15,02%, quando comparada ao quantitativo de fevereiro de 2020 (293.211) e de 0,92% no confronto com março de 2019 (305.510). No acumulado (840.800), o decréscimo foi de 7,06% frente ao mesmo período de 2019 (904.698).

Das sete categorias listadas pela Fenabrave, apenas três encolheram na passagem de fevereiro para março, com destaque para implementos rodoviários (+57,81%), com apenas 27 unidades vendidas. Foi seguido por “outros” (-35%) e comerciais leves (-6,55%), com 13 e 542 veículos comercializados, respectivamente. O melhor desempenho neste tipo de comparação veio dos ônibus (+80% e 27 unidades). Na sequência, vieram caminhões (+37,93% e 80), motocicletas (+16,44% e 1.643) e automóveis de passeio (+12,89% e 1.681).  

Carros convencionais seguiram como a categoria mais vendida. Mas, diferente do ocorrido no mês anterior, reduziram sua fatia no bolo, de 46,34% para 40,90%, no confronto com os números de março de 2019. Motocicletas foram na direção contrária e elevaram sua participação de 38,39% para 39,97%, na mesma comparação.

Transit time

Procurado pelo Jornal do Commercio, o presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas), João dos Santos Braga Neto, esclarece que o descolamento dos números locais em relação aos nacionais é ilusório, dado o transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento da venda e a entrega do veículo, que leva em torno de 30 dias. 

“E isso ocorre todo mês. Março não foi essa maravilha toda. Os números divulgados são um reflexo de fevereiro, embora haja vendas de estoques também. Começamos a primeira quinzena de março muito aquém do aguardado, mas esperávamos uma melhora na segunda. Aí, vieram as medidas de restrição ao coronavírus, e o mercado desabou”, lamentou.

De acordo com o dirigente, em sintonia com a Fenabrave, o segmento de venda de veículos começou o ano com expectativa de crescer 10% nas vendas e possibilidade de rever a meta para 15% na virada do semestre, mediante a evolução do mercado. A crise do Covid-19 sepultou essa projeção e trouxe incertezas difíceis de serem afastadas no curto prazo.

“Se perguntar agora, ninguém sabe. Esperava-se que as montadoras voltassem em abril, mas tudo indica que vai ser adiado. Mas, as vendas online não pararam. Uma boa notícia é que as vendas de motocicletas ainda crescem. Provavelmente, pela maior demanda do mercado de delivery, mas esta é apenas a minha opinião”, ponderou.

Redes sociais

Já o sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, avaliou que o comportamento do setor no Amazonas foi melhor em março, com as vendas dentro das expectativas da empresa na primeira quinzena e um movimento enfraquecido na segunda, em função das medidas de quarentena anti-coronavírus. 

“Creio que, infelizmente, o manauara pensou que a pandemia não fosse chegar aqui com tanta força. Não imaginava que o comércio e cidade parariam 100%, e continuou fazendo compras normais ainda no começo do mês. A segunda quinzena foi muito fraca. Na última semana de março, fechamos por decreto do governo e só reabriremos quando ele autorizar”, lamentou.

Segundo o executivo, a procura por redes sociais aumentou mais de 50%, e mesmo com as portas fechadas, algumas vendas se concretizaram via internet, com direito a delivery do veículo na casa do cliente. Yuri Barbosa informa que a o atendimento da empresa está sendo feito totalmente via Whatsapp, Facebook e Instagram. Lá, o cliente pode avaliar o carro, simular financiamento e aprovar o crédito. O contrato é levado junto ao carro, na entrega ao domicílio.

“Em tempos de crise, as empresas têm que se reinventar. A comercialização de veículos tende a seguir em baixa em abril e maio. Nossa previsão é que, em junho, as vendas voltem a normalizar. Mas, com certeza, teremos uma retração de 30% a 40% no volume comercializado no segundo semestre, quando as coisas normalizarem”, encerrou.

Fonte: Marco Dassori

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