10 de abril de 2021

Balança comercial do Amazonas sofre nova queda em junho

Os impactos econômicos da pandemia derrubaram a corrente de comércio exterior do Amazonas pelo terceiro mês consecutivo, em junho. Embora tenham esboçado alta em relação a junho, as exportações ainda ficaram devendo em relação ao ano passado. As importações, por outro lado, andaram para trás em praticamente todas as comparações, a despeito da sinalização positiva para o PIM, por meio da reabertura do comércio. A conclusão vem dos dados do governo federal disponibilizados pelo portal Comex Stat.

Em junho, as vendas externas do Amazonas totalizaram US$ 55,51 milhões e foram até 20,15% melhores do que as de maio (US$ 46.20 milhões), mas ficaram 2,45% abaixo do registro de exatos 12 meses atrás (US$ 56.96 milhões). O Estado ainda conseguiu sustentar uma alta de 1,85% no semestre (US$ 336.76 milhões), frente ao patamar do mesmo período de 2019 (US$ 330.64 milhões).

Já a contabilidade das aquisições do Estado no estrangeiro não passou dos US$ 617.30 milhões em junho de 2020, correspondendo a um decréscimo de 12,83% frente ao registrado em maio de 2020 (US$ 708.18 milhões). E o resultado foi 23,61% pior do que o obtido um ano atrás (US$ 808.09 milhões). Os valores também caíram no aglutinado até maio e passaram de US$ 5.14 bilhão (2019) para US$ 4.64 bilhão (2020), uma diferença de 9,73%. 

As importações do Estado foram encabeçadas por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 116.53 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 85.28 milhões), celulares (US$ 49.37 milhões), partes e acessórios para veículos (US$ 22.16 milhões) e máquinas e aparelhos de ar condicionado (US$ 20.71 milhões). Com exceção do primeiro item, todos sofreram quedas significativas em relação a 12 meses atrás.

A China voltou a encabeçar a lista de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, mas com queda de US$ 291.40 milhões (2019) para US$ 274.59 milhões (2020). Na sequência, vieram Vietnã (US$ 58.45 milhões), Coreia do Sul (US$ 44.86 milhões), Taiwan (US$ 43.88 milhões) e Estados Unidos (US$ 42.80 milhões) – todos com retrações frente a junho do ano passado.

“As importações ainda estão negativas porque a pandemia está afetando com mais força o mercado interno, que é o foco da produção e das vendas do PIM. O fato de o comércio estar reabrindo as portas gradativamente é positivo, mas ainda não pode se refletir na indústria de Manaus, porque há um intervalo de 45 a 70 dias entre o pedido e o registro do insumo importado, quando ele chega por aqui”, ponderou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, em conversa com o Jornal do Commercio. 

PIM em baixa

Preparações alimentícias/concentrados (US$ 13.53 milhões) voltaram a liderar a lista de exportações do Estado, embora tenha atingido um valor aquém do de 12 meses atrás (US$ 14.99 milhões). Foi seguido por óleo de soja (US$ 6.67 milhões), extratos de malte (US$ 4.76 milhões), açúcares de cana (US$ 4.24 milhões) e ferro-ligas (US$ 3.49 milhões) – com queda apenas para este item. O melhor desempenho de um manufaturado do PIM veio dos aparelhos de barbear (US$ 2.70 milhões) e das motocicletas (US$ 1.47 milhão) – na sexta e oitava posições do ranking, respectivamente.

Venezuela (US$ 23.16 milhões) e Argentina (US$ 4.84 milhões) lideraram a lista de destinos das vendas externas amazonenses – a primeira com crescimento sobre o ano passado (US$ 2.80 milhões) e a segunda, com queda sobre o mesmo período (US$ 12.98 milhões). Bolívia (US$ 4.71 milhões), Colômbia (US$ 4.68 milhões) e China (US$ 4.15 milhões) vieram na sequência, mas apenas a segunda não veio com números mais fracos do que no ano passado. 

O gerente executivo do CIN-AM disse que o incremento entre maio e junho não deixou de ser surpreendente, especialmente no caso do reposicionamento da Argentina entre os compradores de produtos do Amazonas. O mesmo não pode ser dito da repetição da Venezuela no topo da lista que se deve, segundo Lima, a um acordo entre supermercadistas do país vizinho e atacadistas com sede em Manaus.

“Notamos que o novo governo argentino vem buscando novos mercados e erguendo barreiras para o Brasil, daí a surpresa. De resto, não há novidades. A China, por exemplo, voltou a adquirir mais produtos in natura, como ferro-ligas. A Venezuela, por outro lado, voltou a salvar nossas exportações e vem fazendo papel parecido para o Amazonas ao que o agronegócio faz na balança comercial brasileira. Eles compram muito, principalmente produtos alimentícios e de higiene. Pena que não seja itens fabricados por aqui”, lamentou.

Recuperação lenta

De acordo com o gerente executivo do CIN, a tendência é que os efeitos da pandemia na balança comercial do Amazonas comecem a perder força nos próximos meses, com gradual reforço nas estatísticas de importações e de exportações do Estado, em razão da lenta reabertura dos negócios decorrente das medidas de contenção à covid-19 e do cenário comparativamente melhor no fronte externo.  

“A emissão de certificados de origem voltou a subir entre maio de junho, e passou de pouco mais de 90 para 150. É claro que, em meses normais, costumávamos ter 200 e já chegamos a registrar em torno de 700, há cinco ou seis anos. Mas, há alguma recuperação. A pandemia havia freado as negociações, que estão voltando. A tendência é que tanto as importações e exportações voltem a crescer a partir de julho, com melhora substancial para agosto. Só não sei até quando”, finalizou. 

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