Após crise, governo acena com ajuda

A pressão por estímulos para o setor de duas rodas no PIM parece ter surtido efeito em Brasília. Isso porque, o governo federal instituiu ontem, alíquota única de 35% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para todos os modelos de motocicletas, como uma primeira solução para amenizar a situação do setor, em crise desde o início do ano.
A medida deve impactar a competitividade dos fabricantes de duas rodas da ZFM, que disputam em condições desfavoráveis com os produtos acabados trazidos da Ásia.
No entanto, representantes da indústria no Amazonas ressaltam que o principal entrave, a abertura de crédito para a compra de motocicletas, ainda está longe de ser resolvido.
“A alteração sobre o imposto na importação de produtos acabados auxilia, mas não resolve de forma consistente. A questão do financiamento é urgente”, destacou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
“Não adianta produzir se não tiver comprador. A base de todos os problemas está na concessão do crédito. Além das desvantagens do preço, a dificuldade em financiar estimula ainda mais a importação dos produtos asiáticos”, explicou o consultor empresarial das empresas japonesas no PIM, Teruaki Yamagishi.
O superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Thomaz Nogueira, informou que as soluções aplicadas ao polo automobilístico não serão estendidas ao segmento, mas disse que as discussões técnicas para reverter os problemas de concessão de financiamentos bancários continuam.
Entre as propostas discutidas no encontro em Brasília, estão medidas como o ajuste na regulação dos consórcios para maior agilidade à retirada de bens contemplados, e formas de flexibilizar as solicitações de crédito.
Ainda em nota, Thomaz Nogueira informou sobre uma proposta que visa diminuir o valor da taxa de cadastro para o consumidor em troca da exigência de um valor maior de entrada.
“Essa taxa cadastral nada mais é do que uma remuneração ao sistema financeiro para diluir os riscos, mas, se você exige um valor maior da entrada, o risco está sendo consequentemente diminuído”, disse.
Thomaz Nogueira informou que as soluções em discussão devem evoluir nas próximas duas semanas. “Tanto o governo federal quanto o governo do Amazonas, além da bancada de representação do Estado no Congresso Nacional, estão atentos a esse problema e focados em encontrar uma solução no menor prazo possível”, defendeu.

Cenário atual

De acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), a produção de motocicletas do Amazonas caiu 8% no primeiro quadrimestre do ano. Foram 655.242 mil unidades contra as 711.728 do mesmo intervalo de 2011. Honda e Yamaha, por exemplo, as principais fabricantes do produto no PIM amargaram queda de 35,25% e 21,16% no mesmo período comparativo.
A produção desacelerada já impacta o faturamento do setor, mesmo sem o resultado de abril, os indicadores da Suframa apontam que no primeiro trimestre do ano, o montante de US$ 2,13 bilhões representam crescimento de apenas 0,37% em relação a igual período do ano anterior. Em média, o crescimento do périodo é de 40%.
O impacto foi sentido também no número de empregos. No primeiro trimestre, o Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) homologou 776 demissões, sendo 445 apenas da Moto Honda.
Os efeitos recaíram ainda sobre a atividade das concessionárias, que registraram retração de 7,86% nas vendas entre janeiro e abril deste ano no comparativo com o primeiro quadrimestre do ano passado.
O economista e consultor empresarial José Laredo explica que vários fatores contribuíram para a diminuição da demanda como um leve aumento da inflação e uma estabilidade dos juros. “Mas o consumidor de duas rodas parece que foi acometido de uma certa saturação de oferta tendo em vista que a compra desse bem não tem ciclo curto de reposição nem é repetitiva como a compra de alimentos, ela tem sempre um intervalo de reposição”, analisou.
Além disso, segundo ele, a entrada de novos consumidores caiu em função da desaceleração geral da economia e da rápida valorização do dólar frente ao real.
“Mas ainda, as financeiras somente agora que foram autorizadas a elevar o número de parcelas. Antes, elas vinham operando em bases menores o que dificultava a compra desses bens”, complementou.

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