14 de abril de 2021

Amazonas deve cortar 1.690 empregos

A trajetória dos indicadores de contratação ratificou o impacto desfavorável da crise sobre a indústria mesmo a despeito da retomada consistente da economia amazonense no último quadrimestre

A trajetória dos indicadores de contratação ratificou o impacto desfavorável da crise sobre a indústria mesmo a despeito da retomada consistente da economia amazonense no último quadrimestre. O Estado vai fechar o ano de 2009 com a colocação efetiva de 7.273 pessoas, isto é, um saldo de 1.690 pessoas a menos no mercado de trabalho. O volume representa queda de 18,9% no total de empregos criados em relação a 2008, encerrado com praticamente 9.000 pessoas na formalidade.
A constatação, feita a partir do balanço parcial de 2009, pelo assessor de planejamento da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho) Almir Pinto, aponta ainda que a taxa média de desemprego em Manaus deve atingir 7,15% no acumulado até dezembro ante 6,81% de novembro passado e 6,65% em igual período de 2008.
Conforme assinalado pelo representante, a queda na ocupação das vagas no Estado se deve à crescente involução no interesse do empresário pela mão-de-obra local pouco especializada. “Apesar do número de participantes dos cursos de capacitação ter aumentado exponencialmente, as empresas estão cada vez mais exigentes, o que dificulta a inserção do interessado nas frentes de trabalho”, acrescentou.
Na opinião da diretora-executiva do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil e Montagem do Estado do Amazonas), Rosalinda dos Anjos Silva, o cenário na formalização de operários foi desolador para a indústria da construção no Estado em virtude da paralisação de grandes projetos. A dirigente concordou que falta mão-de-obra especializada no Amazonas, o que pode ter impactado para o aumento expressivo de pessoas fora do mercado de trabalho. “É certo que perdemos muitos postos de trabalho por conta da crise financeira, mas fica difícil para o operário investir parte dos seus ganhos com cursos caros e altamente concorridos mesmo que sejam uma exigência para mantê-lo no mercado de trabalho”, ponderou a dirigente.
O levantamento da Setrab apontou ainda que 184,56 mil pessoas procuraram obter o seguro-desemprego, das quais apenas 76,36 mil tiveram êxito. No ano passado, dos 180,07 mil que procuraram a secretaria, o estudo aponta que 71,88 mil trabalhadores receberam o benefício.
Segundo o varejista José Praxedes Souto, atuante no segmento de eletrodomésticos e utilidades domésticas, as novas oportunidades de empregos efetivos no comércio tiveram redução de 0,58% a despeito da demanda necessária. O empresário preferiu não citar números, mas disse que as grandes redes varejistas foram as mais impactadas com a redução do crédito e o aumento da inadimplência, o que contribuiu para o baixo nível de contratação. “Sei que muitos empresários vão negar, mas o que segurou o comércio na maioria dos meses foram os temporários. No nosso caso, por exemplo, foram abertas 220 vagas este ano, contra 75 para efetivos”, revelou.

Projeções de mercado

Mesmo assim, as projeções do mercado de trabalho são otimistas, de acordo com o último levantamento da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), que, em dezembro, comparou a opinião dos consumidores em relação à empregabilidade com o mesmo o ano passado, detectando que para a maioria dos entrevistados (49,8%) a situação estará entre pouco ou muito mais fácil de conseguir novo emprego, enquanto 39% considerou que em 2010 conseguir um emprego fixo será muito mais difícil que em 2009. Apenas 16,2% do universo de 4.000 entrevistados garantiram que as chances de se recolocar no mercado de trabalho permanecem inalteradas em relação a este ano.

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